domingo, 16 de janeiro de 2022

Uma garanhuense chamado Ronaldo

Em 12 de agosto de 1936 nascia em Garanhuns o quinto filho de Fausto e Maria Irenita, o primeiro rebento vindo ao mundo na cidade que a família adotou como nossa.

Morreu no dia 11, e, no dia 12 de outubro, quando Rogério faria 36 anos, foi enterrado numa campa comum num dos cemitérios do Recife.

Irmão mais velho que fui teu, creio que não posso contar-te a história com necessária isenção, porque os irmãos carnais e amigos espirituais, como um todo monolítico, tendem a pecar pela falta de isenção, advinda do amor e fraternidade maior.

Mas diante de tua morte prematura não posso calar-me, e, aqui neste jornal da terra (O Monitor), invoco-te o nome e peço aos que privaram da tua amizade e companhia para testemunharem.

Que perguntem ao padre Adelmar quem foi o aluno, em certa época o menor, na idade, e, que no fim da fila, acompanhava os desfiles do 12 de outubro? E o Padre dirá que foste durante todos os anos em que no Ginásio estudaste!

Que perguntem aos teus contemporâneos o que  representasse para ele? E eles todos dirão uníssonos a criatura alegre, brincalhona, que teu ser encarnava!

Que perguntem aos teus colegas de Faculdade, onde, em 1959, saíste bacharelado em Direito, laureado como melhor aluno, e, eleito por  unanimidade, orador da turma? E eles, de todos recantos de Pernambuco e/ou espalhados pelo País, saberão fazer justiça!

Que perguntem aos procuradores do IPSEP, onde por concurso público, foste um deles, qual a performance de tua atuação durante décadas?

Que consultem lá no Além o professor Joaquim José de Almeida, catedrático da cadeira da ciência de Introdução ao Direito, de quem foste assistente na velha casa de Tobias?

Cadeira, que mais tarde, também por concurso, vieste a ocupar até que a morte veio buscar-te!

Que perguntaram aos advogados de ofício do Estado, titulados e de renome, qual o teu comportamento como um deles? Ainda bem jovem já substituías, por concurso - como em todos os cargos que em vida ocupaste - a Oswaldo Lima Filho!

Que perguntem a Luís Souto Dourado, quando Secretário de Estado dos Negócios da Justiça, porque te escolheu para seu Consultor Jurídico?

Que perguntem à Jânio Quadros, a Cordeiro de Farias  por que  te indicaram para prefeito de Macapá e Secretário Geral do Território do Amapá?

Que perguntem aos teus companheiros da OAB teu desempenho, em certa época, como conselheiro ordem?

Que perguntem à Congregação da Faculdade por que  foste indicado para vice diretoria, e, com o professor Mário Batista, diretor gerisse os  destinos do sodalício jurídico de ensino?

Com a morte do titular, ficaste vários meses na direção da Faculdade, onde entraste e só saíste por imposição da morte?

Que perguntem ao professor Pinto Ferreira, com quem integraste uma lista tríplice, para que o Ministro da Educação escolhesse um para diretor, sendo o 'monstro-sagrado' o escolhido, mas tu também o foste para permanecer na vice diretoria?

Durante um quarto de século - desde a formatura até o dia em que morreste - sempre foste da velha Faculdade!

Tua banca de advocacia, suponho, poderia ter rendido mais pecúnias se a ela tiveste dado maior dedicação de tempo de trabalho. Mas tua meta de vida profissional foi o ensino da tua  cadeira de ciência à introdução do Direito, da qual nunca de afastaste.

Que perguntem aos teus ex-alunos, aos teus colegas professores, dentre eles Marcos Freire e Roberto Magalhães, quem foi uma garanhuense chamado Ronaldo?

*Rinaldo Souto Maior / Jornalista, cronista e historiador / São Paulo, 24 de Novembro de 1984.

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