sábado, 19 de fevereiro de 2022

História de Garanhuns

AS FESTAS JUNINAS NO INÍCIO DO SÉCULO XX - As três noites de festas juninas proporcionavam muitas diversões, e começavam com a noite de Santo Antônio, na qual o cidadão deste nome a festejavam com fogueiras na frente de suas residências, soltando foguetes e alguns deles realizavam bailes. Daí a noite de São João desenferrujavam-se: roqueiras, clavinotes, "riunas" e bacamartes. Das noites de festas juninas, a de São João era a mais festejada. Durante o dia, principalmente os cidadãos em cujas residências iam realizar-se bailes, se abasteciam: de massa de mandioca, com que suas famílias preparavam os bolos chamados "pé-de-moleque", espigas de milho verde, tanto para o preparo de canjicas, pamonhas e bolos, como para serem saboreados cozidos ou assados. Havia estoque de lenha para a fogueira, pólvora e fogos. Os fogueteiros passavam todo o dia ocupados em despachar os compradores de busca-pés de limalha e pólvora.

Ao por do sol, as fogueiras estavam armadas e ornadas com bananeiras ou galhos de árvores plantadas em seu redor. As salas das residências onde iam se realizar os bailes, eram enfeitadas com cordões embandeirados, e as fachadas com lanternas. Ao anoitecer, acendiam-se as fogueiras, sob a saudação de "Viva o Senhor São João", seguida de foguetes que subiam ao espaço, e salvas com tiros que, principalmente os de ronqueiras, assemelhavam-se aos canhões. Depois da ceia começavam os bailes, quase todos, ritmados pelo canto do cocos e rodas. Os que enfrentando as batalhas e busca-pés, travadas pouco tempo depois da ceia passeavam pelas ruas e verificavam que, pelo menos, em uma das casas de quase todas elas havia bailes.

A seguir, vamos registrar algumas estâncias que eram cantadas para ritmar as danças de roda:

"Chega chega Cariri

As caboclas te chamam

E tu não queres ir"


"Ciranda cirandinha

Vamos todos cirandar

Vamos dar a meia volta

Volta e meia vamos dar

Vamos dar a outra meia

Cavalheiro troca o par"


Estou preso meu bem estou preso

Estou preso por um cordão

Me solte meu bem me solte

E me prenda no coração".

A meia noite suspendiam-se as danças, para terem lugar os pulos da fogueira, o que era feito um a um, ou mesmo por pares segurando a mão um do outro. Esse momento era aproveitado também para as consolidações de amizade por meio dos compadrescos que consistia em duas pessoas em aperto de mão, junto à fogueira, recitaram ao mesmo tempo, e em voz alta por todos ouvida, as seguintes frases:

"São João dormiu

São João acordou

Vamos ser compadres

Que São João mandou

Viva São Pedro

Viva São Paulo

Viva nós compadres" (ou comadres)

Depois dos pulos das fogueiras e dos compadrescos, vinha uma vasilha com água para a luz da fogueira servir de espelho para as pessoas que desejassem saber se viveriam até a noite de São João do ano seguinte, pois uma crendice ensinava que - aquele que, assim não visse a figura do seu rosto, morreria antes daquela noite - e como o espelho era favorável a todos, ao mesmo, prorrompia-se por isso a costumeira saudação - viva Senhor São João!. Após, voltavam ao baile que prosseguia até o nascer do sol do outro dia. Neste dia,  encontravam-se algumas pessoas que haviam tomado parte em batalhas de busca-pés, com uma das mãos em tipoia, e que estava queimada pelo busca-pé que deu "gibu" explodindo na mão do batalhador.

- A noite de São Pedro, era festejada pelos cidadãos deste nome tal qual a de Santo Antônio, e assim terminava as festas Juninas. (Fonte: Alfredo Leite Cavalcanti (foto) | História de Garanhuns | Volume II | Fevereiro de 1973).

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