sábado, 8 de janeiro de 2022

Padre Adelmar assume a direção do Colégio Diocesano de Garanhuns

Às 9 horas da manhã de 24 de fevereiro de 1938, abre-se a página mais extensa e expressiva da história do Colégio Diocesano de Garanhuns: o ainda Padre Adelmar da Mota Valença assume a direção e imprime, a partir daí, a marca e estilo de uma personalidade singular - como educador, ministro da Igreja e disciplinador. Daí por diante, há quase uma fusão - Colégio/Padre Padre/Colégio, como se fossem indivisíveis, pelo menos na concepção da maioria dos seus ex-alunos. Ele já vinha respondendo pela direção desde 5 de fevereiro do mesmo ano (1938), tendo em vista a  ausência do então diretor, o Padre Antonio Constantino Carneiro, que se foi para não mais voltar.

No Salão Nobre do Colégio, presentes as autoridades constituídas e todo corpo docente, o Exmo. Sr. Vigário Capitular (substituto legal do Bispo), Mons. José de Anchieta Callou comunica que nomeara o Padre Adelmar para a direção do Ginásio M. D. de Garanhuns.

Declarando-o empossado, entrega-lhe, após a leitura, o seguinte documento:

"Eu, Mons. José de Anchieta Callou, Vigário Capitular da Diocese de Garanhuns, reconhecendo a grande urgência de prover a Diretoria do Ginásio Diocesano, vaga pelo abandono do Revmo. Diretor nomeado pelo Exmo. Sr. Bispo, D. Manoel Antonio de Paiva, de santa memória, e mantido na vacância, resolvo nomear o Revmo. Pe. Adelmar da Mota Valença para Diretor do Ginásio Diocesano de Garanhuns, com o ordenado do antecessor (quinhentos mil reis mensais no período letivo). Em virtude das vantagens de firmeza e segurança na vida econômica e parte comercial do estabelecimento e considerando a máxima economia necessária ao equilíbrio do Colégio, resolve:

1º) Autorizar o Diretor a ocupara economia do Seminário, em perfeito acordo com o zeloso e mui digno Reitor, Pe. Pedro Magno de Godoy.

2º) Autorizar a reorganizar o corpo docente, entrando em entendimento com as professoras e contratando os que forem necessários.

3º) Autorizar a levantar a escrita do Ginásio e do Seminário.

4º) Conceder-lhe 20% sobre os lucros do ano de 1938, pedindo a quem me suceder no Governo da Diocese ou ao Exmo. Sr. Bispo Diocesano, dar como valiosa esta disposição que julguei necessário à vida mesma  do Educandário.

5º) Reservar ao Governo da Diocese o direito de tomada de contas, confirmação dos professores e interferência quando a Congregação, o Reitor do Seminário ou mesmo o Diretor julgarem necessária.

Garanhuns, 24 de fevereiro de 1938.

Mons. José de Anchieta Callou, Vigário Capitular".

O novo diretor adota, incontinenti, os Livros de Tombo, para registro de todos os fatos e atos da vida do Colégio. Do seu próprio punho, está assim redigida a abertura do 1º Livro:

"Termo de abertura: servirá este livro para nele se anotarem  todos os fatos principais passados no Gymnasio de Garanhuns, a começar do dia 1º de janeiro de 1938. Em um dia oportuno do corrente ano, dever-se-á escrever nele, também, um histórico resumido da vida do Gymnasio, desde a sua fundação, uma vez que, infelizmente, este estabelecimento não possui nenhum livro de Tombo anterior a 1938. Contém este livro cem (100) folhas e vão todas elas rubricadas com a minha assinatura.

Gymnasio de Garanhuns, 24 de fevereiro de 1938. Padre Adelmar da Mota Valença".

Fonte: Livro  "O Diocesano de Garanhuns e Monsenhor Adelmar de Corpo e Alma" do escritor Manoel Neto Teixeira.

Foto: Monsenhores Adelmar da Mota Valença (direita) e José de Anchieta Callou.

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