terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Garanhuns Antiga


Ao tempo destas lembranças, hoje, transformadas em livro, somente as grandes cidades tinham agências do Banco do Brasil S/A, ainda hoje, o maior estabelecimento bancário oficial.

Banco do Governo, emissor e controlador de toda a política monetária, o Banco do Brasil, hoje se expande por várias cidades do nosso Estado.

Segundo trabalho do escritor Flávio Guerra, intitulado "Um breve estudo histórico sobre o sistema bancário de Pernambuco", informa-se que data de 1913, nascia o início das atividades do Banco do Brasil em Pernambuco, sendo aberta sua filial do Recife, em 12 de agosto do referido ano de 1913.

O escritor Flávio Guerra, assim informa o acontecimento: "Somente chegando os meados da segunda década do nosso século foi que se inaugurou, em janeiro de 1913, um banco de procedimento mais audaz e métodos mais modernos: O Banco Auxiliar do Comércio. E logo mais, a 12 de agosto do mesmo ano, era aberta, afinal, no Recife, uma filial do Banco do Brasil, que se manteria injetando sangue novo à praça e resistindo até os nossos dias, como uma garantia para grandes negócios bancários.

Naqueles dias, a Associação Comercial de Pernambuco, telegrafava ao Presidente do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro: "Associação Comercial, congratula-se e agradece a Vossa Excelência resolução instalação filial Banco do Brasil nesta praça vg grandes benefícios prestará mesma pt Saudações Barão de Casa Forte - Presidente". Aliás, deve-se recordar nisso o interesse e o apoio decidido, tomado entre 1911/1915 pelo referido Presidente, do estabelecimento oficial de crédito no País, Conselheiro João Alfredo Corrêa de Oliveira, pernambucano de nascimento, muito radicado na sua terra e figura política nacional das mais respeitadas e acatadas desde os tempos do Império.

Depois, portanto, da abertura da filial do Banco do Brasil no recife, em 1913, graças à decisão do Conselheiro João Alfredo, foi que o  "campus" bancário pernambucano começou. Afinal, a alargar-se cada vez mais, seguro e objetivo, até alcançar o brilhantismo dos nossos dias.

Sete anos depois da instalação da filial do Recife, isto é, nos anos de  1920, segundo notícia em anúncio dos jornais de 1931, o Banco do  Brasil teve a sua agência inaugurada em Garanhuns.

A cidade começava assim a se transformar em importante centro comercial, onde predominava já em ascensão o seu comércio cafeeiro".

Convém lembrar, que o Banco do Brasil trouxe realmente, ajuda inestimável para os agricultores e o comércio de Garanhuns graças ao trabalho inteligente de vários dos seus gerentes, que fugindo muitas vezes das normas frias e rígidas dos seus regulamentos, ia ao encontro muito e acertadamente, dos que o procuravam para sustentação de suas safras e  negócios.

Entre os que se destacaram como verdadeiros filhos da terra, à frente dos negócios do Banco, são ainda lembrados: Audifax de Aguiar, José da Guia Cabral (o seu filho Aloísio Cabral, alto comerciante na cidade), Aristides Barcelos, Artur Napoleão Goulart e Ariosto de Belli.

Assessorando diretamente a Gerência, nos seus serviços jurídicos antes mesmo de formado, vamos encontrar Sátiro Ivo Júnior, ou melhor o nosso Ivinho, como era conhecido pelos seus íntimos. Ivinho, apesar dos trabalhos no Banco, era jornalista vibrante, defensor intransigente dos princípio que defendia com muito entusiasmo. 

Ivo Júnior, intelectual, acadêmico e depois advogado, esteve à frente do "Diário de Garanhuns", como seu diretor e redator responsável, em uma das fases mais agitadas do movimento revolucionário de 1930.

Residindo em Recife, ocupou vários anos, a chefia  jurídica do Banco do Brasil S/A. Autor de vários trabalhos jurídicos, entre os quais se destaca "O Cheque Cruzado", Ivo Júnior, filho ilustre de Garanhuns, também se incorporou ao movimento modernista literário, tendo publicado na "Revista de Garanhuns", no seu terceiro número, o seguinte poema:

Natal da Saudade

Eu me recordo com saudades do Natal quando era bem menino.

Esperado com ansiedade...

Cheio de sensações...

A rua da igreja onde havia uma porção de barraquinhas verdes de palhas verdes, verdes como as nossas esperanças daqueles tempos, ficava cheia de gente.

Gente sem maldade... sem ostentação...

Nas barracas, à mostra, tentadores, lá estavam os gostos copos de capillé, rubros como desejos da garotada sedenta para bebe-los todos um por um.

No Natal da minha adolescência onde o artista TEMPO mudou e a  lapinha passou a ser iluminada com pequenas lâmpadas elétricas eu não vejo mais aquela encantadora ingenuidade antiga.

Substituíram os meus copos de capillé

Os lábios de "baton" das mulheres chics.

Lábios para beijar...

Lábios para fascinar também...

(Ivo Júnior - Dezembro, 1930).

Fonte: Alfredo Vieira | Garanhuns do Meu Tempo | 1981.

Foto: Avenida Santo Antônio, lado esquerdo prédio de primeiro andar o Banco do Brasil. Créditos da foto: Instagram #garanhunsantiga.

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