domingo, 9 de janeiro de 2022

Reciclarte chega a 6ª edição e propõe residência com imersão artística para interessados em estudos do corpo


Em um momento de extremo desgaste cultural e artístico em âmbito nacional, Mônica Lira, do Grupo Experimental, surge com uma proposta de provocar os artistas e interessados em estudos e investigações do corpo, a pensar e questionar o momento relacional do indivíduo com sua existência. Chamado de Reciclarte 6 - Usina do Corpo, o projeto, chega a sua 6ª edição, incentivado pelo Funcultura, é uma experiência que discute questões transversais do fazer artístico da dança, trazendo perspectivas de especialistas da dança para debater e incentivar reflexões entre os fazedores da arte de Pernambuco e outros estados do país.

O evento, que começou sua trajetória em 2005, como grande encontro de palestrantes e oficineiros, desta vez amplia suas ações formativas, e vem como experiência imersiva, em uma proposta de residência e estímulo do conhecimento a partir da vivência, colaborando assim para as transformações dos cenários da dança e os contextos artísticos vigentes. Segundo Mônica Lira, é um convite e uma oportunidade de se pensar o movimento de uma forma mais ampla, a partir da troca de saberes e da experiência artística de cada participante.

“O nosso objetivo é proporcionar um encontro neste momento, considerando todo contexto político que estamos vivendo. Como atravessamos, lidamos ou reverberamos tudo isso? É tempo de repensar a dança, o movimento e suas possibilidades. Nos distanciamos muito enquanto corpo das pessoas, do mundo. O Reciclarte é um lugar de procurarmos nossas intersecções, discutir as diferenças e aprendermos juntes”, descreve a diretora Mônica Lira, que reforça que todas as vivências do projeto pretendem investigar o corpo a partir do olhar afetuoso, e ainda, inclusivo, sendo portanto uma atividade que abarca pessoas de linguagens e formações distintas, mas que tem interesse pelos estudos do corpo.

Em seu formato original, o projeto oferecia cursos com aulas de teoria e prática de maneira distinta. Desta vez, o objetivo do encontro é receber artistas não só de Pernambuco, mas do Brasil inteiro, a fim de transmutar essas percepções de corpo em uma perspectiva simultânea de conteúdos, aliando movimento à reflexões críticas.

O projeto terá três momentos distintos, sendo o primeiro na Usina de Arte, em água Preta, e na sequência em Jaboatão dos Guararapes e Recife. Nesta primeira etapa do Reciclarte- Usina do Copo, que acontece de 1 a 5 de fevereiro, serão oferecidas vivências conduzidas por Mônica Lira, diretora do Grupo Experimental (PE), Ivan Bernardelli , da Dual Cena Contemporânea (SP), Marcelo Sena, da Cia ETC (PE). Como convidada teremos Helena Katz (SP), uma das principais pesquisadoras de dança do país, que abordará o tema: “Do que a dança é capaz de cuidar?”, com intervenções e provocações durante os dias da imersão.

Os artistas convidados vão propor atividades imersivas, na Usina de Arte, espaço com potência plural e transformadora, um antigo ícone da indústria sucroalcooleira no estado, a Usina Santa Terezinha, que agora passa a abrigar um parque artístico-botânico e impulsiona uma nova forma de ocupação ambiental, econômica e cultural da região. Localizada no município de Água Preta, Zona da Mata Sul de Pernambuco, o espaço chegou a ser a maior produtora de álcool e açúcar do país nos anos 1950, e também tinha uma ferrovia própria, que chegou a ter aproximadamente 100 quilômetros de estradas de ferro, 21 locomotivas e mais de uma centena de vagões, utilizados para o transporte de cana, açúcar e álcool. Quando encerrou suas atividades em 1998, o cenário de falência e estagnação da Usina deu lugar a uma efervescente paisagem artística e voltou a moer, desta vez, produzindo ideias e conteúdos artísticos, que atualmente contam com maus de 35 intervenções, instalações e obras.

Neste ambiente, e sempre considerando o contato com o espaço e suas possibilidades, propondo a ampliação do debate sobre o corpo para além da cena da dança, contemplando também interessados de diversas linguagens, como música, artes plásticas, cinema e qualquer interessado em estudos do corpo , e com o objetivo de gerar pensamentos e ações para que a dança se mantenha viva e seja agente ativa de reflexão crítica e de transformação social, é que vão se desenvolver as atividades do Reciclarte 6 - Usina do Corpo.

Para participar, os interessados, de qualquer lugar do Brasil, podem se inscrever a partir deste domingo (9) até o dia 19 deste mês de janeiro, através de formulário disponível no link da bio do Grupo Experimental no instagram (@grupoexperimental). Para as pessoas portadoras de alguma *necessidade especial*, é necessário descrever quais as suas especificidades. Importante destacar que todos os participantes devem apresentar comprovante com esquema vacinal completo, e toda a equipe de produção do evento também comprovará imunização contra a COVID-19, além de apresentar o teste com no máximo dois dias antes da viagem para a Usina.

O projeto se responsabiliza por todas as despesas de deslocamento de ida e volta (Recife- Usina de Arte), alimentação e acomodação da residência na Usina de Arte será custeada pelo Reciclarte 6 - Usina do Corpo. Serão selecionados 12 artistas de Pernambuco e 8 de outros lugares do Brasil, totalizando 20 residentes do projeto.

As etapas de Jaboatão dos Guararapes e Recife terão datas anunciadas em breve. O resultado final com os selecionados da primeira residência na Usina de Arte serão anunciados no dia 23 de janeiro.

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