domingo, 9 de janeiro de 2022

Reencarnação (I)


Dr. Aurélio Muniz Freire*

Caso estivessem as nossas vidas em tudo traçadas, antes de aqui chegarmos, de nada adiantaria lutarmos contra nossas provas e expiações. Restar-nos-ia tão somente curvamo-nos passivamente aos acontecimentos da existência. Muitas pessoas, sem o necessário entendimento sobre a reencarnação, afirmam que os  reencarnacionistas são fatalistas e acomodados diante do destino.

Jamais poderíamos admitir ensinamentos extremados, contraditórios. Existimos, é certo, num plano de provas e de expiações, segundo nos ensinam os Espíritos e comprova a experiência. Todavia, não somos autômatos, incapazes de determinações próprias, quais bonecos teleguiados. Temos livre-arbítrio, portanto somos capacitados à modificação ou transformação de nossos destinos. Se isso não é possível em caráter absoluto, como em verdade não é, entretanto gozamos de relativa liberdade ao comando de nossas vidas.

Paulo de Tarso, numa de suas epístolas, traz-nos um ensino para todos os tempos, assim falando: "[...] não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de  Deus" (Rm, 12:2). Ora, se modificamos atitudes mentais negativas, sedimentadas em nosso comportamento, poderemos estar afastando de nós consequências danosas, retirando, de tal sorte, alguma poeira de nossas estradas. Isso é renovação espiritual, traçando novos rumos ao futuro, modificando destinos.

A Doutrina Espírita aceita um determinismo relativo, não sendo doutrina fatalista, porque não acolhe condições absolutas em tudo quanto nos aconteça. Apenas o momento de nossa morte é fatal, conforme ensinam os Espíritos, na Questão 853, letra a, de O Livro dos Espíritos. Mesmo assim, eles também dizem ser possível, em alguns casos, a dilação da vida. Convém, nessa parte, aludirmos à narração de Isaías. Esse profeta conta que  Ezequias estava com os seus dias contados, prestes a se ultimar, acometido de doença terminal. Contudo, Isaías, pela mediunidade auditiva, comunicou que Ezequias não iria morrer daquela enfermidade e teria uma sobrevida de quinze anos, o que aconteceu (Is, 38: 1-8). O espírito de Verdade esclarece: "Somente as grandes dores, os acontecimentos importantes e capazes de influir na tua evolução moral é que são previstos por Deus, porque são úteis à tua purificação e à tua instrução" (Livro dos Espíritos Questão 859, a). Tudo isso porque a lei divina não poderia nos tolher em  nossa capacidade de sermos livres. "Sem o livre-arbítrio, o homem seria uma máquina" (Livro dos Espíritos, Questão 843.

Deus, por Sua sabedoria absoluta, tem mil formas em Sua lei para que se faça justiça. Suas normas não se modificam porque venhamos a imprimir melhores roteiros à nossa conduta. Sua misericórdia é o tempero suave de Sua justiça. E, se formos misericordiosos, receberemos a misericórdia do Pai. "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mt, 5:7). Nossa Terra ainda é um canteiro de sofrimentos e dores. Aqui, provamos e expiamos nossas faltas cometidas no passado remoto ou próximo ao tempo em que  nos encontramos. Se a dor tem sido o nosso maior caminho numa sementeira de redenção das nossas culpas, transformando nosso mundo num viveiro de cárceres, necessário é sabermos seu o amor o maior processo terapêutico para a expiação de nossos crimes. Façamos por onde termos o direito de opção entre esses dois caminhos. Busquemos a orientação de Pedro, enfatizando e vivenciando, tanto quanto possível, a sua lição, quando nos disse: "Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados" (I Pe, 48).

Cremos que, no futuro, seremos provados de modo diferente. A Terra será promovida a plano regenerador, quando também aceitamos seja o amor, ou pelo amor,  a forma terapêutica de erradicarmos os delitos praticados, em processos de maior suavidade. Preparando-nos para os dias porvindouros dessa renovação individual e coletiva, orienta-nos André Luiz, em Os Mensageiros, da  seguinte forma: "Cesse, para nós outros, a concepção de que a Terra é o vale tenebroso, destinado a quedas lamentáveis, e agasalhemos a certeza de que a esfera carnal é uma grande oficina de trabalho redentor".

Concluímos com alguns pensamentos de Joanna de Ângelis, em sua grandiosa obra O Homem Integral,  pela psicografia do grande médium Divaldo Pereira Franco:

Urge uma revisão de conceitos, uma mudança de conduta, um reestudo da coragem para a imediata aplicação no organismo social e individual necrosado... somente há  doenças porque há doentes, isto é, a doença é um efeito de distúrbios profundos no campo da energia pensante do Espírito.

Termina, esse grande Espírito, afirmando: "A superação do sofrimento é, sem duvida, o grave desafio da existência humana, que a todos cumpre conseguir".

*Jurista e escritor / Garanhuns, PE - 2011

Créditos da foto: Anchieta Gueiros.

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