quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Relógio de Flores - O Guardião do Tempo em Garanhuns


Francisco Bandeira de Mello*

Em pleno Agreste Pernambucano, Garanhuns não é só seu tempo de montanha, de verdes paisagens (num mundo cada vez mais árido), tempo e névoa, tempo frio e de flores, de inumeráveis mirantes, roupas de lã, seus relógios e queijos (suiçamente); ou seus velhos engenhos e fazendas de café, seu ar puro, água mineral, seu folclore e artesanato, o Magano, o Pau Pombo, o Timbó, seu Centro de Cultura ou, ali perto, Santa Quitéria de Frexeiras, com seus ex-votos e suas romarias. Mais do que tudo isso, Garanhuns nos ensina a transformação paulatina e persistente, desse acervo potencial de atrações, em produto turístico acabado, acondicionado, posto na prateleira do mercado turístico regional. Já pelo seu admirável parque hoteleiro, ano a ano se equipando e se equiparando, no gênero, aos melhores do país; já pelas magníficas estradas que o ligam (em bonitas paisagens) à BR 232 e BR 101. Além do apoio às rotas de Paulo Afonso e o Sertão Pernambucano, em Garanhuns se pratica o marketing do turismo familiar, do turismo de férias ou fins de semana, dos pequenos congressos e convenções, bem como do turismo social na colônia do SESC.

Na verdade, Garanhuns se apresenta como um dos modelos exemplares do que devemos fazer para dinamizar o turismo integracional do Nordeste; o que só poderá ser feito mediante o equipamento das rotas de penetração por onde se escoem e apoiem as grandes levas do turismo de repouso ou do turismo itinerante. Ressalte-se a importância disso tudo, quando se sabe que Pernambuco vem exercitando, através dos séculos, a vocação de Estado prestador de serviços econômicos, culturais e (agora) turísticos; quando se sabe que Pernambuco se situa no coração do Nordeste e que, por isso vimos ganhado para qualquer outro Estado como principal polo receptor dos fluxos turísticos inter-regionais (Repito: Pernambuco é o Estado da Região que atrai o maior percentual de fluxos turísticos que se geram de dentro para dentro do Nordeste e isso é um dado que deve se levar sempre em vista, claro, nos nossos manuais de atuação). Nesse contexto, reitero, Garanhuns é um polo de grande apelo para a  interiorização do turismo regional, pois, a par do seu pioneirismo, se afigura, talvez, como a mais completa e sofisticada estação de férias do interior de todo o Nordeste, mercês dos constantes melhoramentos que se vem acrescentando ao seu parque hoteleiro, um dos orgulhos do turismo pernambucano e boa surpresa, sempre, para todos os que nos visitam; mercê também do apoio que, do mesmo sentido, vem recebendo dos Governos Estadual e Municipal. 

Todos nós somos feitos de grandes ou pequenas frustrações, de grandes ou pequenos sonhos. Um dos sonhos que trouxe dos anos que vivi em Genebra, na Suíça, foi a implantação de um relógio de flores, justamente na cidade de Garanhuns, também chamada "A Suíça Pernambucana". Em Genebra, pude ver como um relógio desses marcava a própria cidade, sendo ponto de parada obrigatório para fotos e slides na rotina sempre feliz de todos os turistas.

Fotos  e slides, esses, que certamente iriam passar de mão em mão (ou de olho em olho) nos registros fraternos ou familiares na volta ritual de todas as viagens. Um marco simples, portanto, mais de forte registro para os habitantes e visitantes de Genebra; mas de grande efeito multiplicador na divulgação daquela cidade Suíça. E era isso que  desejávamos para Garanhuns. Pois bem. Foi um sonho que se realizou no Governo Marco Maciel, graças à compreensão do prefeito Ivo Tinô do Amaral que, em convênio com a Empetur, completou as verbas e pôs a prefeitura à frente da iniciativa. É, creio, um bom exemplo de que, mesmo com pouco dinheiro, mas com boa vontade, se pode fazer alguma coisa significativa. Inaugurado em 25 de janeiro de 1981, esse relógio (nesse tipo, o primeiro do Norte-Nordeste) tem a função social de dizer as horas (suiçamente para o povo Garanhuense; fala também das flores de Garanhuns; simpática  cidade do Agreste de Pernambuco que, assim, acerta os seus ponteiros em novo lance de pioneirismo regional. 

*O poeta, escritor e jornalista Francisco Austerliano Bandeira de Mello, 75 anos, faleceu em 7 de outubro de 2011 no Recife. Bandeirinha, como era conhecido, participou do projeto do Centro de Convenções de Pernambuco e foi Secretário de Turismo, Cultura e Esportes.

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