sábado, 1 de janeiro de 2022

Orelhas do livro "O céu existe. Entre sete colinas. Garanhuns é de lá." de Ronildo Maia Leite

Luzinette Laporte de Carvalho (foto)* 

Não é fácil dizer algo sobre o que Ronildo escreve: ele diz tudo e nos deixa sem palavras. Por outro lado, é muito, muito fácil. Ele nos dá as deixas.

Sua prosa é poesia.

Falando de Garanhuns, Ronildo Maia Leite se faz sonhoso, enamorado, fascinado. A criança que carrega na alma se foi transformando em homem sem perder sua  natureza de infância.

Ele não se deixou esclerosar ao longo das trilhas que  enveredou. Lutou e luta. Não se deixa vencer. E eis que brotam do seu coração, fontes puras - as águas de Garanhuns - que nos dizem canções de ninar e de gesta. Flores de todas as cores e formas e perfumes e brados de  protesto e de revolta. Sonhos de justiça. Utopia? Eu diria  realidade viva, pois ele não se aliena em apenas terras de sonhos e flores.

Ronildo nos indica "a região do lago encantado, a terra onde nunca se morre." Visão beatífica do negro que conheceu "os homens brancos, bichinho ruim da peste aqueles brancos, que chegaram com  a morrinha, matando índios e surrando escravos."

A ternura que brota do coração de Ronildo Maia  Leite por Garanhuns tem raízes centenárias, profundas, de sangue e vida as quais, subterrâneas que são, foram se alastrando até o Recife. Mas, mesmo lá, ele bebe as  águas de Garanhuns, sua terra, seu grande amor telúrico - que de tão grande dá até para dividir fraternalmente com Recife - sua visão de amor e fé.

Ele toma nas mãos todas as flores - de todas as cores, formas, tamanhos e perfumes - e vai diante do São José do Colégio Diocesano (com monsenhor Adelmar ao  lado) oferecê-las. Depois, outra braçada de avencas e folhagens, lá se vai ele ao Magano para, diante do "mais emocionante pôr-do-sol da face da terra", depor aos pês do Cristo, que  "faz que não vê ( a maldade dos homens), perdoar que sabe."

Tece de amor e beleza a história de Garanhuns, porque de amor e beleza é feito o coração desse garanhuenses que se radica e arraiga a tudo que é Garanhuns, ignorando tempo e espaço.

De amor, beleza e, como ele mesmo o diz: "de fel e de mel".

Garanhuns, julho de 1991.

*Professora e escritora.

*Ilustrações de Sérgio Lemos - Tiragem limitada 500 exemplares, numerados e assinados pelo autor e pelo editor.

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