quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Portugueses na política de Garanhuns


Jayme Luna*

Em tempos já distantes, cidadãos portugueses, tiveram destacada atuação na política de Garanhuns.

Eram esses senhores, figuras das mais respeitáveis do comércio e da sociedade local.

Faziam política com elevado espírito público, defendendo com abnegação os interesses do nosso Município.

Exerciam os mandatos de Conselheiros Municipais - os vereadores dos nossos dias - garantindo sempre as suas reeleições com votações expressivas, sem sequer serem naturalizados.

Dentre os mesmos, vamos citar o Cel. Victorino Alves Monteiro, dono da "A Atractiva" a maior e mais completa loja de tecidos finos e modas da cidade e proprietário rural; Felipe Nery Guimarães, proprietário da "Luzitana", estabelecimento de primeira ordem no ramo de estivas, armazém de cereais e mais tarde agente Ford; Cel. Manuel Bento Dantas, proprietário do "Armazém da Onça", localizado à rua Dantas Barreto, esquina com a rua 7 de Setembro, com enchimento de aguardente, álcool, sal e açúcar.

Não existiam ainda por aqui os meetings ou comícios, o corpo-a-corpo nas calçadas do centro, mas era frequente a cabala, a conversa ao pé-de-ouvido e outros tipos de convencimento do eleitorado.

A política apresentava as suas nuanças, surgiam divergências, mas todos se entendiam e trabalhavam em coexistência pacífica.

Em 1928, era prefeito o Cel. Euclides Dourado, ano de eleições municipais, teve que renunciar desincompatibilizando-se assim para concorrer e ser eleito como subprefeito na chapa com o Dr. Souto Filho, como prefeito.

Não havia o cargo de vice-prefeito, como atualmente, mas  o de subprefeito e o período de administração era de apenas 3 anos. (um triênio).

O português Manuel Bento Dantas, como presidente do Conselho Municipal e na qualidade de substituto legal assumiu a prefeitura e nos dois meses em  que esteve à frente da edilidade se houve com razoável desempenho.

Era comum vê-lo percorrendo as obras em execução.

E a 15 de novembro daquele ano, toma posse como prefeito o Dr. Souto Filho, que ficou pouco tempo no cargo, renunciando e elegendo-se em seguida deputado federal.

Assume novamente como titular o Cel. Euclides Dourado, que ficou nas funções de prefeito até a eclosão do movimento revolucionário de 1930.

Pelo visto, chega-se à conclusão de  que os cidadãos portugueses, cuja Colônia no passado era mais numerosa do que hoje, sem necessitarem de Decretos ou Leis que lhes facultassem o direito do voto, tiveram a sua participação na política deste Município.

Em Garanhuns foi assim.

*Jornalista e historiador / Jornal "O Monitor / Garanhuns,  22 de outubro de 1988.

Foto: Cel. Euclides Dourado e aliados políticos em 1927. Créditos da foto: Blog do Iba Mendes.

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