sábado, 1 de janeiro de 2022

Rádio Difusora de Garanhuns 70 anos


A Rádio Difusora de Garanhuns foi inaugurada no dia 26 de maio de 1951. O prefeito do município à época era o Dr. Luiz da Silva Guerra,  que deixaria o cargo em 26 de julho de 1951, suspenso das funções de prefeito pelo juiz de Direito da Comarca por infração à Lei orgânica dos municípios (Lei nº 445, artigo 67, parágrafo 70), sendo substituído por Abdias de Noronha Branco, que tomou posse no dia seguinte. Pernambuco era administrado por Agamenon Magalhães, que morreria meses depois. À inauguração da rádio estiveram presentes as autoridades da época, o próprio Francisco Pessoa de Queiroz, Alberedes Nicéias (primeiro gerente), Maurício Acioly e Erasmo Soares, dentre outros que foram os primeiros locutores. Augusto Calheiros, já famoso, morando no Rio de Janeiro, também veio, juntamente com um time de artistas de várias cidades importantes. A Rádio Difusora passou a se chamar "Rádio Jornal Garanhuns" a partir do final da década de 1980, quando foi comprada pelo empresário João Carlos Paes Mendonça. Já passaram grandes nomes da radiofonia local e estadual. Podemos citar alguns que marcaram época: Ivo de Souza, Solon Gomes, Rossini Moura, José Inácio Rodrigues, José Cardoso da Silva, Washington Medeiros, Aguinaldo de Barros, Rosa Maria, José Marcos Leite, Aldo Vilela,  Jonas Lira, Marcos Cardoso, Gerson Lima, Humberto de Morais, Roberto Sampaio e Aluízio Alves. 


Foi uma  grande festa, que mobilizou os municípios da região Agreste; a monumental sede dotada de amplo auditório estava repleta para ouvir e aplaudir os vários artistas que se apresentaram naquele dia festivo.

MAURÍCIO ACIOLY - A PRIMEIRA VOZ NO RÁDIO DO INTERIOR DE PERNAMBUCO 

Em 1951, o cidadão Maurício Acioly foi abordado pelo Sr. Alberedes Nicéias na porta do Cine Jardim. Alberedes estava em Garanhuns, preparando o funcionamento da Rádio Difusora  que seria  inaugurada em 26 de maio. Na abordagem o jovem Maurício foi informado que fora aprovado no teste para locutor, juntamente com Baia Filho e Erasmo Soares.

Maurício  empalidecido pela emoção, foi levado pelo Nicéias para Difusora. Lá ainda envolvido pela notícia, teve outro susto: em caráter experimental a Difusora entraria no ar com a voz de Maurício. Uma hora depois, Acioly, de voz embargada, tendo como fundo musical O GUARANY de Carlos Gomes, anunciava: "RÁDIO DIFUSORA DE GARANHUNS - ZYK-25  emissora de propriedade da Empresa Jornal do Commercio S/A entra no ar em caráter experimental. Os senhores que nos escutam mandem correspondência dizendo como estão recebendo o sinal da emissora pioneira de Pernambuco".

Foi assim que começou a carreira artística de Maurício Acioly, dono de poderosa voz de barítono, bonita, de leitura fácil e inflexão modular.

Incursionou nas asas de locutor animador, tendo programa próprio, todos os domingos a tarde voltado para as criancinhas que enchiam o auditório da Difusora. Enveredou no mercado publicitário, redigindo textos inteligentes e vendendo espaços da emissora ao comércio. Foi mais longe ainda: no campo da produção criou tipos engraçados, como: Dona Emília e um time de futebol, eivado de satíricas críticas políticas. E por ter-se revelado um grande profissional da comunicação, chegou ao cargo de Gerente da Difusora, onde desempenhou com brilho e altivez a difícil tarefa da administrar uma emissora de rádio, ao tempo, complexa, porque ainda não assimilada de todo pela sociedade.

Mesmo sendo radialista, nunca abandonou seu emprego no IBGE, onde chegou a função de chefe da Agência Garanhuns.

Estamos falando de Maurício Acioly, porque entendemos que Garanhuns, jamais poderá olvidar aqueles que muito fizeram pela terra, sem cobrar elogios nem homenagens. Maurício foi um desses homens. 

Maurício Acioly e Silva, nasceu em Garanhuns, filho de João Genésio da Silva e Osminda Cavalcante Acioly, foi aluno do Colégio Diocesano de Garanhuns, onde formou-se em Contabilidade. Trabalhou na firma exportadora de café, firma Schenker Barbosa. Foi presidente da Associação dos ex-alunos do Colégio Diocesano de Garanhuns e membro da Loja Maçônica Mensageiros do Bem.

ROBERTO SAMPAIO 

Roberto Rosselini Bezerra Sampaio, ou simplesmente 'Roberto Sampaio'. Começou na profissão em 1974, na  Rádio Difusora de Garanhuns. Com passagens pela Rádio Marano FM, Roberto se notabilizou como 'A Voz de Ouro do Rádio', na Rádio Difusora.

Na emissora da Avenida Rui Barbosa, conviveu com Ivo de Souza (seu primeiro gerente), Solon Gomes, Rossini Moura, Arijaldo Carvalho, Lúcio Mário e Aluízio Alves.

Roberto sempre foi  um profissional exemplar, voz grave dos antigos profissionais de rádio  tanto apresentando um programa musical quanto noticioso nunca desafinou ou saiu da linha.

