sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

São Bento do Una

Povoações formadas em sítios na Sesmaria dos Vieiras de Melo e que são cidades sedes de Municípios 

Empregamos todos os esforços e o máximo intento para  constatar o território de qual sítio ou fazenda se formou a povoação que hoje é a cidade de São Bento do Una, porém sendo tudo isso debalde nos  leva ao uso da lógica para não deixarmos de historiar.

Levando em conta a denominação do Sítio Una que se limitava pelo Norte com o Rio Una e pelo Leste com o Sítio Queimada Grande concluímos que no território deste último se organizou o Sítio da Santa Cruz e o lugar de São Bento, já existentes em 1819, conforme tópicos em autos de corpo de delito e devassa, que a seguir transcrevemos na íntegra.

"Traslado do auto de corpo de delito indireto que mandou fazer o Juiz Ordinário Jozé Bento Velozo pelas mortes feitas a tiros de espingarda em o creolo Felis de Tal e Maria de Tal cazada com Manoel Martins no lugar da Cabana ou retiro de baixo termo da Villa de Garanhuns - Escrivão Costa.

"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil oito centos e dezoito aos vinte e trez dias do mez de outubro do dito anno nestes sítio do Reachão em cazas de morada do Juiz Ordinário Jozé Bento Velozo do termo da Villa de Garanhuns da nova Comarca do Sertão de Pernambuco...

"Assentada"

"Aos quinze de setembro de mil oito centos e dezenove nesta Villa de Garanhuns em cazas de appozentadoria do Doutor Dezembargador Ouvidor Geral e Corregedor Antonio Joaquim Coutinho por elle forão enquiridas e perguntadas as testemunhas seguintes de que fiz este termo Joaquim José de Carvalho Escrivão da Correição.

"Francisco José Bezerra, branco, cazado, morador na Fazenda do Poço dôce deste termo idade de sessenta annos que vevi de suas lavras de criar Francisco de Abreu, Cazado, morador no Retiro de Sima...

"José Gomes del Oliveira, pardo, cazado, morador no Retiro de baixo "Theodozio Gomes de Moura, Cazado, morador no lugar de São Bento...

"José Fernandes preto forro, Cazado, morador no São Bento...

"José Fernandes preto forro, Cazado, morador no São Bento...

"João Luiz Pereira, Indio, Solteiro, morador em São Bento...

"Vicente Ferreira da Silva, pardo, cazado, morador no lugar de São Bento...

"Jozé Francisco da Rocha, Semebranco, Solteiro, morador em Una...

"João Alves de Souza, Semebranco, viuvo, morador na Ribeira do Una no Sítio Santa Cruz...

"Jozé Alves de Souza, pardo, Solteiro, morador no Sítio da Santa Cruz...

"João Baptista de Souza, pardo, Cazado, morador no Caldeirão...

"Anastácio Rodrigues, pardo, Cazado, morador no Gurjão.

Jozé Clemente da Rocha, branco, cazado, morador no Sítio Bazilio (187)...

- Logicamente concluímos que nas terras do "Lugar de São Bento" foi organizada a "Fazenda de São Bento" já existente em 1829, talvez por iniciativa de José Rodrigues Valença, pai do Padre de igual nome que nela conforme um dos livros de acentos de casamentos do arquivo da Diocese de Garanhuns, efetuou o casamento de Antônio Roque Pereira com dona Rita Gomes da Silva, em 25 de julho de 1829.

- Conforme consta no mesmo livro de acentos, o padre José Correia de Araújo efetuou nos anos de 1832 a 1833, sete casamentos em São Bento, cujo último foi o de José Cordeiro Muniz Falcão, com dona Maria Jacinta, em 30 de Novembro de 1833, e 11 de janeiro de 1834, efetuou, em Santa Cruz, o casamento de Joaquim Vital de Castro, com dona Joana Francisca.

- Nesse  mesmo ano aos 25 de agosto no Sítio Caldeirão, o mesmo padre efetuou os casamentos dos irmãos José Benevides Falcão e Jacinto Benevides Falcão, respectivamente com as irmãs dona Januária Maria da Conceição e dona Cosma Maria Benevides, eles filhos de João Jacinto de Benevides e de sua mulher dona Ana Jacinta de Jesus, e elas filhas de Joaquim de Benevides Muniz Falcão e sua mulher dona Ana Maria de Jesus.

- O Padre José Rodrigues Valença efetuou em São Bento os doze casamentos havidos no ano de 1839 e os vinte e um havidos no ano seguinte um dos  quais foi o de Joaquim de Oliveira Cintra, cujo acento vamos transcrever na íntegra.

"Aos vinte e nove de maio de 1840 em São Bento o Pe. José Roiz Valença de mª Licença perante as testas. Jozé Alves Bizª Cavte. e Francº Sipriano Cordª. Cazou e deu as Benções a Joaq. de Olivº Cintra e a Leopoldina Carolinda de Vascºs. Elle filho legítimo de Anastácio Coelho Cintra já falecido e de Maria Thereza Cintra e ella filha legítima de  Manoel Igncª de Centra e a nubente da Ilha de S. Miguel vindo ambos pª esta Fregª de menor idade do que mandei fazer asento e assignei. O Vigº Nemezio de S. João Gaulberto, (188).

