sábado, 30 de abril de 2022

Um prefeito


Antônio Vilaça*

"Entendo ser meio incômodo o posicionamento de quem fala de pessoas que ocupem de posições de mando permanente ou eventual. Em geral da a entender interesse pairando no ar,  próxima ou remotamente. Essas considerações me assaltam quando começo a falar de Ivo Tinô do Amaral, ora no exercício do importante cargo de Prefeito, terra a quem estou ligado pelos laços familiares e por ali ter feito o meu curso primário no Ginásio Diocesano, depois precisamente em 1927, transformado em Seminário Menor, onde também vesti batina pelas mãos de Dom João Tavares de Moura.

No caso em tela, contudo, fica positivado que não há subterfúgio e nem intensão sub-reptícia qualquer, desde que nada desejo nem para mim, nem para parentes aderentes e amigos. Tenho ido bastante à Garanhuns e não só não procurei ver o Edil, como dele até fugi uma vez, exatamente para escoimar de dúvidas a minha reta intensão de somente admirar um administrador eficássimo e desejar-lhe uma das mais proveitosas administrações.

Tenho por Ivo um particular afeto. Vi-o bem dizer, nascer. Seus pais ambos lajedenses como eu. Foram meus amigos e de minha família. Ivo se criou junto com a minha irmã Julieta e com ela brigava pela disputa do colo de papai. Ismael que morreu tão cedo, pai de Ivo, era uma pessoa admirável pela bondade. Francisca a quem chamávamos também de "Chiquinha" estudou comigo em Nazaré da Mata, ela no Colégio Santa Cristina e eu no Ateneu Nazareno, no distante ano de 1926. Eram os pais de Ivo Amaral.

Acompanhei a carreira funcional de Ivo, um simples funcionário da Diretoria de Produção Vegetal, que conseguiu pelo seu valor e pela sua fidelidade, atingir a posição de mando do velho PSD e depois da Arena, galgando os postos de Vereador, Presidente da Câmara, Vice-Prefeito e finalmente em pleito no qual positivou a sua liderança de forma absoluta, Prefeito de Garanhuns.

Tudo isso poderia não significar nada, se não conseguisse Ivo dar conta do recado que se tornou mensageiro pela vontade de milhares de garanhuenses. Os ecos da sua administração dinâmica estão aí entrando nos ouvidos de todo mundo de fora ou sendo vistos pelos que habitam Garanhuns. Não cuida o Prefeito só de calçar ruas, pagar os funcionários e realizar o trivial de todo administrador.

Vai além da promoção da sua terra pelo destaque dado à Cultura, vale dizer a esta altura que Garanhuns lidera as demais cidades interioranas nas Ciências e nas letras. Este prefeito tem aos ombros uma tarefa pesada que só se realizará com a colaboração de todo povo, inclusive dos seus adversários: promover feitos ruidosos nos cem anos de Garanhuns em 1979. Vai ser o teste de sua capacidade de administrador. Deus haja com que ele se saia bem, inclusive para alegria dos seus amigos sinceros".

(Texto transcrito do Jornal O Monitor de 17 de Setembro de 1977).

*Antônio de Sousa Vilaça nasceu no Sítio Cágado, município de Lajedo-PE, em 3 de outubro de 1914. Foi aluno do Seminário de Garanhuns, transferindo-se muito cedo para a cidade de Nazaré da Mata, onde conclui os estudos, casa-se com a Srta. Evalda Rodrigues e nasce o único filho, Marcos Vinícios Rodrigues Vilaça, mais tarde ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), e presidente da Academia Brasileira de Letras. Faleceu em 27 de junho de 2003 aos 88 anos.

Foto: Garanhuns - Professor Erasmo Bernardino Vilela, ex-prefeito Luiz Souto Dourado e o prefeito Ivo Tinô do Amaral - Lançamento do livro "Garanhuns Ano 100" de Souto Dourado - 1979.

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