quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Mosaico de Garanhuns


Lauro de Alemão Cysneiros | Garanhuns

Rememorar os idos de quase meio século de afastamento das luzes daquele sol que ornamentava a terra dos requintes daqueles flocos lunares que  engalanavam a vastidão celeste, e cultivar saudades no  esborcinado jardim de quem de saudades morre... Rebuscar a imagem desse passado que jamais se olvidia, e induzir reminiscências ao casarão sombrio de um coração que de reminiscências dificilmente... Recordar as fulgidas auroras daqueles tempos de longínqua data, é aprofundar a solidão fenece... Recapitular, finalmente, as memoráveis noites estrelejantes daqueles idos remotos, e adstringir a memória a abstração desse nada de cuja lembrança nunca mais esquece...

Em 27 de abril de 1942, em uma tarde nebulosa e fria, saltava eu na gare da Estação Ferroviária desta cidade, aonde vinha para exercer o cargo de Secretário da prefeitura local. Era esta situada, aquela época, em um antiguíssimo e inadequado casarão localizado em frente a agência dos correios quando me houvera pisar, pela primeira vez, os solo amado daquela Garanhuns do remoto passado... daquela Garanhuns de apenas meio século de emancipação política...  daquela verdadeira Garanhuns de Simôa Gomes, porque mais radicada a este plano de origem, quando mais vinculada aos seus contemporâneos em vida, porque mais adstrita aos seus primitivos construtores - enquanto, assim, mais provinciana, quão mais original se manifestava, erguida as primorosas fraldas do Magano, nessa considerável altitude de mais de  mil metros acima do nível do oceano.

E, dai, a minha primeira residência, na Rua São Miguel, nº 74, naquele inesquecível bairro da Boa Vista de antanho... daquela imperecível Boa Vista de Manoel Justino de Lima, João Leitão de Albuquerque, Professor Miguel de Oliveira, Manoel Sebastião dos Santos - e aonde não faltava ainda a agradável presença de Pedro Barbosa Frias e de João Alves Cordeiro, e tantas  outras boníssimas criaturas, afinal, que, hoje, dormem o sono da eternidade, a isolação funérea do Cemitério são Miguel, as adjacências daquele bairro.

Em síntese, um remanescente daqueles idos poderá confirmar a veracidade destas linhas. O dileto amigo, Acadêmico e jornalista Argemiro lima.

*Escritor, poeta e historiador / Ano 1978.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Concurso Câmara de Camaçari – BA com 50 vagas

O edital nº 01/2022 do aguardado concurso Câmara de Camaçari, no estado da Bahia, foi publicado e vai passar pela primeira retificação. De a...