domingo, 16 de janeiro de 2022

Krisnhamurti


Dr. José Francisco de Souza*

Krisnhamurti considerado pelos iniciados como um grande instrutor; "nasceu em maio de 1895 no Sul da Índia, perto de Madras. Oitavo filho de uma família de brâmanes e recebeu este nome em  homenagem ao deus Krishna.  Natureza doce e espiritual de sua mãe contribuiu para logo cedo se revelasse um caráter meditativo, e como ele mesmo contou mais  tarde enquanto seus colegas de escola sonhavam ser um dia comerciante, "seu coração" se fechava a esta ideia porque  queria entrar no domínio espiritual.

Assim, antes que sua mãe morresse quando ainda não tinha seis anos, aprendeu com ela a busca espiritual que nunca mais esqueceria. Eis pois um menino, muito jovem, que aspira a "outra coisa" além da simples vida material. Natureza excepcional e naturalmente dirigida  para busca interior. nasceu com este dom desenvolvido com a ajuda da mãe, e já  aos seis anos firmemente consolidado. Por volta de 1904, quando Krisnhamurti e seu irmão mais novo, Nityananda, brincavam, um dos chefes da Sociedade Teosófica de Adyar se interessou por eles e  apresentou-os a Annie Besant, admirada com as qualidades das duas crianças, adotou-as e dirigiu seus estudos.

Em 1920 os dois foram mandados para Londres. Na mesma época os chefes da Sociedade Teosófica fundaram a Ordem da Estrela do Oriente, cuja finalidade era agrupar os espiritualistas do mundo inteiro na espera de um grande instrutor. Com 15 anos de idade, foi Krisnhamurti  declarado chefe da Ordem: Órgão de ligação era um impresso o jornal da Estrela destinado a transmitir conselhos aos milhares de membros dispersos por todo o mundo.

Foi nesta época que Krisnhamurti escreveu conforme os ensinamentos  recebidos do seu mestre. Mme Besant, num curto prefácio diz que essas páginas constituem a primeira oferta de Krisnhamurti ao mundo. Uma frase deste livrinho resume - uma parte do seu ensinamento futuro: "A superstição é um  dos maiores flagelos do mundo, um dos  entraves dos quais é preciso se libertar inteiramente". Isto foi escrito por um rapaz de 14 anos. Ainda como sinal do futuro educador, ele escreveu: "Aquele que esquece sua infância perdeu toda a simpatia pelas crianças nunca poderá instruí-las e ajudá-las". Foi também à mesma época, ainda criança, que Krisnhamurti  começou a falar em público. Suas conferências tornaram-se em pouco cada vez mais numerosas. Em 1911, com 16 anos, escreveu Krisnhamurti  o seu segundo livro. "O Serviço na Educação".

Estava em Londres, onde a aproximação da grande guerra criava um clima tenso. Consciente da responsabilidade individual de todo o ser, escreveu esta frase no seu livro: "um crime não deixa de  ser um crime porque é cometido por muitas pessoas". As palavras de Krisnhamurti não foram aquelas que seus tutores esperavam ouvir. Menino ainda já vivia num estado de revolta. Nada lhe satisfazia. Escutava, observava, procurava qualquer coisa além das ilusões das palavras.

A vigília no momento da ação convoca a mais límpida das elucidações do  conhecimento. O EU está sempre em movimento e nunca em repouso. É necessário ficarmos interessados em acompanhar seus movimentos. Essa mutação implica em sentirmos a plenitude sem esforço, nem conflitos. É muito importante a maneira de pensar sem coação dos desejos. Estes são fontes que alimentam o acúmulo de necessidades fictícias. O pensamento correto não tem divisão, entre o sujeito que pensa e o objeto pensado. É preciso que se saiba que o erro consiste em aceitar em vez de compreender. É superando os sistemas e as estruturas particulares ou de qualquer espécie, que poderemos atingir a liberdade.

Entendimento é sobretudo, ação. Apanhar intelectualmente uma ideia, ou um pensamento, não é entender o conteúdo de sua realidade. A vida é para ser vivida e não para ser imitada. Daí a busca de segurança no outro, e o meio de  fuga se impõe. A felicidade está em nós mesmos. Não é questão de escolha, de preferência particular do indivíduo, é  um estado natural de silêncio. Esse perene estado do Espírito vislumbra o panorama das belezas do eterno presente. É pois, uma das modalidades dos ensinamentos de Krisnhamurti, cujo desenlace ocorreu em dias do mês transato, nos Estados Unidos.

A linguagem do Mestre é diferente da linguagem dos "mercadores" da verdade". Suas palavras simples, comuns se  revestiam de significados próprios e especificamente renovadas. Imagens e figuras de pureza  lirial transportando os  seus ouvintes de todo o mundo às asas do  silêncio através do espaço do universo de  cada um de nós. Essa libertação revela que adiante dessa maravilha da vida, somos apenas indigentes espirituais.  Krisnhamurti tomou consciência de que não deveria conhecer o fim que busca a verdade, mas ser este fim. "Quando se procura a verdade, a gente traz o refluxo sobre o rosto. Quando se torna a verdade, a gente não a reflete mais. Ela irradia de modo integral toda a nossa personalidade.

*Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 19 de abril de 1986.

Créditos da foto: Anchieta Gueiros.

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