sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

História de Garanhuns

Carnaval no início do século XX - O carnaval era  a diversão que mais empolgava a população que, durante a sua fase, o festejavam com o entrudo, desfile de cordões, de blocos, de troças e do conjunto de mascarados além de um maracatu.

Era relativamente grande o número dos cordões que desfilavam cantando marchas apropriadas aos festejos. E todos ritmados por músicas que  davam harmonia aos cânticos. Uns por orquestra, outros por harmônicos - sanfona - e os demais por conjuntos de violinistas. Para exemplificar, poderemos citar os nomes que nos ocorrem à memória: o das Pás, sob as direções de Argemiro Tavares de Miranda, Tomaz Neves, Zusart, Bernardino Ferreira Guimarães e Sátiro Ivo da Silva, o da Primavera, sob a direção de Martiniano Esteves; o Leão do Norte, dirigido por Santino José de Oliveira Mucuri; o 21 de Fevereiro, sob a direção de Tomaz da Silva Maia; o dos Artistas, por Fernando Lima de Melo; e os dos Ciclistas, dirigido por Euclides Ferreira de Melo e Antônio Pantaleão. O maracatu, com a denominação de Cambina Velha, era dirigido por um  senhor negro conhecido por Antônio Três Quinas e ritmado por instrumentos de percussão.

Na noite da véspera do Carnaval, componentes de quase todos os cordões, formavam um só bloco, puxado pelo conjunto das duas orquestras, percorrendo as principais ruas da cidade conduzindo uma enorme lanterna com a caricatura do "Zé Pereira". Na primeira metade de cada dia de Carnaval realizavam-se desfiles de mascarados, chamados "papangus" e apresentavam várias maneiras de divertir o público, entre as quais, eram pauladas nas costas, uns dos outros, que eram protegidos por almofadas colocadas por baixo das vestimentas que empolgava a garotada.

Às tardes e parte das noites, eram os desfiles dos cordões executando bem ensaiadas evoluções, cada um com o seu estandarte, caprichosamente confeccionado, conduzido por um dos componentes com traje distinto.

Quando acontecia que dois cordões desfilando em direção inversa se encontravam, em cumprimento atendendo à pragmático, uniam os estandartes em  forma de cruz, "os balizas" praticavam evoluções e conjuntamente executavam bamboleiros.. Nessa altura, as orquestras, frente à frente, empregavam esforços para "abafar" uma a outra, e depois de tudo isso cada cordão prosseguia no seu itinerário. A seguir, mencionaremos algumas copias do que cantavam os componentes de cordões nos desfiles:

"Nem aqui nem no Recife

Nem no Rio de Janeiro

O clube que está na ponta

É o vinte e um de Fevereiro"


"As velhas venham também

Para a porta principal

Ver o clube dos Artistas

Divertindo o Carnaval"


"A primeira gosta das moças

E as moças dela ainda mais

a primavera vai-se embora e volta

E a mocidade não volta mais"


"Saí-te bode olá frei bode

Deixa de tanto amolar

A tua barba está fedendo

De sorte a nos causar mal.

Toma a tua bicicleta

Brinquemos o carnaval"

A certa hora da noite do último dia, em local combinado, os cordões se reuniam num só bloco e assim percorriam diversas ruas cantando a marcha  da  despedida, cujo estribilho vamos ensinar:

"Adeus adeus

Não chore não

Fica para o ano

Se ainda houver função"

Terminado o referido percurso, os cordões se recolhiam às suas sedes, onde  se realizavam bailes que duravam por todo resto da noite.

O emprego de tintas, féculas de mandiocas, água, farinha de trigo, etc., era  o que havia de detestável durante as festas carnavalescas dos tempos passados. Entretanto, com o passar dos anos, o emprego de tudo aquilo, foi pouco a pouco substituído pelo emprego de pó de arroz, talcos, bisnagas contendo líquidos perfumados, confete e lança perfume. Igualmente, o número de cordões que desfilavam foi, anos após anos, diminuindo e as marchas cantadas nos desfiles foram por sua vez caindo em desuso, com a adoção de orquestras maiores, até reduziram-se a dois cordões que se extinguiram após três anos de fundado. Atribuímos a duas causas principais o arrefecimento do entusiasmo nos desfiles dos cordões: o uso do  "corsos" de automóveis e a fundação de clubes de diversões.

Os dois últimos cordões ambos bem disciplinados, se denominavam: "Clube das Pás Douradas" e "Seu Macaíba". Exibiam-se nos desfiles com os seus componentes, especialmente os porta estandartes, uniformizados com luxuosas fantasias e puxados por grande orquestra.

O "Seu Macaíba" era  simbolizado por uma exótica e gigantesca figura de homem que nos desfiles era conduzida por pessoas ocultas no seu interior e  assim desfilou no primeiro ano de sua fundação.

No segundo ano, a figura de "Seu Macaíba" foi ladeada com outra figura de mulher - "Dona Maria Lúcia", com que houvera se "casado", e no terceiro e último ano, ia à frente do "Casal" o seu travesso filho - "Tony".

Os associados do cordão pretendiam aumentar a "prole do casal", porém o carnaval de salão, festejado nos clubes de diversões, obscureceu o de rua e o cordão se extinguiu, e bem assim o "Pás Douradas". (Fonte: História de Garanhuns | Alfredo Leite Cavalcanti (foto) | Volume II | Fevereiro de 1973).

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