sábado, 1 de janeiro de 2022

Mediunidade

(Foto: Anchieta Gueiros)

Dr. José Francisco de Souza*

O homem sentiu a importância de se identificar com o oculto por força do seu estado de consciência. É algo de psíquico em segredo. Há sempre possibilidade de constatar o seu segmento. Essa parcela é sentida como expressão vital. Sem contar com a sua  autoconscientização, inclinava-se atribuir aos outros. Depois desse estado primário começou a se autoanalisar. Algo se lhe despertou a vigilância. Esse apercebimento celebrava a faculdade específica da própria natureza humana. Potencial inerente ao sublime ministério do seu universo criativo.

O que é natural só permanece oculto enquanto domina a nossa ignorância. O autoconhecimento descobriu que dentro de nós existe uma cabedal de valores comunicativos, e a intuição possibilitou um novo passo à inteligência. Esse despertar criador tomou forma inconfundível daquilo que se chama pressentimento. E o homem tornou-se discípulo de si mesmo. Nessa  condição de discípulo o mestre sempre aparece. Daí o intercâmbio vibratório entre dois mundos. Então condiciona o desdobramento da personalidade. E as mensagens mediúnicas dão novas dimensões e mais  amplitude ao cordial Espírito de comunicação. A mediunidade é caridade saída do coração puro e desinteressado. É ato de caridade pela própria caridade.

"Kardec já havia esclarecido que os fatos espíritas são todos os tempos, uma vez que a mediunidade é uma condição natural da espécie humana". Mas é com Bozzano que temos a primeira penetração espírita no exame antropológico e sociológico do  homem primitivo, revelando-nos, com base em investigações científicas, as formas pré-históricas do fenômeno mediúnico". Aliás os estudos de Bozzano levam-nos mais longe, pois revelam também as origens mediúnicas da religião. Temos assim uma teoria espírita da gênese da crença na sobrevivência, que se apresenta como uma síntese das teorias opostas da  teologia e da sociologia".

Colaborando com a "Sociedade Garanhuense de  Espírita, casa "Bezerra de Menezes", na sua décima quarta Semana Espírita onde se estuda com seriedade e amor a doutrina dos Espíritos, o nosso intuito é  apenas dizermos algo sobre mediunidade, como se estivéssemos presentes ao auditório da seara. A temática é importante em todos os momentos, prova acima de  tudo de se retornar novos caminhos apontados pelos compromissos espirituais.

"O Espiritismo e o tempo" do festejado escritor e parapsicólogo - Herculano Pires, estudioso das Obras Codificadas", doutrina: "o horizonte primitivo" propriamente dito, o anímico e agrícola, em nosso esquema, reduzimos as duas primeiras normas a uma única: o horizonte tribal", que nos permite abranger numa visão geral o problema mediúnico do homem primitivo, e destacamos a terceira forma, dando-lhe autonomia. Isso porque o "horizonte agrícola" tem interesse especial no tocante à mediunidade. Assim, nosso esquema da fase pré-histórica do Espiritismo é o seguinte:  horizonte tribal, agrícola, civilizado e espiritual". Até o "horizonte profético" segundo Murphy. O horizonte espiritual é formulação nova exigida pelo Espiritismo como terceira revelação.

Continua o mestre Herculano: o horizonte tribal caracteriza-se pelo mediunismo primitivo. Adotamos a palavra "mediunismo", criada por Emmanuel para designar a mediunidade em sua expressão natural, pois é evidente que ela corresponde com precisão ao nosso objetivo. "Mediunismo são as práticas empíricas da mediunidade. Dessa maneira, temos as formas sucessivas do mediunismo primitivo, do mediunismo oracular e do mediunismo bíblico, só atingindo a mediunidade positiva no horizonte espiritual que surge como o Espírito. Somente com o espiritismo a mediunidade se define como condição natural da espécie humana. Recebe a designação precisa de "mediunidade" e passa a ser tratada de maneira racional e científica. A palavra "Espiritismo", criada por Allan Kardec, em 1857, e por ele bem explicada na introdução do "O Livro dos Espíritos", designa uma  doutrina por ele  elaborada, com base na análise dos  fenômenos mediúnicos e graças aos esclarecimentos que os Espíritos lhe forneceram, a respeito dos problemas da vida e da morte.

O médium depois de  obedecer as regras de suas provas, de acordo com seu  ministério, conquistará a felicidade sem exigir recompensa e não ser a caridade pela própria caridade.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador / Garanhuns, 13 de outubro de 1984.

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