domingo, 9 de janeiro de 2022

O antigo Chalé Verde da Avenida Santo Antônio


Jayme Luna*

O Chalé Verde, como era conhecida aquela bonita residência construída em fins do século passado ou princípios do atual - ninguém sabe ao certo - que era  localizado em área nobre da Avenida Santo Antônio, tinha essa denominação em virtude da cor verde da tinta a óleo com que  era pintada.

Edificado em plano elevado, com amplos alpendres, artísticos lambrequins, escadas laterais, jardim circundado por gradis, internamente bem dividido com uma bela arcada, o Chalé Verde constituía uma atração desde os tempos áureos da sua construção.

Todos os que por ali passavam tinham a sua atenção despertada pela imponência do edifício.

Não se sabe ao certo quem o construiu, mas  quem tem uma história a contar.

Diz-se que pertenceu ao Sr. João Prudêncio, um senhor de engenho da mata-sul que encantado pelo clima ameno desta terra por aqui demorou-se durante algum tempo. Em razão do assassinato em 1905, na cidade de Correntes, do seu esposo o Sr. Francisco Missano, D. Maria Missano, liquidou todos os seus negócios naquela cidade e mudou-se para Garanhuns, onde comprou o Chalé Verde e passou a residir com toda família, seus pais Sr. Raphael e D. Rachel Grossi, além dos seus irmãos Francisco (Chicó), Alice, Vicente e Victor Grossi.

Em 1911, por ocasião da visita que o General Dantas Barreto fez a Garanhuns em campanha eleitoral ao Governo do Estado, os coordenadores de sua candidatura nesta cidade, Srs. Joaquim Correia Brasil (genitor do prof. Luiz Correia Brasil, Sátiro Ivo da Silva, Dr. Souto Filho, (que seria o Oficial de Gabinete do Governador), João Tenório, José Burgos, Hemetério Souto, Cézar de Medeiros Cavalcanti e Joaquim Honorato, conseguiram de D. Maria Missano e cessão da linda residência para que ali se hospedassem o ilustre candidato e sua comitiva.

Em 1912, quando as Damas de Instrução Cristã decidiram se instalar em Garanhuns - velha aspiração do Mons. Afonso Pequeno, vigário da Paróquia desde 1908 - com a fundação do Colégio Santa Sofia, à frente as Madres Elizabete e Dominique, as primeiras Diretoras, o Chalé Verde, foi o prédio escolhido e onde o novo educandário passou a funcionar e  permaneceu durante o espaço de tempo indispensável à conclusão do moderno edifício em construção ao lado da então Matriz de Santo Antônio, hoje catedral.

Não tardou muito e já em 1915 com a fundação do Ginásio de Garanhuns pelo Cônego Benigno Lira, tendo como diretor o padre José Ferreira Antero, foi o Chalé Verde mais uma vez ocupado para tão importante missão, o que ocorreu até princípios de 1920, quando o Ginásio em  razão do seu conceito e prestígio precisou expandir-se o que fez com a aquisição de amplos prédios na chamada Rotunda, atual Praça da Bandeira.(hoje Praça Mons. Adelmar da Mota Valença).

Com a saída do Ginásio para outro lado o Hotel Familiar que funcionava defronte à Estação Ferroviária e de propriedade do Sr. Athur Ferreira, condutor de  trens da antiga Great Western, e de sua esposa D. Rackel Ferreira transferido para o Chalé Verde.

Passando o Hotel ao longo dos anos por vários proprietários, foi o prédio descaracterizado com a construção de apartamentos de cada lado e destinados a hóspedes, construção de uma espaçosa escada no centro e ainda lhe deram a denominação de Hotel Ciberia, isso mesmo, Ciberia com "C" de muito mau gosto diga-se de passagem.

Adquirido  pelo Banco Bradesco e em seguida demolido o vestuto casarão deixou de ser uma tradição da cidade e em seu lugar um prédio destinado à uma agência bancária  do importante estabelecimento de crédito.

Quando se esperava um edifício em grande estilo, isso não aconteceu, mas um prédio comum, sem reunir atributos de beleza e grandiosidade que a sua localização e o progresso da própria comuna estão a exigir.

Pelo menos, esta é a nossa opinião.

*Jornalista e historiador / Garanhuns, década de 1980.

Foto: Chalé Verde em 1905.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Marília é a esperança de dias melhores para os pernambucanos

Por Eudson Catão* Marília Arraes é a pessoa certa, na hora certa, para virar a página e tirar do poder um grupo que se encastelou no Governo...