domingo, 16 de janeiro de 2022

Psicologia Espírita (I)

Dr. Aurélio Muniz Freire* 

"[...] a modificação do plano mental das criaturas, ninguém jamais a impõe: é fruto do tempo, de esforço, de evolução; e o edifício da sociedade humana, no atual momento do mundo, vem sendo abalado nos  próprios alicerces, compelindo imenso número de pessoas a imprevistas renovações". André Luiz

Há um crescimento extraordinário em todos os  campos da tecnologia humana. Expande-se a ciência atual na multiplicação de conquistas, de inventos, implantando técnicas nas áreas do conforto material e em multiplicados setores da humanidade. Não se pode negar esse avanço, pois a mídia aí está a informar e a divulgar para todos essa verdade. Em que pese, porém, essa gigantesca expansão, mostrando-se, às claras, a todos os  ângulos da existência humana, essa mesma modernidade espanta e amedronta o homem contemporâneo. Ao lado desse medo, continua imbatível o crescimento das  ciências por todos os seus segmentos, a ponto de dizer-se que elas se acham maduras, com isso querendo-se enfatizar ser-lhes tudo possível no campo das realizações físicas.

O progresso atual encontra suas alavancas impulsores fincadas no esforço científico de homens que dedicam, no dia a dia de suas vidas, ao estudo, à pesquisa, quase sempre recolhidos ao silêncio de gabinetes, de laboratórios. A grandiosidade das construções modernas, presente em todas as engenharias do saber, adentra-se na medicina, na informática, nas comunicações, na administração pública e privada, no comércio, na indústria, na mídia falada e escrita. A apresentação das mais variadas técnicas diversifica a produção industrial, exibindo-se desde as formas miniaturizadas até os gigantescos engenhos tecnológicos. Também o incontável número de atividades profissionais  acha-se assessorado, assistido por recursos igualmente incontáveis, facilitando, ajudando, tornando mais simples o labor humano. Tanto se faz e tanto se agiganta a diversificação de novidades que, diante disso, talvez muitos pensem ser possível à ciência dos homens.

A par de tamanho progresso, perguntamos: qual a razão daquele espanto, daquele temor, daquela insegurança em que vive o homem? Se o saber humano impulsionou e desenvolveu a implantação de tantas realizações materiais, onde se assenta a causa de tantas instabilidades emocionais, comportamentais?

Sente-se que a ciência mostra-se impotente como realidade prática a resolver o drama, as dificuldades que se expandem na intimidade de povos e nações. Ela, em  meio a tantos reclamos, não solucionou o desequilíbrio atual do mundo, não preparou o homem para o conhecimento de si mesmo, mostrando-se este  em sua desenfreada desumanidade, exibindo-se numa amplitude horizontal, tecnológica, pouco caminhando em direção vertical, sinalizando para o crescimento espiritual.

Em tudo isso, existe grande culpa da nossa educação, através de processos que têm falido, deseducando, desservindo em muita coisa nas nossas estradas. De  modo geral, as instituições educacionais de nosso tempo, preocupadas quase que exclusivamente com o lado informativo, instrutivo do conhecimento, minimizam, nas ciências e no ensino, os valores morais, formadores do espírito, de caracteres. Por aí, a institucionalização de  tantos erros, de maiores desacertos, de tantas corrupções. Educar não é somente uma tarefa singular, isolada, direcionada com exclusividade à instrução. Instruir é apenas um dos meios que se completa com a formação do homem. Instruir, e não formar, constitui grande perigo ao indivíduo, a uma nação, direcionando-os  aos descaminhos das ambições desonestas, das agressividades, das violências e dos crimes, por meio de criaturas aparentemente honestas. Em tais águas, navegam facilmente os erros de toda ordem, desajustes, marginalidade.

Urge que a nossa psicologia tradicional, acadêmica, avance em profundidade. Não somos tão somente uma glomerado de células ou de neurônios, portadores, assim, de um comportamento superficial, em respostas circunscritas ao nível estreito de organizações neurocerebrais. Não. Se assim fosse, nossas atitudes estariam totalmente sob o domínio puro e simples de um automatismo celular, sob o crivo de uma psicologia sem alma, inteiramente materialista. Nessa psicologia caolha, nossa oficina celular produziria a conduta, o comportamento, as atitudes, os sentimentos, as emoções, os pensamentos, os desejos, a alegria e a dor, segregando a inteligência, a memória, a vontade, o discernimento. Inegavelmente, muitos campos de um tradicionalismo  convencional prosseguem trafegando por caminhos de ilogicidade, de irracionalidade, como se fôssemos um simples amontoado de substâncias químicas.

Alunos, professores, psicológicos, estudiosos, ainda quando se afirmem espiritualistas ou cristãos, porém defendendo e vivenciando ensinamentos científicos sob o domínios de um entendimento assim estreito, incorporam ao saber psicologismo, um cientificismo, sem Psicologia e sem Ciência.

De outras oportunidades, falamos do caráter científico e filosófico da Doutrina Espírita. Também dissemos de sua natural repercussão em todos os campos da religião e da moral, influindo de modo sensível na área das ciências e das filosofias. Nesta fase de transição em que nos encontramos, da era tecnológica para a do Espírito, certos setores da Psicologia vão paulatinamente assumindo sua posição real, retornando, mais fortalecida em conquistas atuais, ao campo de suas origens, sob o primado do Espírito. Concluindo com André Luiz, aprendamos que a "civilização puramente científica é um Saturno devorador, e a humanidade de agora se defronta com implacáveis exigências de acelerado crescer mental".

*Jurista e escritor / Garanhuns, PE - 2011.

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