sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Reflexões


Dr. Aurélio Muniz Freire*

A vida se nos apresenta - qual imensa lição, cujas páginas se desdobram, a cada dia que passa. Dela, derivam ensinamentos, mostrando-nos a infinitude da nossa ignorância e a pequenez de nossa sabedoria. A humanidade, sem atentar para a sabedoria sem limites, apanha pequenos traços do seu roteiro, diminutos retalhos de  sua estrada e se afirma detentora de um pedestal, onde assenta os fundamentos do seu viver, do existir.

"Viver é fácil. Difícil é saber viver". Generaliza-se este entendimento, na consciência de educadores. Pedagogos de toda parte afirmam esta máxima de verdade, que se fina ao pensamento de muitos. Contudo, todos pensamos que sabemos viver. E agimos, na conformidade do quanto pensamos.

Tantas vezes, sem pensarmos nossas atitudes, tropeçamos em nossas ações. Criamos situações difíceis aos nossos semelhantes, sem imaginarmos que a nós mesmos o fazemos. Tal se verifica, porquanto, ignorando ou esquecendo as lições da prudência, arquivamos os ensinamentos de vera educação.

Quase sempre, muito nos preocupa - levarmos aos outros, o ensino dos sábios. Todavia, com respeito a nós mesmos, permanecemos cegos e surdos às lições que  primeiro se dirigem ao nosso próprio aprimoramento moral, espiritual.

Nenhuma sabedoria maior - deriva de  outros princípios, senão, daqueles trazidos na extensão das mensagens críticas. No Cristianismo, já assentamos os fundamentos do Direito Puro. Nesta parte, nada fazemos de nós. Muitos juristas assim o fizeram. Copiamos, aqui, o que é bom. Cristianismo é síntese de conhecimento de educação.

"Conhecereis a verdade e ela vos libertará". Quem assim ensinou, sabia como, por que e para que fim ensinava. Os fundamentos de uma sociedade séria, justa, ordeira e educada não se afastariam daquela sementeira de dádivas. Ela traduz, expressa a mais lídima forma do conhecimento e da fraternidade. Mas, teimamos em  relegar ao esquecimento, à indiferença, em nossa romagem, toda uma construção, argamassa indispensável e insubstituível à nossa renovação pessoal e social.

Exemplifica-se esta indiferença, primeiramente em nós mesmos. Depois, na sociedade do mundo. Cegos e surdos (homem e sociedade), temos olhos e ouvidos de ver e de ouvir, dirigidos apenas às mazelas exteriores que explodem no mundo. A culpa de tudo isto, sempre está nos outros, na sociedade, como se não fôssemos também os outros e deles estivéssemos desligados, quais "santas-criaturas", sem ódio, sem violência, sem crimes...

*Jurista e escritor / Garanhuns, 25 de Setembro de 1976

Créditos da foto: Anchieta Gueiros.

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