quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

José Câmara Guimarães

Dr. José Francisco de Souza*

Grandes Vultos de Garanhuns - Não seria preciso revisar nenhum tópico consubstanciado na pauta de sua vida. Seu comportamento determinava elevados princípios de sua  concepção. Simples, modesto, e naturalmente educado. Sem o concurso das letras criou sua própria condição de elementar estabilidade. Noção edificante do processo de sublimação das coisas, nunca lhe foi ausente. Era  um ser ímpar.

Era filho da Paraíba. Sob a orientação do Major Pedrosa, em pouco tempo tornou-se administrador de suas fazendas de café. Conquistara absoluta confiança da família Pedrosa. A sua capacidade de trabalho foi uma afirmação. A própria iniciativa infundia acatamento e respeito. Era um centro de atração de respeito e confiança de seu benfeitor e amigo Major Pedrosa.

Colhendo o fruto de seu trabalho de  homem afeito ao cultivo da lavoura, conseguira um patrimônio modesto, que assegurou a sua estabilidade econômica. Passou, então, a ser considerado um pequeno fazendeiro. As terras que possuía foram atributos de sua luta como trabalhador que soube com dignidade ocupar o seu posto. Madrugador, jovial, sempre de pé no dealbar de muitas madrugadas. Nunca fora um estacionário na estrada de sua vida. Nem exagerou as suas necessidades.

Conhecemo-lo, já nesta cidade, na Avenida Santo Antônio, onde construíra uma  boa casa, ao lado do Palácio Episcopal. A nossa aproximação foi uma conquista proporcionada pelo nosso grande amigo, Fausto Souto Maior. Na época da redemocratização (ditadura getulista) a loja de Fausto, era o ponto vertical do diálogo e  da dialética política. Luiz Guerra era o prefeito e Fausto, o Vereador mais atuante do pessedismo local. A sistematização do udenismo sem qualquer transparência democrática, constituía-se oposição inclemente aos que não aceitavam " a eterna vigilância como preço da liberdade". Expressão de um conceito apriorístico.

José Câmara Guimarães, frequentava o chamado ponto alto do PSD amigo de  "seu Fausto" ouvia tudo e reclinava a cabeça no leito macio do silêncio. Nos reconhecíamos e fidalguia do porte de "Zé Câmara". Não obstante, se afirmar que  ele era udenista. Contudo, sabia ser digno da confiança dos outros, porque acreditava na sua própria capacidade de tornar-se digno do respeito humano.

Na época da secessão municipal aventou-se a possibilidade de um candidato de  conciliação, José Câmara, foi indicado  pelo consenso político do PSD. Mesmo assim ele não aceitou.

Era, por assim dizer, um material humano de excelente qualidade. A autocrítica e sublimava.

A sua personalidade psicológica apontava uma integração de normas e princípios. Falava pouco. Limitava-se a ouvir e aceitar com coragem e decisão o que era  certo. O correto para ele, seria um dogma religioso. Examinava cuidadosamente, ouvia opiniões dos amigos, até o ponto de seu universo mental não oferecer constrangimentos. Fora esse  um dos aspectos mais importantes de sua vida pública e particular do nosso amigo José Câmara Guimarães. À medida de seu entendimento devia participar dos bons empreendimentos.

Filiou-se à Maçonaria "Mensageiros do Bem" de Garanhuns. Gostava de servir, ajudar, auxiliar, sem ostentação e sem  alarde. Fazer em silêncio é caridade cristã. É revelação de amor ao próximo. Inicialmente, para que essa conduta pacifista se estabeleça e predomine no homem, em si mesmo, através da revisão mental, faz-se necessário uma vontade forte que promova a revolução interior em si mesmo. De restauração de conceitos sobre a vida, assumindo uma posição de princípios, sem distúrbios, sem titubeios nem ambiguidade. Esse estado de  libertação não depende de cultura livresca, nem de títulos universitários e sim do entendimento do processo vital.

José Câmara Guimarães - portador desses requisitos de alta estima. Seu sentimento telúrico foi publicado pelo amor que devotava a nossa Centenária Cidade. Sempre dizia que não pensaria em viver em outra terra. Adotou Garanhuns como seu berço natal. A cidade das Sete Colinas, é um pontificado de grandeza, onde  seu futuro é a visão do alto. Do Magano sempre virente, majestoso e altaneiro.

Faleceu no dia 6 de setembro de 1987. Não deixou filhos. A sua memória tem que ser lembrada com respeito pelos atributos morais de ter vivido como um garanhuense de alma e coração pontilhados dos mais nobres sentimentos.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador / Garanhuns, 19 de Setembro de 1987.

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