Apesar da discrição, a dedicação profissional e o caráter exemplar de Sampaio não passaram despercebidos pelo jornalista Ulisses Pinto, que fez uma justa homenagem ao radialista quando este completou 30 anos de profissão. A fama, os títulos ou mesmo o dinheiro, contudo, foram indiferentes a Roberto. Independente de tudo isso, ele confessa adorar a profissão que abraçou, tanto que nunca fez outra coisa na vida. "Eu gosto muito de rádio, é como uma doença", definiu Roberto.

Em 2011, o experiente profissional foi homenageado pela Prefeitura de Garanhuns, o então Prefeito Luiz Carlos entrega à Roberto uma comenda, em forma de troféu, ressaltando todo o seu trabalho em prol da comunidade de Garanhuns e do Agreste Meridional, através do Rádio pelos relevantes serviços prestados ao rádio garanhuense.  O radialista Roberto Sampaio aposentou-se  em 2012. 


Conjunto Vocal Tupinambás que se apresentava no Auditório da Rádio Difusora de Garanhuns: Nelson Leônidas, Manola; Wilson, pandeiro; Vevé, afoxé; Valdemar Santos, tantã e Manoelzinho Montanha, violão.

IVO DE SOUZA RAMOS (Texto de José Francisco de Souza)

Ivo de Souza Ramos surgiu no cenário social de nossa terra, através da Rádio Difusora de Garanhuns a "Pioneira do Interior". Como seu gerente, esse veículo de pensamentos e palavras sempre esteve ao lado das  causas populares. Influenciado pelas coisas que se refletiam no espírito público, criou uma característica própria, em tudo que se  relacionava com o bem da comunidade. Homem autêntico e conscientemente  responsável pelos seus gestos e atitudes. Em tudo que se  propunha a fazer, era perfeitamente elaborado com a eficiência e prontidão. 

Era um verdadeiro radialista, conhecia quase todos os seus segredos de sua profissão, jamais foi um dominado pela atração do dinheiro. Preferiu sempre o resultado de seu labor honesto. Não temia o sacrifício. Lutar é uma das condições inerentes à vida do homem pobre. Tornou-se, portanto, na sua árdua profissão - um ponto de referência no sentido de bem servir aos seus semelhantes. Era de uma capacidade de produção admirável. Supervisionava toda matéria a  ser apresentada como elemento de publicidade. Os programas de arte visavam sobretudo, educar e preparar a mentalidade dos jovens, do elemento humano do futuro. Sem outros conhecimentos específicos, a sua atuação, na Rádio Difusora, era a de um homem de muita capacidade. Não tinha conhecimento técnico - contudo, não era um despreparado para suas funções.

Criou no setor de suas atividades uma nova maneira de pensar e de agir. Nele tudo era ação e movimento. O homem de rádio deveria aproveitar bem o tempo. As  horas e os minutos do tempo que passa não devem ser indiferentes aos que transmitem e aos que ansiosamente escutam. Sempre bem posto dominava o microfone e o auditório. Boa dicção, as palavras eram transmitidas com cuidado e sonoramente concatenadas. Lendo as nossas crônicas conquistava e prendia atenção dos ouvintes dominicais. 

Tomou consciência de si mesmo, tornou-se na sua vida profissional um ídolo do povo de Garanhuns. Em todos os movimentos de envergadura moral e intelectual a sua  presença marcava a beleza do acontecimento. Pioneiro de todos os movimentos filantrópicos. Nas madrugadas frias de inverno, já se ouvia a voz inconfundível de Ivo de Souza Ramos, convocando a cidade que ainda se espreguiçava pernoitada, para fornecer donativos, roupas, agasalhos, para cobrir a nudez e matar a fome dos flagelados das secas e das águas. Estava sempre apercebido, atendo, no exercício de seu dever. O seu destaque maior não consistia apenas em contribuir, e sim na iniciativa que tomava para ajudar a solução de qualquer problema inadiável. Verdadeiro amigo dos  pobres e miseráveis. Não fazia isto por demagogia de finalidade eleitoral. Jamais se filiou a qualquer organização política. Autodidata de rara capacidade, sabia transmitir muito bem o pensamento através da palavra escrita ou falada. Como radialista era completo, dizem que ninguém é insubstituível, até certo ponto o conceito procede. Contudo a tarefa difícil de encontrar outra pessoa humana igual a Ivo de Souza. Foi agraciado com o título de cidadão de Garanhuns. 

Certa vez, em um dia cheio de sol, Ivo de Souza apareceu à nossa residência e disse: - "Dr. José Francisco estou aqui lhe pedindo uma ajuda; Gostaria que o Sr. me escrevesse crônicas para Rádio daquelas que o Sr. sabe..." "O tempo é seu estilo e o assunto também, a responsabilidade da apresentação das crônicas é minha".

E assim passamos a escrever a Crônica das doze horas, que era apresentada por Ivo de Souza. Quando viajava deixava gravada e algumas vezes era lida por Zé Inácio. Desse entendimento nasceu a nossa boa amizade com Ivo, então Diretor da Rádio Difusora.

A sua morte trágica abalou profundamente toda a população. Não havia uma pessoa que não tivesse uma lágrima secreta à  derramar-se pelas fibras do coração. O seu desenlace foi brutal, o homem da comunicação foi surpreendido pela morte ao  romper da madrugada. A nossa terra, a cidade que ele tanto serviu e amou, deu-lhe um sepultamento de líder. O povo se organizava em fila desde a Rádio Difusora até o cemitério.

Fotos (1) - Prédio da Rádio Difusora de Garanhuns (2) - Inauguração da Rádio Difusora de Garanhuns: Da esquerda para a direita: Dom Jerônimo, Francisco Pessoa de Queiroz e o Padre Tarcísio Falcão (3) -  Maurício Acioly e o primeiro controlista técnico, Gastão Barreto.

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