quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Os Souto Maior

O escritor Alberto da Silva Rêgo, descendente em linha direta do bandeirante Domingos Jorge Velho, adverte-me: "No tomo IV da Cronologia Pernambucana, Nelson Barbalho fala de Gabriel de Brito Cação, "o verdadeiro descobridor dos Garanhuns", página 47/48, e, na página seguinte, de um dos descendentes: Martins de Sá Souto Maior. Há muita gente da sua parentela que deve ter andado pelos "Unhanhuns".

O célebre historiador Alfredo Leite Cavalcanti (História de Garanhuns", página 134, capítulo "Juízes Ordinários") comenta: "Durante o segundo período que terminou com a instalação da Vila de Santo Antônio de Garanhuns, em 13 de dezembro de 1813, foram Juízes Ordinários os cidadãos Antônio da Silva Portugal, José de Moura Brechado, Veríssimo Caetano de Amorim, Matias da Costa Soares, Antônio Bezerra de Vasconcelos, Domingos da Cunha Ferreira Souto Maior e Leandro Bezerra Cavalcanti."

Todos estes Souto Maior que em séculos passados fixaram-se em Garanhuns foram descendentes do Capitão-General João da Cunha Souto Maior, segundo relata Nelson Barbalho, capítulo 693, página 65, em sua Cronologia Pernambucana. "Como 11º Capitão-General governador nomeado por EL-REI, aos 13 de maio de 1685, toma posse do governo da Capitania de Pernambuco o fidalgo João da Cunha Souto Maior, português de Viana, comendador de S. Mamede de Trevisco na Ordem de Cristo." Este ancestral foi contratante dos serviços do sertanista Domingos Jorge Velho, de São Paulo, para desbravar as terras que vieram a constituir-se povoado de Garanhuns. Um dos seus filhos formou uma fazenda de gado cuja sede localizava-se onde hoje está implantado o Obelisco da Boa Vista no morro que fica detrás da Igreja da paróquia do mesmo nome.

Segundo o historiador Armando Souto Maior, pró-reitor da Universidade Federal de Pernambuco, os Souto Maior constituem uma família milenar originada da Península Ibérica - Espanha e Portugal -, onde seus membros assinavam-se primeiramente como Sotto-Mayor, Sottomayor, e Souto Mayor.

No tomo III - História-Geográfica - do Dicionário Prático Ilustrado, editado por Lello & Irmão, 144 - Rua das Carmelitas, da cidade do Porto, Portugal, página 1893, encontrei o seguinte  verbete: "Souto Maior (Caetano José da Silva), o Camões do Rossio, poeta português, nascido em Olivença, que foi amigo de Dom João V, e ao mesmo tempo homem de probidade e finura. O rei apreciava-lhe os ditos, os conselhos, e a honradez do corregedor do bairro do Rossio. Nasceu no ano de 1694 e morreu moço aos 43 anos de idade, em 1737."

Sessenta anos depois ("in" Alfredo Leite Cavalcanti, "História de Garanhuns' página 80/81) "em 22 de junho de 1797, o capitão Francisco Rodrigues de Melo desmembrou do território de sua fazenda as terras que já constituíam o Sítio Novo e as vendeu ao capitão Domingos da Cunha Ferreira Souto Maior", que em 13 de dezembro de 1813 foi designado Juiz Ordinário da Vila de Santo Antônio de Garanhuns.

Revendo esta notas históricas da família pergunto-me como garanhuense assumido e de coração, qual a relação existente entre os descendentes dos Souto Maior, de Garanhuns, e os do clã do Coronel Antônio da Silva Souto, pois, naquelas distantes épocas, os registros cartoriais não eram precisos, e, segundo testemunho de importantes historiadores, muitas vezes abolia-se parte do sobrenome da pessoa civilmente registrada. 

*Rinaldo Souto Maior / Jornalista e historiador / São Paulo, 06 de outubro de 1984.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prêmio Lucilo Ávila Pessoa de Educação premiará experiência pedagógica criativa

Parte da programação do XVIII Congresso Internacional de Tecnologia na Educação, premiação está com inscrições abertas Com o objetivo de amp...