sábado, 1 de janeiro de 2022

Psicologia Espírita (II)

Dr. Aurélio Muniz Freire*

A causa dos fenômenos psicológicos reside no Espírito. Somos, em verdade, um composto de elementos psicofísicos: alma, corpo e perispírito. A alma é o  Espírito encarnado. O perispírito (também denominado psicossoma, veículo sutil, modelo organizador biológico, arcabouço biológico, corpo bioplástico, além de inúmeras outras nomenclaturas) é o instrumento pelo qual se manifesta o Espírito.

O psicossoma modelou nossa forma corporal - do mesmo modo como o faz relação à nossa personalidade - sob o comando do Espírito. Não nos confundimos no todo, porque cada criatura traz em si o seu psiquismo  individual, ditado exatamente pelo modelo organizador biológico (MOB). Há uma fisiologia, um mecanismo de ação, comandando os diversos fenômenos psicológicos, que obedecem, contudo, a processos mais profundos, porque se vinculam ao cerne da personalidade humana, que é o corpo psicossomático. Assim, a Psicologia Espírita adentra-se em profundidade na psique humana, sendo, de tal sorte, um tanto diferente do ensino tradicional, uma vez que este se apega quase sempre a uma "psicologia sem alma".

Os desvios da conduta, os desequilíbrios mentais, a soma de desajustes psíquicos da patologia psiquiátrica recebem explicação mais intensa e compreensiva no entendimento espírita. Por outro lado, também o comportamento ajustado da personalidade, seu progresso mais sensível, mais atuante, alcança significação abrangente no ensinamento trazido pela Doutrina Espírita. Ela explica racionalmente a verdadeira Psicologia do Espírito. Os  sentimentos humanos, suas emoções, encontram raízes que se fincam no centro de personalidade. Não se entenda aqui ser  esse centro circunscrito tão somente à presença de células cerebrais, de neurônios. A intimidade celular de toda a rede neurocerebral, pela Doutrina Espírita, apresenta-se como instrumento sob a direção psicossomática. O cérebro humano nada mais é senão uma ferramenta, um instrumento da alma encarnada.

Quando nos referimos a termos como psicossoma, psicossomático, damos-lhes uma significação precisa de  corpo espiritual, nas ligações necessárias com o corpo físico e com próprio Espírito. A medicina tradicional e mesmo a psiquiatria, quando se referem às doenças psicossomáticas, entendem a psique ou o psiquismo humano tão apenas como efeito material ou físico de células nervosas ou cerebrais, nada vendo além disso. Nesse entendimento bastante superficial, por mais esforço que desenvolvam psicólogos, terapeutas ou psiquiatras, não vão encontrar, somente por aí, a saúde de seus pacientes em nível satisfatório. E, quando esses mesmos especialistas mudam seus processos, aprofundando-se nas  causas das enfermidades, deparam-se muitas vezes com o alívio e até mesmo com a erradicação dos males de seus enfermos, antes incuráveis tão apenas pelos meios tradicionais. Vejamos somente um exemplo. O Hospital Espírita de Porto Alegre, há certo tempo, noticiava a cura de 76% de seus doentes, enquanto que as demais unidades hospitalares do mesmo gênero, seguindo tão somente os processos terapêuticos costumeiros ou tradicionais, atingiam 30% de curas em seus pacientes.

Muitas das modalidades em que o homem se desvia em seu comportamento, em suas atitudes, como também as "ideias inatas", são conquistas positivas ou negativas da alma encarnada. Constituem a aquisição do Espírito, antes de sua encarnação, diante da experiência das vidas sucessivas. Neuroses, psicoses, traumas, psíquicos, ansiedades, angústias indeterminadas tanto encontram sua gênese na vida atual dos neuróticos, dos  psicóticos, dos traumatizados, dos ansiosos, dos angustiados, dos desviados do comportamento, como também essa causas se escondem em existências passadas. Aqui aportaram trazendo cicatrizes perispirituais, marcando-lhes o cerne da personalidade em desequilíbrio. Mesmo considerando o progresso imenso realizado no campo da  ciência médica e psicológica dirigida à mente do homem, muito ainda tem ela que andar, porque, somente através de uma visão sem a realidade espiritual dos fenômenos, confunde a criatura a não traz soluções a uma psicoterapia exata, completa. Não estamos a filosofar em campo de fantasias subjetivas, sem apoio na realidade ambiente. Não. Muitas experiências psicológicas e psiquiátricas, em meios alheios ao Espiritismo, mas usando recursos espíritas, provam ao mundo, pouco a pouco, a aplicação eficaz dos ensinamentos espiríticos.

*Jurista e escritor / Garanhuns, PE - 2011.

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