sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

O cabo eleitoral de antigamente

A presença do "cabo eleitoral", ou "de eleitor", está ligado às eleições, desde os  tempos do Brasil.

Até hoje, nenhum candidato a cargo eletivo, desde vereador ao mais importante, deixou de ter seu "cabo eleitoral". São homens ou mulheres que se dedicam à tarefa de conseguir votos "para o doutor". Denotando uma certa importância, apresenta-se prestigiando, pronto para resolver qualquer problema. "Deixe que este galho eu quebro, vou falar com o doutor". Conduz uma pasta, um lápis e um caderno, onde está as "reivindicações"  dos  eleitores: Uma bolsa escolar; um porte de arma. A nomeação de uma filha professora; um trabalho para o filho mais velho, são os pedidos que recebe e promete que vai arranjar. "Fique descansado, o doutor vai amanhã prá capital e eu dou a ele tudo anotado". Quando vai falar com o candidato, o faz sempre à noite. É psicológico, é uma hora em que ele atende melhor, tem mais tempo para o ouvir. Na rua, quando o encontra, convida para "um particular". Dá assim aos que observam, uma demonstração de "prestígio". Comparece aos comícios, distribui os panfletos de propaganda, e consegue "um dinheirinho": É para comprar sapatos e roupas para uns eleitores; votos certos, doutor, é porteira fechada". O seu trabalho geralmente começa seis meses antes das eleições e só termina depois da apuração dos votos, que ele ajuda a fiscalizar. Se os  resultados não são favoráveis, tem duas formas de se desculpar: "O doutor não gastou nem mil cruzeiros". "Traição, doutor, traição, o senhor sabe como é o voto secreto".

Os candidatos de Garanhuns sempre contaram com seus cabos eleitorais, alguns que ficaram famosos pela  sua dedicação, envolvendo-se até em brigas ocasionais. Outros, 'cansados de serem  escadas para grandes subirem", resolveram também serem candidatos.

Um cidadão desta cidade,  fazia parte de fileira política do Dr. Souto Filho. Certo dia, não aguentou mais e explodiu: "Soutinho, um homem de bem como eu, não  pode fazer parte de um partido político, onde tem um Antônio ?. De hoje em diante não conte mais comigo". Calmo, Souto Filho pergunto: "Se eu mandar você sujar uma calçada de um adversário, você vai?" Não! Respondeu-lhe o amigo dissidente. "Antônio ?, vai, portanto, você veja que eu preciso dele".

Discordamos, de que todos os cabos eleitorais, tenham a personalidade daquele que trabalhava para Souto Filho; conhecemos diversos que  prestaram e ainda prestam bons serviços aos seus amigos candidatos.

É assim, a figura popular do cabo eleitoral.

*Nelson Paes de Macedo / Escritor, cronista e historiador / Garanhuns, 29 de Maio de 1976.

Foto: Dr. Souto Filho.

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