quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Os Henderlite na obra educacional do Colégio Quinze de Novembro

A obra sonhada pelos Butler e iniciada pelos Oliveira (Reverendo Martinho de Oliveira e sua esposa Dona Maria), haveria de seguir pelas mãos de terceiros, continuadores que chegariam, também com denodado entusiasmo. Resolveram continuar o trabalho, o casal de missionários Dr. George e Dona Martha Henderlite. Cedo entenderam a importância da continuação da obra educacional do Colégio Quinze de Novembro, na época instalado na Rua Dantas Barreto. Não mais a pequenina escola paroquial, agora um colégio organizado. Para que a obra educacional continuasse, os Henderlite chamaram para ajudar no trabalho do magistério três ex-alunos do próprio colégio dos primeiros anos.  Foram nomes que cresceram no Evangelismo Presbiteriano em Pernambuco e no Brasil e que se agregaram à História do Colégio Quinze. O Reverendo Jerônimo Gueiros, foi um deles, sequenciado pela culta professora Cecília Rodrigues e pelo professor Soriano Furtado. Estes foram nomes importantes, cada um dando a sua imprescindível contribuição para o trabalho, orientados e dirigidos pelo Dr. George Henderlite.

Há alguns anos passados comemorou-se o Centenário do nascimento do professor  Jerônimo Gueiros (30.09.1980) que foi com toda a certeza uma coluna mestra nos primeiros anos de consolidação do trabalho do Colégio Quinze. Professor emérito, pastor dos mais destacados do presbiterianismo nacional, Jerônimo Gueiros lecionou por  longos anos no Colégio Quinze, deixando a marca do seu trabalho e do seu valor como mestre. Sobre ele, carece muito espaço aqui para que se fale desta vida dedicada ao Senhor e o que ele fez pelo Quinze e pelo Evangelho.

O segundo personagem importante nesse contexto, foi a professora Cecília Rodrigues, que haveria de casar com o pastor Cícero Siqueira. Pelos idos mais recentes de 1967, Ann Farr Pipkin, que era Presidente da Comissão de Publicações da Missão Presbiteriana, sediada no Recife, convidou Juracy Fialho Viana a escrever uma biografia sobre dona Cecília Rodrigues. Em 1970 veio a lume o livro intitulado "Cecília", publicado pela Editora Betânia, Minas Gerais, no qual a autora traz importantes informações biográficas da professora Cecília Rodrigues, uma das mais tradicionais figuras da História do Quinze.

Jessisai Vitalino, um dos mais entusiastas ex-alunos do Colégio Quinze, advogado militando no Recife: "Quem se dedicar a escrever a História do Quinze, não poderá deixar de lado capítulo especial para dona Cecília Rodrigues, a dileta professora". Dona Cecília havia nascido na Paraíba, no ano de 1885. A menina Cecília conhecera o "galego" Missionário Dr. George Henderlite, numa pregação que o estrangeiro fora fazer na cidadezinha de Lucena, na Paraíba, quando assobios e apupos quase interrompiam o pregador, que terminou molhado com um banho de um balde d'água, jogado por um atrevido  carola. "Ali os olhos de Cecília brilharam de curiosa expectativa", conta-nos Juracy Viana em seu livro. Dona Cecília chegara a Garanhuns em 1908 para iniciar o seu trabalho de magistério, após ter estudado em Natal com o Reverendo Willian Calvin Porter e depois de ter aceito da professora Miss Read para estudar na Escola Americana do Recife, que viria a se chamar Colégio Agnes Erkine.

Somente o surgimento da peste bubônica surgida em Garanhuns faria Dona Cecília sair da cidade, assim mesmo atendendo a insistente pedidos do médico Dr. Butler para que fosse para Canhotinho. Foi e lá fundou uma escola. Mas isso é outra história grandiosa de Dona Cecília Rodrigues de Siqueira. Dona Cecília Rodrigues foi tida como a mais preciosa pérola do ensino em Garanhuns. De incidentes surgidos com padres que acusavam a  professora de lecionar com a "vara", saiu-se muitíssimo bem. Tinha como lema: a vara na mão e o amor no coração, comportamento este que ajudava a alcançar a mente e a alma dos seus pequeninos rebeldes.

O professor Soriano Furtado, foi  outra destacada figura do magistério do Colégio Quinze, nos idos da direção do Missionário George Henderlite. O ano era 1908. Por esse tempo alguns alunos foram personagens importantes em Garanhuns. Vale lembrar os nomes de: Leopoldina Malta, Jerônimo Gueiros (depois professor), Antônio Gueiros, Manoel Ramiro, Soriano Furtado (depois professor), Antônio Almeida (médico e pastor renomado).  Mota Sobrinho, Alfredo Ferreira, Benjamim Marinho, Luísa Vilela. Às citações de Brasiliense Maia, Alfredo Leite acrescenta alguns nomes como os de: José Martins, Cícero Siqueira, Natanael Cortez, Antônio Vitalino, Antônio Montenegro, Sebastião Gomes, João Gadelha, Antônio Teixeira Gueiros, Elpídio Branco e muitos outros daquela época da direção dos Henderlite.

É verdade dizer que os Henderlite lutaram com muitas dificuldades  para levaram avante o trabalho deixado pelo pastor e professor Martinho de Oliveira, ficaram na direção do Colégio até o ano de 1910.

Findara-se a primeira década deste século. As primeiras dificuldades pareciam terem sido suplantadas. O Colégio completara seu primeiro decênio, desde a  fundação da pequenina Escola Paroquial. O início da segunda década, em Garanhuns agora era marcada com a participação de um outro casal de missionários que assumiria o trabalho dos Henderlite. Eram  os Thompson. Dr. George Henderlite continuaria seu trabalho secundado pelos Thompson. Ainda os Henderlite ficariam muitos anos em Garanhuns atrelados à  vida do Colégio e das pessoas. Assim que em 1917, ainda lá o Dr. Henderlite teve o privilégio de oficiar o ato religioso de dona Cecília Rodrigues, com o pastor Cícero Siqueira, a quem ela conhecera em Canhotinho na casa dos Butler. O Juiz colega da professora Cecília, Dr. Soriano Furtado faria também o casamento civil. A cerimônia deu-se na residência da professora, antes do Agnes e agora do Quinze, Miss Eliza Reed, aqui mesmo em Garanhuns. Mas voltemos aos Thompson. A eles o novo encargo da continuação da obra educacional do Colégio Quinze.

*Marcílio Reinaux / Jornalista, escritor, advogado, pintor e historiador / Recife, 27 de Julho de 1985.

Foto: Ann Farr Pipkin / Créditos da foto: Blog Terra do Magano.

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