quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Tudo meu



José Alexandre Saraiva*

Meu Rancho Velho na minha Labiata. Meu doce pé de camboim, meus gomos de cana-caiana recheados com mel de uruçu. Meu Riacho Caçula chuachuando bem no meio do meu doce sítio, a caminho do Rio Feijão. Meu Lajeiro de Sinhá. Minhas pinhas, meus cajus, meus imbus, meus cajás, minhas jabuticabas, minhas tanajuras, minhas castanhas assadas no meu lajeiro milenar. Minha sanfoninha Todeschini 48 no forró do meu pé de serra, meu banho de água mineral na soleira da minha Serra da Bica. Meu Escorrego da Ponte, onde me lançava de peito. Minhas mãos erguidas para o alto no leito do meu açude, segurando o pão doce do seu Luiz do Bar para comer como prêmio depois de vencer o desafio de nadar só com as pernas, de uma margem a outra. Hum, aquele topete de coco naquele meu pão doce quentinho, quentinho! Minha praça Doutor Manoel Borba, meus jogos de chimbra, meu coreto, minha Banda de Música Mariano de Assis tocando nas alvoradas o dobrado “Saudade de minha terra”. O sole mio nascendo por detrás da minha Serra da Bica. O meu por do sol acenando para a minha Rua do Xêxo. Os meus vagalumes nas arandelas do breu alumiando a Boca da Mata e a Queimada do Milho.

É o que tenho tudo meu. 

*Advogado, escritor e músico.

Fotos: Elielma Santos

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