quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Pum! Pum! Pum! estouram dentro de mim lembranças do São João em Garanhuns


Waldimir Maia Leite*

Nesta terça-feira, véspera de São João, reencontro-me, infantil, em frente à Vila Maria, onde meu avô, capitão Tomás da Silva Maia, acendia, todos os anos, sua fogueira. Era a maior de todas as fogueiras da cidade de Garanhuns: crepitava de São João, até o dia de São Pedro. A madeira era de sua imensa propriedade e na Vila fogueira de cinco metros de altura.

O capitão  Tomás Maia tinha uma hábito: procurava sua face, numa bacia d'água, sempre que acendia a fogueira. A tradição diz que, mirando-se nessa bacia, e constatada a presença da face, a  pessoa irá acender, no ano seguinte, outra fogueira. Um dia de São João, o capitão Tomás Maia não encontrou, na água da bacia de prata, seu rosto. E, no outro ano, não mais acendeu a fogueira.

Voltam a mim, nesta terça-feira, os balões vermelhos e acessos, subindo, até o Alto do Magano. 

Volto, pois, mentalmente, a Garanhuns, nesta terça-feira junina. E reencontro antigas paisagens, convivo, outra vez, com tradicionais nomes da minha infância e adolescência, alguns já apagados no livro do viver. Brinco o São João,  nesta terça-feira, outra vez, na cidade de Garanhuns. Menino sou e tenho os olhos abertos diante da fogueira crepitante, em frente ao solar do capitão Tomás Maia. Ali hoje estão minhas tias Lourdinha, Letice e Olga. Elas, certamente, me esperam eu ainda menino, de calças curtas, para acender o lume que irá conduzir meu balão até as alturas, até que chegue, como uma borboleta, ou uma estrela, ao Alto do Magano.

É véspera de São João, hoje. Sou também véspera (de São João). Improviso-me de balão, subo, voo, chego a impressentidas alturas. Do alto, contemplo a paisagem, lá embaixo.

É São João, aqui e alhures. Mas, sobretudo, é São João, em frente ao solar do capitão Tomás da Silva Maia: a Vila Maria.

Improviso-me de balão, repito. Saio a andar, a voar, a contemplar, com olhos de saudade e de ausência, outras vésperas de São João, na cidade de Garanhuns, onde nasci, cresci e, um dia, sempre, volverei, em lembranças.

- Pum! Pum! Pum! Estourou dentro de mim (como peido-de-veia) as lembranças (infantis) de outros São João de antigamente.

*Jornalista e historiador / 27 de Junho de 1987.

Fotos: (1) - Solar do Capitão Tomás da Silva Maia (antiga Vila Maria) em Garanhuns. (2) - Capitão Tomás da Silva Maia.

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