domingo, 16 de janeiro de 2022

Terra de gigantes ou de anões?


Clovis de Barros Filho*

São Paulo (SP) - A seleção de futebol tomou de 7 x 1 um vexame para não esquecer. Aos poucos no entanto, vai sendo esquecido e muito provavelmente o comandante cujos canhões na guerra contra os alemães silenciaram, não se sabe bem o por quê, talvez soberba, estará logo logo todo falante de volta. É a era gaúcha na seleção, que deverá durar mais meio século.

Pior do que a seleção de futebol, só mesmo a de basquete. O basquete do Brasil aquele mesmo do qual fiz uma crônica publicada no Blog sob o título Terra de Gigantes, sempre foi um dos cinco melhores do mundo. Bi mundial, várias vezes pan americano, dezenas de vezes campeão na América do Sul. Responsável pela gerações de lendas do basquete como Wlamir Marques, Ubiratan, Rosa Branca, Amaury, Oscar, Marcel e craques fora de série como Carioquinha, Marquinhos, Paulinho Vilas Boas, Cadum, Israel, Marcelinho Machado e tantos outros que não me recordo agora, nosso basquete é uma sombra do que foi. Na última segunda-feira (03), mesmo jogando contra o time reserva dos reservas do Canadá pelo qualifying China 2019, e jogando por uma vitória simples, foi derrotado melancolicamente por 94 x 67 em pleno Ginásio do Corinthians, apresentando um jogo onde o ataque (sempre o ataque) que justamente era nossa maior arma, teve aproveitamento de vergonhosos 32%. Muito se tem comentado sobre as causas que levaram o nosso outrora vitorioso esporte a essa situação vexatória. Uns se queixam da politicagem, outros de campeonatos mal elaborados, outros ainda na pouca divulgação na tv e até no investimento na base. Tem de tudo um pouco. Eu por exemplo, acho que o basquete começou a morrer exatamente como começou a morrer o nosso futebol. Gênios brasileiros, com complexo de vira-latas começaram a copiar tudo que vinha da Europa. Começaram, como começaram os técnicos de futebol a valorizar a defesa e se esqueceram de que só ganha jogo aquele time marca mais gols ou jogador que acerta uma cesta de 3 pontos, põe a bola lá dentro. Muitos técnicos brasileiros que por respeito não citarei nomes, começaram essa história de defesa acima de tudo. Vi jogos onde jogadores de times que dirigiram mesmo próximo à cesta voltarem com a bola para gastar o tempo ao invés de arremessá-la, pois segundo seu treinador, arremessar com menos de 20 segundos era proibido, era precipitação. Depois, completaram a desgraça. Começaram a importar técnicos europeus de escolas vitoriosas mais cujo jogo, histórica e culturalmente sempre se inspiraram numa defesa mais sólida. E ai o que aconteceu? Hoje na seleção não tem um único arremessador confiável. Os jogadores ficam no eterno toma que a bola é tua que me vou. É por isso, que a cultura, os costumes, as práticas e as tradições de um povo não podem ser jogados no lixo de uma hora para outra, com a desculpa esfarrapada da modernidade e que no país A ou B por ser do primeiro mundo, é sempre melhor se copiada.

*Clovis de Barros filho nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Osvaldo Cruz - SP.

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