domingo, 16 de janeiro de 2022

Miguel o caçador


Rocir Santiago*

Causos do Augustinho - Seu Miguel, antigo morador do Engenho de Inhumas, era solteirão, não tinha parentes, morava só num quartinho pegado ao secador de café. Trabalhava no engenho, limpando cana, sempre na empreitada, ia a hora que queria e voltava para fazer o almoço depois, pegava a espingarda soca tempero e embrenhava-se pelas matas, sempre atrás de caça, matava jacus, jurutis, sabiás e outros pássaros que havia na região. Miguel vestia uma roupa velha de um tecido chamado farinha com pólvora, um chapéu de palha de maneira que ficava camuflado, arremedava os jurutis usando a boca e muitas vezes não podia atirar por que elas sentavam no cano da espingarda. 

Certa vez estava Miguel, perto de Taquari arremedando juruti, acocorado dentro duma moita, chamando o juruti com o seu canto saudoso, quando se aproxima outro caçador, ouve o canto e pensando ser  a ave, abaixa-se e fica olhando quando vê dentro da moita uma coisa se mexendo, pensando que era uma das gordas, arma a espingarda, faz pontaria e tebei, atira, quando ouve o grito, quer me matar seu filho da peste. Tratava-se do Miguel que tinha levado o tiro na cara, por sorte a espingarda era fraca, pois o chumbo só furou a pele. Miguel passou uns 3 dias no hospital, logo voltou pra caçar suas jurutis.

*Jornalista, radialista e poeta.

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