segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Garanhuns Antiga


Por Ígor Cardoso*

O assassinato do 5º bispo de Garanhuns, Dom Expedito Lopes, pelo padre Hosana de Siqueira, em 1º de julho de 1957, repercutiu em todo o mundo, chegando a ser considerado "o crime do século". Para além da excepcionalidade em si do fato - falava-se em apenas dois outros casos análogos em toda a milenar história do catolicismo; a Igreja, à época, enfrentava duras críticas por seu suposto conservadorismo. Estávamos às vésperas do Concílio Vaticano II (1962-65), que discutiria temas considerados delicados, flexibilizando-os face às demandas dos novos tempos. Nesse contexto, o homicídio ocorrido no seio da Diocese de Garanhuns foi tratado como um caso emblemático, um "sinal dos tempos", a demonstrar o esgotamento do modelo institucional então ainda vigente. Segundo um conceito atual, o bispo passou a sofrer uma revitimização: fatalmente vitimado pelo padre, foi culpabilizado também pela opinião pública, que o taxou de desmedidamente rigoroso. A ampla reabilitação de Dom Expedito só ocorreria em momento mais recente, quando novos e surpreendentes documentos vieram à tona, revelando nuances antes ignoradas do comportamento do padre. Aos interessados, o melhor estudo sobre o caso continua sendo o clássico "A Bala e a Mitra", de Ana Maria César (prefiram a última edição, de 2007, já com as novidades). Na forte imagem, vemos o arcebispo de Olinda e do Recife, Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, emocionado diante do corpo sem vida do colega.

Fonte: https://www.instagram.com/garanhunsantiga/

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