sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Ivaldo Dourado na Academia de Letras de Garanhuns

José Hildeberto Martins*

Tudo só acontece no tempo determinado pelo Supremo Arquiteto do Universo. E, às vezes, nem sempre do nosso modo. Não adianta forçar. 2 de julho, foi o dia em que, na Academia de Letras de Garanhuns, comprovou-se mais uma evidência dessa assertiva. Naquela noite fria, como são todas as noites de nosso inverno, houve homenagem póstuma a Ivaldo Rodrigues Dourado, como se fosse esse o último jeito legítimo de integrá-lo ao grupo de imortais da “Terra das Flores”. Em vida não tomou posse, convidado que foi pelo Presidente João Marques dos Santos, alegando não estar bem de saúde, empecilho constante para o seu ingresso. Mas Deus o levou para a sua fantástica academia, embora confortando a to-dos, cedendo seu nome como Patrono de uma cadeira. E para isso usou o Acadêmico Manoel Teixeira Neto como instrumento.

Reunião memorável. Difícil admitir que se fazia uma homenagem póstuma. Para todos, crê-se, era uma Reunião Especial de posse em que, tal o calor humano, Ivaldo parecia estar ali, no meio de todos, bem vivo com a sua graça e espiritualidade, para receber mais uma insígnia honorí-fica, seu diploma de imortal. E não era para menos. Era como se pairasse uma feliz expectativa. A Academia estava lotada de autoridades, de ami-gos, de acadêmicos, representantes da Loja Maçônica Mensageiros do Bem, curiosos, todos seus admiradores, a assistência toda respirando vida, num ambiente sereno, onde a própria Profa. Solange Rodrigues, sua dig-níssima esposa e familiares pareciam repassar confiança e esperança, prontos para homenagear, solidários com os demais, outro grande aldeão que havia partido de férias por tempo indeterminado.

De início, composta a mesa, um feixe de luz projetava Ivaldo em pa-rede frontal, ao alcance de todos; ele, de braços abertos, como se quisesse abraçar a própria Garanhuns, sua cidade natal.

Com certeza, lembrando Martins Fontes em sua Chuva de Estrelas, Ivaldo Rodrigues Dourado, hoje, deve estar a essas alturas se astralizando, imensificando a imensidão, enormizando a enormidão com a grandeza de sua alma. E foi assim que, da tribuna, sentiu-se dele na eloquência de Ma-noel Neto Teixeira, de Manoel Hélio Monteiro e de Acácio Calado.

Após a luta, o sono. O sono de paz, o sono que sorri, destino comum a todos, a alma leve a planar invisível por toda a abóboda celeste. No caso de Ivaldo, sobrevoando as Sete Colinas que, obra de arte natural, contor-nam a “Cidade Serrana”. 

Fitemos, enfim, o firmamento, de noite clara de lua, e que se nomeie, de imediato, uma estrela que passe a ter o seu nome; e, assim, o céu de Garanhuns ficará mais esplendoroso, de glória maior para a terra que lhe serviu de berço.

Sem adeus é melhor. Até um dia! é provável que seja mais consentâneo, Ivaldo. Pelo jornal O Monitor e por toda a gente que jamais o esquecerá, vez que será como se o ilustre amigo sempre esteja ao lado. A morte, no dizer de Rui Barbosa, não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima.

Portanto, fica melhor um “até logo”, ou um “até breve”, coisa assim, mais efêmera, pois tudo indica que não se tratou de uma homenagem póstuma, mas de sua posse na ALG, e no melhor estilo dos seus amigos. E fica, em síntese, o conforto de havermos aprendido um pouco de suas primorosas lições de vida. Então, até o preenchimento da cadeira, na ALG, que tem você como Patrono. Até lá!  Dr. Ivaldo Rodrigues Dourado faleceu em 20 de maio de 2011.

*Professor, escritor e jornalista.

Foto: Dr. Ivaldo Dourado na Missa de Ação de  Graças pelos 95 anos do Colégio Diocesano de Garanhuns, no dia 12 de outubro de 2010.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Marília é a esperança de dias melhores para os pernambucanos

Por Eudson Catão* Marília Arraes é a pessoa certa, na hora certa, para virar a página e tirar do poder um grupo que se encastelou no Governo...