sábado, 1 de janeiro de 2022

Retalhos de Garanhuns

Ailton Guerra (1978)*

Na retangular Avenida Santo Antônio, limitada Norte-Sul pelas Igrejas de São Pedro e Lutero, pulsa o coração da Cidade das Flores.

Nestes tempos de primavera, tendo como respaldo o frio penetrante de agosto, colegiais coloridos dão vida às calçadas em suas andanças de fim de tarde. Garanhuns Centenária, quantos segredos, quantas vitórias nestes teus primeiros cem anos de emancipação política! O acervo de José Francisco de Souza está aí, inesgotável no trato com os homens que fizeram tua história. O verde Pau Pombo, isento de predatórios ecológicos, a Feira do Passarinho de trocas mil, só escapando as mulheres e seus derivados, a Estação que virou Centro Cultural e um Vagão áureo que respira oxigênio puro das árvores frondosas. A Alto do Magano e a moderna arquitetura do trevo rodoviário, o Alto da Boa Vista, anoite e a canção de Calheiros. 

Os Barmácias, o Sanatório, as Academias herméticas e a cultura popular sofrida. Os Jornais, a Difusora., o Bispo, os juízes e o Batalhão do Agreste. O Diocesano, XV de Novembro e o herói Henrique Dias. Os carros de bois nas sexta feiras e o sábado urbano com a feira. Garanhuns Centenária, quantos segredos, quantas vitórias nestes teus primeiros cem anos de emancipação política! A beata radical, o herege e o ateu, o crente, o bandido. Delegado, o alvará de soltura e resistência heroica do Cabo Cobrinha. Os Clubes de serviços e a promoção pessoal. O Jonh Travolta das noites, a macarronada do Kennedy e a gasolina do Caneca. 

A Estação Rodoviária, a Buchada do Zezinho e os carros sem taxímetros. As maternidades, e explosão demográfica, o Dom Moura e a dor aliviada. O Bar da Galinha, as ilusões sobre as mesas e a redução da economia. As kombis desobedientes, os ônibus maltrapilhos e a caminhada para o centro. Garanhuns Centenária, quantos segredos, quantas vitórias nestes teus primeiros cem anos de emancipação política! A Cooperativa, a Cilpe e a Celpe. O monopólio do gás, a oligarquia do comércio. O tradicional passeio de carro aos domingos, o pseudo status e a falta da classe intermediária. O poder aquisitivo, as indústrias e o vazio da entressafra. O banho de piscina, o banho de bica, o chapéu de couro e o aboio triste. As vitrines sofisticadas, os consultórios médicos as lojas de artesanato e as bancas de revistas. As faculdades, os reconhecimentos tardios, professores fogosos e  alunos frustrados. Garanhuns Centenária quantos segredos, quantas vitórias nestes teus primeiros cem anos de emancipação política! Retalhos são retalhos desordenados e múltiplos.

Nestes tempos de comemorações centenárias renasce no coração de  tua gente e apega-se a tua vontade forte de seguir sempre para o alto conforme as escrituras da tua Bandeira.

Inserido neste contexto de retalhos multi coloridos, cavalguei tuas entranhas, nasceu meu amor por ti e apesar de ser, um cigarro errante que se adapta aos mais variados espaços do cotidiano, já plantei tantas flores neste universo suíço, que a saudade já tomou conta de mim.

Garanhuns Centenária, quantos segredos, quantas vitórias nestes teus cem anos de emancipação política!

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