sexta-feira, 15 de julho de 2022

O fig veio pedir a bênção

Por Gerson Lima*

No silêncio de uma noite, por esses dias de julho frio, e de chuvas finas, o FIG trola o isolamento social e bate à porta do seu criador. Em casa, envolvido em memoráveis lembranças, Ivo Amaral (foto) saboreia sem pressa seus oitenta e tantos anos de alegrias e vitórias. Mas levanta-se e abre a porta como sempre abriu para quem quisesse entrar em sua casa. Dá de cara com a sua criação. O FIG curva-se em respeito ao seu criador. Lhe estende a mão direita e solenemente balbucia como numa prece: Vim lhe pedir a bênção. Deus lhe abençoe, responde Ivo como assim faz com todos os demais filhos. Como você cresceu, meu rapaz! 30 anos se passaram. Criador e criatura, ali, na frente um do outro sem cerimônia, debulhando histórias e ciúmes de pai para filho e vice versa. Há trinta anos Ivo Amaral já exercia a exímia arte de ouvir. Habilidade de políticos de alto nível. Era seu primeiro mandato como prefeito de Garanhuns e Marcílio Lins Reinaux havia lhe deixado uma ideia estapafúrdia de se criar um festival de artes em pleno mês de julho, de céu de chumbo e chuvas frias em Garanhuns. Estapafúrdia?? Não. Assim seria para quem não vislumbrasse um futuro bom para Garanhuns. Quem não tivesse nas veias a arte de enxergar longe. Ivo tinha. Descansou a ideia com cuidado por sobre a mesa de trabalho, mas sem perde-la de vista por um ou dois anos. Um dia reuniu sua tropa de elite e deu o comando. Já era sua segunda gestão como prefeito, numa época de governo de parcos recursos, cidade se urbanizando rápido, avolumando-se as necessidades do dia a dia, e tudo centrado em prioridades e ousadias. Montou uma comissão, mas ficou à frente de tudo. Por isso é justo dizer que esse Festival de Inverno tem pele e osso de Ivo Amaral. O menino foi gestado assim, no atrevimento inconteste do seu criador. O FIG cresceu rodopiando os fundos do Centro Cultural, mas já doido pra correr mais adiante e ganhar a hoje Praça de Eventos. Não adianta, ia ser maior de todo jeito, porque já tinha nascido grande. Durante sua infância e adolescência Ivo Amaral cuidou bem de sua cria já mostrando para todos que se tratava de mais uma dádiva preciosa para Garanhuns e seu povo.

30 anos se passaram, meu rapaz. No Festival de Inverno, de garoa, chuvas, frio e belezas do inverno eu saio de casa. Você sai, todos saem e outros chegam... Foi Ivo Amaral quem inventou isso. Há uma celebração da vida nas igrejas, quando a música eleva as almas aconchegadas nos acordes do erudito. O coração da cidade pulsa no Maracatu, imita-se a vida no palco Alfredo Leite Cavalcanti, O parque dos Eucaliptos se embala no Rock Pop e no Forró. No Pau Pombo há solos engolidos por todos os vegetais vivos do lugar e na Praça Mestre Dominguinhos se debruça um mar de gente bebendo mais música. Difícil achar um centímetro do perímetro mais urbano da cidade que não respire artes nesse período.

Você cresceu, meu rapaz! Levantou a auto estima de um povo, nos embriaga de orgulho e será imbatível em qualquer coisa que tente lhe superar. Carrega ainda o sentido mais técnico dos eventos de envergadura, como a geração de trabalho e renda, olhar político dos governantes de plantão, a cadeia produtiva em toda a sua extensão e o aquecimento da economia local que todos os anos bate recorde. Se está entristecido com esse isolamento social por conta da pandemia, sei que também é do povo fervilhando nas ruas que você sente saudade. Vai passar! Tudo passa como os anos que lhe fizeram a majestade dos eventos e será duradouro seu reinado.

Ivo Amaral contempla sua criação completando 30 anos. E há muito mais de 30 anos Garanhuns contempla Ivo Amaral na maior referência viva de nossa história política. Ivo abençoa o FIG assim como Deus abençoa os dois. Nesse momento difícil de perdas e medos, nada mais confiante do que a serenidade do criador do FIG, resistente e confiante a nos garantir: Vai passar!  Pelo jeito a única coisa que jamais vai passar, é a possibilidade de ter de novo a partir do ano que vem e anos vindouros, o nosso FIG com a sua beleza, a sua efervescência, seu burburinho, sua leveza e claro, o eterno consentimento de seu criador Ivo Amaral.

*Jornalista, cronista, radialista e publicitário.

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