terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Garanhuns fulgura, também, pela sua história

Por João Marques*

Invocando a presença de personagem importante da História do Brasil, o mestre de Campo Domingos Jorge Velho, e o não menos vultoso acontecimento da destruição dos  Palmares, em 1694, é que tem início a história de Garanhuns. Os cartórios da cidade guardam, em velhos livros, os mais preciosos documentos dos primórdios do surgimento de Garanhuns. A povoação negra, com os quilombos que permaneceram, após à morte do negro Zumbi, líder e chefe da "República dos Palmares", de cuja área territorial faziam parte, também, serras e vales de Garanhuns.

O historiador Alfredo Leite Cavalcanti, para escrever o livro História de Garanhuns, procedeu à intensa pesquisa nos  cartórios da cidade, folheando os grandes livros de registro, que atravessaram o tempo. E com isso, não só contou a história de  Garanhuns, mas de muitas cidades da região.

A paisagem serrana, é certo, vinha sendo habitada por índios cariris, fugitivos do  Norte, e por vaqueiros que se fixaram em  Pernambuco, procedentes das históricas entradas do Rio São Francisco. Currais e fazendas de gado dominavam, pouco a pouco, os vales. E, com o nascimento da mestiça Simôa Gomes, em 1693, é, daí, que se efetiva o começo da povoação, com os negros foragidos, os índios e os vaqueiros. Simôa Gomes, nativa, filha de uma índia e neta do paulista Domingos Jorge Velho. Essa mulher é a figura principal da história, representando o começo da povoação. Herdeira, depois, da Fazenda Garcia, "Tapera" mais tarde, sofrido incêndio provocado pelos negros revoltosos. De maior relevo histórico foi a doação de parte das terras à Confraria das Almas. Anos depois, essas terras foram  incorporadas ao patrimônio público, por decisão judicial. E desde 1699, por força de Carta Régia, já havia sido criado o Julgado de Garanhuns, da Capitania do Ararobá. Em 1762, passa a capitania a ser Povoação de Santo Antônio de Garanhuns, como sede da divisão territorial.

Alfredo Leite Cavalcanti narra, assim, o  começo propriamente dito da povoação: "Com a criação do Julgado, que recebeu o nome de Capitania do Ararobá, e da Freguesia de Santo Antonio, sob a forma de  Curato, em 1699, para aqui se removeram as autoridades, inclusive o Cura, também Vigário da Vara, tudo deixando crer fosse o local da atual praça Irmãos Miranda o ponto escolhido para a construção de suas residências, iniciando-se ali a povoação do Ararobá, a futura cidade de Garanhuns. Eram as autoridades constituídas, naquela época, um Capitão-mor, ou Comandante Superior, um Juiz Ordinário, um Tabelião, dois meirinhos, um Vigário da Vara e uma força de milicianos, ao todo, cerca de quinze casas, inclusive a que deveria servir de  cadeia".

E, no tempo de mais de 320 anos, Garanhuns - palavra formada da corruptela "guarás e anuns", animais e aves, respectivamente, abundantes no lugar - se torna cidade próspera do interior de Pernambuco. Em 1811, é vila e município, com demarcação territorial. E só a 4 de fevereiro de 1879, Garanhuns se torna cidade, saindo da categoria de vila. Coube o feito ao deputado Silvino Guilherme de Barros, Barão de Nazaré, através de projeto aprovado pela Lei 1.309, da assembleia da Província de  Pernambuco.

*Escritor, poeta, jornalista, cronista, editor/redator do jornal O Século, autor do Hino de Garanhuns e ex-presidente da Academia de Letras de Garanhuns - ALG.

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