segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Reminiscências do Diocesano de Garanhuns

Maviael Medeiros*

Foram-se  os anos. Alguns resquícios na lembrança levam-me a refletir sobre um período inapagável, já escondido sob o véu do tempo. Os anos de ouro bem vividos sob o véu do tempos. Os anos de ouro bem vividos, sob a égide da Fé e da gratuidade benevolente de um exímio educador-sacerdote, que cumpriu, certamente, sua missão para com Deus e os homens aqui na terra. 

Não consigo recordar bem alguns episódios; mas, uma coisa é válida: com certo esforço, lembrar-me-ei de fatos que não fugiram-me da memória. Cheguei ao Colégio Diocesano muito jovem ainda. Corria o ano de 1954. Fui admitido como aluno graças aos apelos de minha madrinha Alódia Valença, irmã do Monsenhor Adelmar. Este, prontamente acolheu-me com solicitude. Durante toda minha trajetória, como aluno, jamais me foi cobrado um centavo se quer de mensalidade escolar. Vivi, até 1957, numa condição de semi-internato, tomando as refeições diárias e vivendo na plenitude do aconchego dessa grande família e usufruindo de todas as benesses desse bondoso coração: Monsenhor Adelmar. Lembro-me, era um dia de Sábado, mês de junho, quando ele indagou-me: - Quer trabalhar num banco? É evidente que alegria maior não poderia substituir aquela do meu "Sim", pronunciado com euforia. Era órfão de pai desde 1949. Com efeito, dois meses depois, 1º de agosto de 1957, iniciava as funções de contínuo no Banco da Lavoura de Minas Gerais, onde trabalhei durante trinta e cinco anos ininterruptos.

Hoje, sinto-me grato, honrado e feliz, por ter pertencido e ainda pertencer a família diocesana e poder bradar, com viva voz, da alegria de ser ex-aluno do Colégio Diocesano de Garanhuns. Lá, naquele templo sagrado de luz e saber, cursei o primário, o ginásio e o curso técnico em contabilidade, tendo concluído em 1963. Pude, ao longo de todo esse tempo, testemunhar a aplicação e o vivenciamento de um método educacional-pedagógico vitorioso e fértil, em termos de ensino-aprendizagem; pude sentir o exemplo disciplinar de uma formação voltada para os princípios morais e cristãos; pude absorver lições de civilidade, ministrada pelo Monsenhor na capela do Diocesano. Lições que serviram de orientação para o curso da minha vida e para estruturação da minha família; pude aprender o princípio da ética e da criatura humana. Se não fui aluno exemplar em termos de aplicação, pelo menos tentei ser receptivo aos ensinamentos dos meus mestres. Se nas minhas peraltices infantis causei algumas irritabilidade ao meu benfeitor, este, pelo seu generoso coração, já me perdoara logo após cometer as faltas. Aprendi muito. Incuti na mente muitas lições de vida. As aulas de civilidade do Monsenhor Adelmar enriqueceram meu espírito e as sintetizo dizendo: - "A sabedoria não se transmite, é preciso que a gente mesma a descubra, depois de uma caminhada, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas".

*Professor, escritor e cronista / Garanhuns, 1999.

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