- Embora não mencionada nos acentos de casamentos, capela do Bom Jesus Pai dos Pobres, conforme parte do documento que a seguir transcrevemos, na íntegra, já existia em 1839.

"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil oitocentos e trinta e nove aos doze dias do mez de Setembro do dito anno nesta Capella do Senhor Bom Jezus Pai dos Pobres em São bento, termo da Villa e Comarca de Garanhuns provincia de Pernambuco, onde eu  Notario da mesma fui vindo para effeito de se proceder a vistoria no cadaver de Fabiano da Costa Pereira, morador no lugar Mimozos do mesmo Distrito, e por não haver Cirurgião algum aprovado diferi o juramento dos Santos Evangelhos a Antonio José de Azevedo e a Manoel João  da Rocha... e eu Lino Coelho da Silva, Notario o escrevi". (189).

- A este tempo, já em volta da referida capela se formava a povoação de São Bento governada pela sua primeira autoridade exercida pelo supra dito Lino Coelho da Silva na qualidade de notário, e para confirmar, ser a mencionada povoação sede de um dos distritos de Garanhuns, vai, a seguir, transcrita na íntegra, uma parte de comprovante documento:

"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e quarenta aos dez do mez d'Abril do dito anno desta Povoação de Sam Bento, termo da Villa e Comarca de Garanhuns, Província de Pernambuco sendo eu Notario deste Distrito de Sam Bento fui vindo para efeito de se proceder a vistoria no Cadacer do falecido Jozé Dionisio de Brito que fora assacinado e não havendo no lugar Cirurgião algum aprovado defery o juramento dos Santos Evangelhos, e eu José Ferreira de Bulhoens o Escrevy". (190).

- Com a criação da subdelegacia do distrito da São Bento ao qual foi incorporado o distrito de paz de Canhotinho, foi extinto o cargo de notário passando Lino Coelho da Silva a exercer o de escrivão e como tal, serviu com todos os subdelegados, pelo menos, até o ano de 1858.

- O cargo de subdelegado, foi exercido em 1842, por Manoel José de Oliveira, tendo como suplente José Clemente da Rocha; em 1848 era exercido por Antônio de Paiva Melo; em 18 de Agosto de 1854, o exercia João de Porciúncula Valença e  o Documento comprovante faz referência a "Freguesia e povoação de São Bento"; Bento José Alves de Oliveira o exercia em 1855 e em 1858 foi sucedido por Joaquim Antônio de Moraes.

- Em eleições realizadas em 2 de setembro de 1848 na Matriz de Garanhuns e o seu resultado apurado em 12 do mesmo mês e ano, obtiveram votos para juízes de paz do distrito de São Bento os cidadãos seguintes: Francisco Teixeira de Macedo, Teodoro Rodrigues Valença, José Alves Bezerra Cavalcanti, João Pereira de Almeida, Rogério das Neves Barreto, José Francisco Calado, João Cordeiro do Rêgo, Bento José Alves, Florêncio Cipriano da Costa, Anastácio José Rodrigues da Costa, Jacinto Teixeira de Macedo e José Rodrigues Valença. (192).

Pela Lei Provincial de número 309 sancionada em 10 de maio de 1853, pelo presidente da Província de Pernambuco, José Bento da Cunha Figueiredo, conforme cópia oferecida pelo digno são bentense senhor Adalberto de Oliveira Paiva ao Dr. Urbano Vitalino de Melo, foi criada a freguesia de São Bento e, consequência, foi a sua capela elevada à categoria de matriz, sendo então, provavelmente, modificando o seu cargo para o do Bom Jesus dos Pobres Aflitos.

- Vai aqui, na íntegra, o que transcrevemos da secção "Há um Século", do Diário de Pernambuco de 5 de Maio de... 1960

"São Bento e Bom Conselho"

"Ambrósio Leitão da Cunha, presidente da Província de Pernambuco. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa provincial decretou e eu sancionei a resolução seguinte:

"Artigo unico. Ficam elevadas à Cathegoria de villas a povoação de S. Bento com a denominação de villa do mesmo nome, e a de Papacaça com a denominação de Bom Conselho, tendo cada uma dellas por termo a respectiva freguesia, derrogadas as disposições em contrário". Lei n] 476, de 3/4/1860.

- Ainda não havia sido instalada a vila de São Bento, quando em 9 de Julho de 1860, compareceu perante o "Conselho Municipal de Recursos", em Garanhuns, uma comissão composta dos cidadãos: padre José de Lima e Silva, João Vidal dos Santos, Antônio de Paiva e Melo, Dionízio José Correia, Francisco Inácio de Paiva, Manoel Batista de Oliveira, José Inácio da Silva Carreira e Manoel Rodrigues dos Santos, "todos pertencentes a Parochia do Senhor Bom Jezus de São Bento deste Município" com petição reivindicando direitos, no qual foi atendida.

- Finalmente, instalada que foi a vila de São Bento, tempos depois da instalação da sua comarca, foi elevada à categoria de cidade que, a poucos anos atrás passou a denominação de São Bento do Una, e é atualmente muito desenvolvido, graças aos esforços dos seus habitantes que, no conceito geral, são considerados como dos mais amorosos ao torrão natal.

Fonte: Livro "História de Garanhuns" / Alfredo Leite Cavalcanti (foto) / Volume II / Garanhuns, Fevereiro de 1973 / Foi mantida a grafia da época. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

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