segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

O Casarão

Adelmar Tavares de Lira*

Garanhuns!

Caminho pela Rua do Recife

Em passos repletos de memória,

Revivendo infância e puberdade.

Sinto a névoa úmida da saudade

Cobrindo casas e paisagens.

Piso calçadas de muitos caminhantes,

A reconstituir fatos de outrora:

Ainda é a mesma arquitetura,

Que preserva o amor ao belo,

Nas antigas e aconchegantes formas

Que às flores se misturam

Estendendo amplo lençol bordado

Na expressão de um tomantismo impar,

Onde um beiral rendado

Faz o colarinho arquitetônico da casa,

Que se impõe, mesmo isolada,

Entre formas avançadas e frias

Que subjugam o homem ao espaço,

No duelo entre o tijolo e a vida.

Com fisionomia repousante

A velha casa abre os braços

E num piscar de janelas

Deixa enamorado o viandante.

Garanhuns, 19 de Janeiro de 1980.

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