sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Prefácio do Livro "Monólogo Magano - Um Poema a Garanhuns" de Osman Holanda

GARANHUNS, A NOVA MUSA DE OSMAN

Manoel Neto Teixeira*

A poesia, arte de falar e escrever em versos, é o caminho palmilhado pelo acadêmico e escritor Osman  Holanda para proclamar a paisagem garanhuense, os encantos de suas colinas e monumentos, conferindo atenção especial ao Magano, onde a brisa e a garoa batem mais forte e de onde o por do sol se projeta qual poema repleto de beleza e mistério, aos olhos e ao sentir do visitante.

Canal sem começo e sem final, por onde o autor faz escoar/represar o seu sentimento das coisas e do  mundo, como diria Drummond. Sim, é a arte poética que  escancara todas as portas para quem dela lança mão e  percorre ao mesmo tempo caminhos diversos na  construção do poema e na (des)construção das circunstâncias que fazem o cotidiano dos homens e mulheres, repleto de alegrias e não raro de tristezas.

Osman Holanda, neste poema, capta um pouco de  tudo isso ao exaltar a beleza da terra amada mas sem  esquecer os embates da realidade  circundante, nem mesmo os maus políticos que tanta mácula projetam para desencanto dos que sonham e lutam para uma sociedade mais justa e equilibrada. Observa e registra com engenho e arte o vaivém da sociedade.


A arte de se expressar em versos é privilégio de uns poucos. Sim, porque o poema, no dizer de Luzilá Gonçalves, é "essa coisa feita de vocábulos e de sombras, nunca diz que chegamos. Diz somente que estamos perto". A sombra significa a viagem interior do poeta, levando-o, pelos laços do sentimento, a por no papel as vibrações da alma, os encantos/desencantos das suas circunstâncias.

Os poemas são ilustrados com imagens que de certa forma projetam a própria visão do autor, as formas de  beleza que transfiguram as colinas e monumentos da  cidade fonte de inspiração do poeta.

Busca e encontra em vates como Byron, Hugo e Castro, motivos para dizer que, como,

Poetas e férreos heróis populares,

Ergam-se das suas criptas seculares,

E lutem contra a extrema pobreza.

Taí a visão social do autor, convocando também o papel de instituições fundamentais na vida e história de Garanhuns, conforme os versos,

Diocesano, Quinze, Santa Sofia,

Acervo histórico-cultural,

Apregoam que o bem se sobrepõe ao mal,

Regra moral de toda teologia.

Complementa a obra fazendo confissões eróticas e proclamando a beleza das mulheres amadas. Evoca, por  fim, a memória do seu filho que partiu prematuramente. Em "Um Poema a Garanhuns", Osman Holanda deixa transparecer inclusive a sua face de autor erudito.

*Manoel Neto Teixeira, jornalista e escritor, é membro das Academias de Letras de Garanhuns e Olindense de Letras.

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