domingo, 27 de fevereiro de 2022

História de Garanhuns

Tenente-Coronel Francisco Veloso da Silveira | Grandes Vultos da CidadeO destaque da época não era a integração partidária que não existia ainda. Estávamos nos pródomos do regime republicano. A equação política ressentia-se de seus devidos termos. Refazimento de  leis não era prova concreta do poder. Havia muita restrição entre os que pretendiam ser, na nova ordem, a voz de quem não tinha voz. Dos que em matéria de competição se acomodavam. A escolha tinha um critério individual. Os homens consolidavam as suas simpatias, no grupo político, de acordo com o comportamento de cada um. Levando-se em conta a estabilidade econômica. A riqueza tinha muita influência.

Essa plutocracia atingiu o seu ponto alto. Não seria fácil um homem pobre penetrar e dominar o terreno das ocorrências políticas. A mentalidade latifundiária exercia plenamente, o seu domínio. Só os que viviam dentro do mesmo círculo, poderia revelar o seu pensamento. As funções não transigiam dos seus sistemas. Nesse sentido muita cautela seria aconselhável. Ninguém ousaria comprometer a sua liberdade de sentir,  de pensar. Em certos setores o homem era  confinado aos limites que lhe eram impostos pelas obrigações. Os direitos eram convencionados as obrigações do império da vontade dos chefes. As eleições se processavam de modo comprometedor. A democracia não tinha sentido. Quem tivesse o que perder não ousaria votar contra o governo. Mesmo assim a força indomável da consciência revela-se. Muitos, jamais se submetiam. Considerando que sem liberdade de pensar, o homem não pode viver com dignidade. Nada  de grande se realiza,  em qualquer circunstância, senão por intermédio de um grande homem. E, os grandes homens se revelam através de sua maneira de agir e pensar livremente. Entendendo dessa maneira, mesmo  como simples cidadão esteve presente a todos  os movimentos de ordem e patriotismo. Conquistou a confiança de seus correligionários e partiu para o terreno das competições.

Tenente-Coronel Francisco Veloso da Silveira, nasceu em Garanhuns. Foi eleito prefeito em eleições realizadas para a formação do quinto governo municipal autônomo. Isto aconteceu no dia 10 de julho de 1904. Na sua  administração muitas coisas de interesse da   comunidade foram realizadas. A sua visão política concentrou-se no  sentido de melhorar a  iluminação pública. 

Transformou o lampiões de querosene. Colocou postes de madeira. A Rua Santo Antônio foi servida por estes postes, à luz de carbureto. Calçou algumas ruas da cidade. Era um homem de larga visão. Circunspecto e muito compenetrado dos seus  deveres. Amigo do progresso da terra.

Autêntico representante do poder moderador. Jamais contribuíra para o desequilíbrio das forças positivas do seu município. Como vereador foi muito combativo. Não se acomodava quando a sua cidade precisava de sua cooperação. As forças políticas, por  circunstâncias óbvias, afastaram e dispensaram os chefes da oposição. Sempre ao lado dos seus amigos. Correspondeu com dignidade o prestígio que o  conquistara pelo exemplo e dignidade de um verdadeiro homem público.

Tenente-Coronel Francisco Veloso da Silveira, nasceu na "Terra do Magano" e nela viveu com os olhos fitos nas suas belezas naturais. O destino lhe reservara uma morte trágica. Foi morto na hecatombe de 1917. Talvez, por ter sido um dos primeiros homens que mais lutaram pela emancipação de sua terra natal. É pois, mais  um homem digno que  foi vítima propiciatória da maldade humana. É mais um vulto da nossa cidade. A sua vida foi, sobretudo, um exemplo de bondade e civismo.

*Dr. José Francisco de Souza | Advogado, jornalista, cronista e historiador | Garanhuns, 08 de Julho de 1978. 

Clique no link abaixo e saiba mais:

https://www.anchietagueiros.com.br/2022/01/historia-de-garanhuns_600.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Em 1935 Lampião leva pânico aos moradores de Garanhuns

Noites de inquietação e pavor de 26 de maio  a 1º de junho, em Garanhuns, com as notícias de Lampião nas proximidades. De fato, no dia 29 de...