sábado, 15 de janeiro de 2022

Primeiro Concurso de Trovas de Garanhuns

Em junho de 1977 o Grêmio Cultural Ruber van der Linden instituiu o seu primeiro Em junho de 1977 o Grêmio Cultural Ruber van der  "Concurso de Trovas", participando do mesmo mais de vinte poetas da cidade e da região, cujo tema escolhido foi  "SOLIDÃO."

O aludido certame recebeu o apoio de algumas das firmas do comércio local e foi patrocinado pela Associação Garanhuense de Imprensa - AGI - e o Jornal de Garanhuns.

Com a morte de um de seus concorrentes, o concurso foi momentaneamente paralisado, só  dando continuidade poucos  meses depois com denominação oficial "Concurso de Trovas Poeta Alfredo Rocha", numa homenagem  póstuma ao saudoso Poeta.

A comissão destinada a julgar os três melhores trabalhos foi  constituído pelos intelectuais: Dr. Aurélio Muniz Freire, Dr. Duque Sampaio e o Presidente da Academia de Letras de Garanhuns o Dr. Rilton Rodrigues da Silva, os quais na última reunião do Grêmio, proporcionaram os seguintes resultados:

1º lugar - Poeta Maurilo Matos (foto), que usou o pseudônimo "PARATAGI";

2º lugar - Poeta Alfredo Rocha (falecido), que usou o pseudônimo "ERASTO";

3º lugar - Poeta Maviael Medeiros, que usou o pseudônimo "MANOLO GASPARINI".

Transcrevemos abaixo os trabalhos classificados:

1º Lugar

Maurilo Matos

Nem mesmo a tal solidão

Tolera viver sozinha, 

Por isso num coração

Covardemente se aninha.


A solidão atormenta

Numa progressão gozada,

Pois quanto mais ela aumenta

Mais enche a gente de nada.


Da solidão me avizinho

Quando escuto esse ditado:

"É melhor viver sozinho

Do que mal acompanhado".


A solidão para mim

É um toquinho de vela

Queimando sem ter mais fim

E alumiando só ela.


A solidão é um mal

Que doí lá dentro da gente

Como a presença real

De alguém que se encontra ausente.


Ó solidão tenha dó

Desse pobre que aqui chora

Doidinho pra ficar só

E você não vai embora.

2º Lugar

Alfredo Rocha

Ninguém é só nesta vida,

se for capaz de entender, 

que a solidão é medida

para a alma engradecer.


É preferível, na vida

a mágoa da solidão,

à falsa mão estendida

que nos oculta a traição.


Que mistério extraordinário

em seu sentido profundo!

O sol, astro solitário,

traz vida a todo este mundo.


Tal como o rosto que oculta

as mágoas da solidão,

o riso nunca sepulta

o tédio da solidão.


Longe do grande tumulto

que a vida me propicia,

convivo só, com o meu vulto,

entre as tormentas do dia.


A solidão tem mistério

de estranha interpretação,

é flor sobre o cemitério,

que dá seu perfume em vão.


Um beijo, depois... saudade

de um grande Bem que passou.

Partiu felicidade

quando a solidão chegou.


Vi em teus olhos um dia,

promessa de amor, paixão;

mas foi tanta fantasia

que me trouxe a solidão.


São noites longas, vazias,

as do ser que vive só.

São ais e melancolias

tragadas vida de um Jó.

3º Lugar

Maviael Medeiros

Cismava ao léu um poeta

ao langor da noite calma,

cantando com voz de esteta

uma das músicas d'alma.


E na lira da ilusão

vibrava sem ter fadiga,

uma sublime canção

à solidão sua amiga.


E seu eco, por mudez,

na vastidão se perdeu

e por sua pequenez

o véu do tempo escondeu.


Busquei nas noites vazias

Cada memória vivida,

dos meus mais felizes dias

que tive na minha vida.


E nem frenesi silente

perscrutei com devoção

no meu cerne, incontinenti,

a paz do meu coração.


Quando então compreendi

a grande necessidade

da solidão que vivi

para a minha liberdade.

Fonte: Jornal O Monitor / Garanhuns,  22 de abril de 1978.

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