sábado, 1 de janeiro de 2022

Manoel Cipriano de Cruz

Grandes Vultos de Garanhuns -  Nasceu em um sítio de São João, então distrito da nossa Garanhuns. Logo cedo sentiu o impulso de renovação. Mudou de ambiente. Na cidade das Sete Colinas, hoje centenária, exercitou a sua profissão de relojoeiro.  O hábito de examinar o cronômetro aperfeiçoou a sublime faculdade de escutar. Homem circunspecto, falava pouco. Mesmo assim, o seu espírito desabrochava como um lírio à boa comunicação. Quando se  tinha a oportunidade de encontrar "Seu Manoel" era sempre voltado para o silêncio de seu mundo interior. A postura comportamental de Manoel Cipriano, como cidadão da comunidade era retilínea em todos os segmentos de suas atividades. Compenetrado, até certo ponto formalístico, cuja capacidade mental era um homem afeito ao que  determinava o bom entendimento.

Bom profissional criterioso e honesto. Sempre confiou no olho clínico de seu mister. Aprendeu a arte e seus negócios, e nunca duvidou de sua capacidade. Fora um cavalheiro digno de qualquer requinte social.

Em qualquer circunstância, seja qual fosse a condição social, seu comportamento era de um homem naturalmente educado. Esbelto, estatura regular, sempre bem vestido. Sua presença infundia confiança e respeito. Sabia se ater como um varão respeitável. Como elemento de sociedade religiosa era membro da Igreja Presbiteriana. Posição que conquistou pela sua conduta digna de qualquer postura no seu ambiente religioso. Como. Aceitou a Bíblia como regra de fé e prática a Cristo como seu único  e suficiente salvador. Assim não era dogmático intolerante. Era nosso amigo e admirador, em todas as difíceis circunstâncias da nossa vida, "Seu Cipriano" sempre teve uma palavrinha de conforto e confiança. Entre nós dominava o respeito mútuo.

Fazia parte do nosso corpo de jurados. Sabia julgar de acordo com os preceitos de sua consciência. Na tribuna do Júri sempre contamos com a sua atenção. Ouvia os debates e analisava ditado pela sabedoria do silêncio. Era uma garantia no julgamento de pessoa portadora do bom direito. Sentimos honrados com a sua participação  no Conselho de sentença.

Pai carinhoso de muitos filhos. Todos estudaram no Colégio XV de Novembro, hoje são pessoas de destaque no Magistério da nossa cidade, e se conduzem como herdeiros do espólio moral de seu genitor, Manoel Cipriano. Ele mesmo estudou no Colégio XV de novembro. Não sabemos o curso que ele fez. Contudo, tivemos a oportunidade de ouvir, Manoel Cipriano pregando no púlpito da Igreja Presbiteriana. Com a graça e a inspiração de Deus as suas palavras foram mensagens do Evangelho de Cristo.

Manoel Cipriano, sempre morou à Rua de XV de Novembro. Sempre foi um homem saudável. Compenetrado em todos os atos de sua formação submeteu-se a uma intervenção cirúrgica com certo êxito. Depois a doença começou a ficar de seu lado. Até que depois, começou a sentir-se impossibilitado de movimentar-se. Já na casa de saúde "Santa Terezinha" com a nossa família o visitamos. Terminou a sua missão com 91 anos de idade. Manoel Cipriano, foi um homem cuja memória deve ser lembrada como entidade humana que honrou sua geração.

*Dr. José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns  11 de junho de 1988.

RUA MANOEL CIPRIANO DA CRUZ

Lei Municipal nº 2.345/1988 - Denominou de Rua Manoel Cipriano da Cruz, à artéria paralela com a Rua Manoel Pessoal Juvenal e transversal com as ruas Padre Agobar Valença e Francisco Paes de Melo,  conhecida popularmente por Rua do Índio localizada no Bairro de Heliópolis.

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