sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Garanhuns comemora 143 anos de elevação à categoria de Cidade


Marcílio Reinaux*

Garanhuns comemora nesta sexta-feira (04) de fevereiro, cento e quarenta e três anos de elevação de Vila à Cidade, por projeto do deputado provincial Silvino Guilherme de Barros, o Barão de Nazaré. O documento histórico é o Decreto Provincial 1.309, de 4 de fevereiro de 1879.

Poucos meses antes no final do ano anterior O Barão de Nazaré havia estado em Garanhuns, à época, um pequeno vilarejo serrano, encravado e circundado de Colinas Verdejantes. "Lá tem fontes de água boa, de excelente qualidade". Teria dito o médico do Barão de Nazaré, que estava com problemas de saúde, acometido de complicações renais. Mais que uma informação, mas entendendo como recomendação médica, o Barão de Nazaré veio para a Vila de Garanhuns e ficou um tempo, com certeza bebendo muita água, caída das cascatas e riachos que brotavam das fontes cristalinas. Ao que se sabe, ficou curado e sentiu-se agradecido tanto pela boa acolhida e sobretudo pelos benefícios à sua saúde em decorrência do clima saudável.

Tanto assim que, ao regressar às suas atividades políticas no Recife, formulou aquele citado projeto, que aprovado elevou a "vila das águas cristalinas", à posição de Cidade, dos "Guarás e dos Anuns" (Garanhuns), a nossa sempre querida "terra de Simôa Gomes" ou como a chamamos em um poema: "A Enevoada Pérola Fugidia".  Um século e mais 43 anos, lá se vão desde aquela passagem do Barão de Nazaré (foto), que foi sumamente oportuna e de grande importância histórica e política para Garanhuns. 

Nascido em 10 de fevereiro de 1834 na cidade do Cabo, Pernambuco, Silvino Guilherme de Barros, que tomou o sobrenome da mãe: dona Mariana Teresa de Barros e não o do pai e Advogado João Batista de Araújo, foi  importante comerciante de "Secos & Molhados" na cidade do Recife. Foi também militar, chegando à patente de Coronel da Guarda Nacional (quando reformado). Mas seu perfil biográfico registra destaques importantes como político eleito Deputado Provincial, exercendo profícua atuação durante três mandatos seguidos, pelo Partido Liberal. Figura respeitada em todos os locais, possuía vários títulos, destacando-se o de Comendador da Imperial Ordem da Rosa.

Nós os historiadores lembramos que dentre tantas definições, "A História é êmula do tempo e repositório de fatos", é uma daquelas afirmações, que bem se aplica à essa visão dos pretéritos de Garanhuns, desde aquele nascedouro batismal de cidade com o gesto do Barão de Nazaré. Mas é também uma emulação dos fatos, quando em fevereiro de 1892, ou seja 27 anos depois. Do Decreto Província, Garanhuns veio a  ter o seu primeiro prefeito autônomo, O Major Antônio da Silva Souto. A partir de então a história do  Município serrano vem sendo escrito e pontilhado com um elenco de fatos políticos e sociais - alguns destacados outros desapercebidos - mas que juntos  formaram e têm formado, um repositório rico em todos os aspectos das suas tradições principalmente aquelas hospitaleiras. Dir-se-ia, que Garanhuns exercita  há muito, a "Arte de Bem Receber". A sua história conta. 

Há de se recordar que nos preâmbulos da sua antecedência histórica, algo em torno de dois séculos antes, paralelamente às guerrilhas dos escravos "Quilombolas", tropas já haviam se instalado por estas colinas verdejantes, nas demarcações da Sesmaria dos Burgos de Nossa Senhora do Desterro. A sede da Capitania fora na Fazenda do Garcia e posteriormente adquirida pelo Tenente-Coronel Manoel Ferreira de Azevedo, este marido de Simôa Gomes de Azevedo, neta de Domingos Jorge Velho. Simôa, a "matriarca" de Garanhuns cujo nome é reverenciado na transitoriedade histórica desta nossa querida terra.

Neste período de  um século e mais quatro décadas, Garanhuns registra momentos especiais no elenco dos fatos, com a marca e  a poeira do tempo, relacionados ao seu progresso, crescimento e o advento de grandes melhorias, tanto da terra e para a terra, como dos administradores do povo, aqueles chamados hoje  de Gestores da Administração Pública Municipal. É bem de ver, assim conta a história: uns de gestões anêmicas e ou quase passageiras, sem deixar nelas, traços marcantes da sua transitoriedade. Outros, mais afortunados e  bafejados pela sorte, ou até mesmo que se mostraram mais diligentes e mais capazes, deixaram marcas do talento político, da capacidade gerencial e da competência de administrar a "Coisa Pública". 

Olhando um pouco períodos mais recentes, aqueles desta nossa existência, lembramos alguns nomes de Prefeitos que fizeram história e deixaram marcas. Da nossa memória, guardamos nomes de alguns: Celso Galvão, (amigo de meu pai Antônio Reinaux). O registro também de Euclides Dourado, de Luiz Souto Dourado, de Francisco Figueira e de épocas mais recentes o estimado Amílcar da Mota Valença, este por dois mandatos (separados por dez anos). Um registro especial ao estimado amigo de sempre e Prefeito de todos nós: Ivo Tinô do Amaral, igualmente Chefe do Executivo de Garanhuns por duas gestões (separadas por quatro anos). Sem exagero estes gerando a Administração Pública Municipal, com aqueles atributos aos quais nos  referimos, merecem aquela página na Galeria de Honra dos Homens Públicos de Garanhuns. Aqueles das lições de competência e habilidade política. Deles temos uma herança muito rica, na construção de dias vindouros, com alicerces findados.

À todos, à nossa sempre amada, nunca esquecida, parabéns Garanhuns neste dia.

*Advogado, jornalista, professor, escritor, historiador e pintor.

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