sábado, 1 de janeiro de 2022

Sociologia Espírita

Dr. Aurélio Muniz Freire (foto)*

A Doutrina Espírita aborda os temas relativos aos Espíritos, bem assim as relações que lhes dizem respeito. Ora, nada mais é o homem senão um espírito encarnado. E, desde que se empreste maior relevância a esse caráter espiritual. Todos estamos engajados num mundo quase infinito de relações. Desse modo, interessa-nos o quanto o Espiritismo dispõe sobre as nossas vidas, no que tange aos costumes, ao nosso comportamento ético. Tudo isso porque, aos postulados espíritas, interessa bem de perto o procedimento humano na sociedade onde viva a criatura.

Denomina-se existencialismo a doutrina filosófica que cuida do quanto possa interessar ao plano existencial do homem. Essa escola ou posição filosófica, à luz dos ensinamentos espíritas, assume conotação de maior relevo, podendo ser compreendida como um real interexistencialismo. Assim entendemos, uma vez que nada está separado no universo. Tudo e todos se interrelacionam. Interexistem. O pensamento antigo  de que  os mortos governam os vivos assume importância bem mais superlativa que a visão dos mortais. Há uma verdadeira interação entre os dois planos: o dos encarnados e o dos desencarnados.

O Espiritismo é uma das grandes sínteses do conhecimento. Assim compreendemos porque a acolhemos como base, esteio da ciência, da filosofia e das religiões. Porém, ao mesmo tempo que ele é estrutura de construção científica, filosófica e religiosa, acha-se no topo de toda essa edificação. Não fosse assim, Kardec não teria enunciado que, quanto mais progridem as ciências, tanto mais se aproximam da terceira revelação. E esse anúncio Kardequiano tem sido testado e comprovado ao longo do tempo.

Diante de tal entendimento, fácil se torna a aceitação de uma Sociologia Espírita, do mesmo modo como se faz tranquila e convictamente a acolhida de uma  Psicologia Espírita. Nossa doutrina, sem sofismas, sem  rodeios, claramente procura explicar a problemática do  homem, nas questões mais sérias a envolverem o seu  destino, respondendo questionamentos como: de onde ele veio, para onde vai e qual o seu destino ou sua finalidade na Terra.

Existem duas lei ou duas normas que, erigindo-se quais princípios norteadores da vida, buscam disciplinar a conduta do homem em sociedade. Uma delas é  a lei dos homens, por estes formulada, passível de erros, falível como seus instituidores. Tem caráter  transitório. A outra, infalível, causadora de toda a evolução, acha-se acima de quantas procurem implantar ordem à humanidade. À medida que o homem se desenvolve moral e  espiritualmente, suas regras de conduta vão se aproximando daqueles preceitos divinos que as embasam e  que, ao tempo, estão em plano superior em relação às primeiras. Há um caráter de permanência nas lei divinas, revestidas de eternidade. Dai a razão de Jesus haver dito não ter vindo para destruir a lei, mas para dar-lhe inteiro cumprimento.

Quanto mais avancem os códigos, quanto mais progridam os sistemas legislativos dos povos, tanto mais se aproximam daquela grande e universal norma do Direito Natural, pois este se assenta na lei de Deus. A lei natural, ou divina, constitui esteio não somente de  quantas codificações existam, mas é também estrutura, sustentação de todas as instituições humanas.  Enquanto vivermos na superfície das coisas materiais, nossa ciência não apresentará grandeza de profundidade. Quando sairmos da periferia do conhecimento, decerto teremos deixado o reinado tão apenas da tecnologia, para, então, vivenciarmos a Era do Espírito. Aí, as ciências serão espiritualizadas, porque o homem ter-se-ia tornado, igualmente, criatura espiritualizada. "Conhecereis a verdade, e a verdade vós libertará". (Jó, 8:32).

*Jurista e escritor / Garanhuns, PE - 2011.

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