sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

História de Garanhuns

Costumes Antigos - Em 1887, para abrilhantar as festas da inauguração da estrada de ferro, foi criada uma banda de música, e daí por, diante a população se divertia assistindo as retretas que eram efetuadas. Também conjuntos de músicos da mesma banda percorriam as ruas da cidade em noites de luar.

Nesses românticos passeios, iam executando peças musicais, de preferência valsas e assim se divertindo, divertiam também os que lhes acompanhavam, como as pessoas residentes nas ruas que iam percorrendo.

Aos poucos o trecho da estrada de ferro, em linha reta, existente logo depois da estação, foi utilizada para passeios, e nas tardes de domingo e dias  santificados ficava repleto de famílias. A convivência da população com as famílias que, do Recife ou de Maceió, aqui chegavam, deu lugar a adoção de saraus e, com a continuação fora também adotados os bailes.

Em todas as classes sociais os acontecimentos de jubilo, principalmente os casamentos, batizados e aniversários, eram festejados com bailes que, quase sempre começavam às primeiras horas da noite e se prolongavam até o alvorecer do dia seguinte. Os bailes efetuados pela classe abastada, eram ritmados por  orquestra composta de elementos da classe média, por harmônica e sanfona. Enquanto isso os bailes da classe pobre eram seguidos de cânticos, sapateados e ganzá. Nos bailes da primeira classe, eram dançados: lanceiros, quadrilhas, mazurcas, polcas, xotes e valsas. Com exceção dos lanceiros, as demais peças eram dançadas pela classe média, enquanto que a classe pobre, dançava: cocos, sambas e rodas de parelhas trocadas, bem como sapateados sendo estes exibidos através de engraçados trejeitos entre os quais as "umbigadas" que eram retribuídas, acompanhadas por estalos dos dedos das mãos.

Quase sempre os bailes das classes abastadas, a certa hora eram interrompidos par dar lugar a uma hora de arte, na qual eram declamados poemas.

Essas declamações incutiam em alguns elementos da mocidade e gosto pela cultura da Musa, e pouco tempos depois declamavam as suas próprias produções. Quando a cidade, com as facilidades de transporte pela estrada de ferro conseguiu suficiente desenvolvimento, começou a ser visitada por circos e conjuntos de representações teatrais, o que proporcionava proveitosas diversões, especialmente os conjuntos, pois serviam de estímulo para organização de sociedade de cultura da arte de representar. Durante as festas natalinas e daí até o dia de reis, a população se divertia com os aparentes "reisados" e as "cheganças". Os reisados se compunham de pessoas com trajes aberrantemente enfeitados de fitas e espelhos, sob o ritmo cadenciado por dois violeiros ostentando laços e fita, o mesmo acontecendo com as violas. Cantavam, dançando engraçados bamboleiros. As cheganças eram compostas de duas alas, com os seus componentes trajados à marujo, representando cristãos e mouros que, sob o ritmo de pandeiros, praticavam evoluções, cantavam jornadas e simulavam combates dos quais os cristãos saiam vitoriosos. (Fonte: História de Garanhuns | Alfredo Leite Cavalcanti (foto) | Volume II | Fevereiro de 1973).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Frase do dia

"A alegria está em tudo; precisamos saber extraí-la." ( Kong-tsé , mais conhecido como Confúcio [551-479 a. C.], filósofo chinês).