terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

História de Garanhuns

MANOEL QUINTÃO - Todos nós temos a nossa cruz para carregá-la e temos também o nosso Monte de Oliveiras que serve de alimento ao nosso Espírito. Para isso lutamos longamente para que um dia tivéssemos as mãos livres para alcançar o fruto da verdade. Um pouco de razão, uma semente de sabedoria espalhada, de estrela em  estrela. De milhões de vidas que renascem e se completam nas gravitações da pluralidade dos mundos existentes. Isto vem acontecendo desde antes. Depois e no momento em que o homem tomou consciência de si mesmo. Talvez nesse sentido nada se diz - quando se pensa em dizer muitas coisas. No mundo da cultura, a inteligência se revela através da grandeza de calarmos sobre nós. Mas, não devemos guardar nunca o segredo do valor dos que foram nossos conterrâneos uns, e contemporâneos outros. Dos que nasceram e viveram em  nossa terra - essa parte do mundo em que  se recebe a influência celeste em todas as coisas. A vontade começa soprar no ouvido do intelecto. E o intelectual por si, transforma-se em força criadora de possibilidades. E, existe consonância em tudo que  ele faz, nos gestos, nas atitudes, sobretudo, na grandeza de calar. Respeitar os  profundos arcanos do silêncio é o comportamento de uma alta esfera do Espírito: é o comportamento verdadeiro do porta. MANOEL QUINTÃO fez de sua terra, o cenário de suas virtudes intelectuais. Assíduo colaborador do mundo em que dominava a inteligência. Ajudou a fundar e a crescer muitas sociedades de letras e artes: Recreio Familiar foi uma das figuras importantes dessa organização de cultura. No teatro foi uma das figuras de destaque. Por força das circunstâncias fixou residência na Capital.  Recife foi o centro de suas atividades profissionais, era um notável contabilista. Foi muito tempo secretário do Colégio Chateaubriand, função que  relevou mais uma das suas qualidades culturais. Isto porque, conquistou prestigio e respeito dos diretores do referido estabelecimento de ensino. Espírito voltado às grandezas cívicas. Gostava de prestar sua colaboração, ao brilho das nossas passeatas. Os Colégios garbosamente integrados no cumprimento de seus deveres. Em posição de sentido, ouviram uma das filhas do vate garanhuense, declamar o belíssimo e inspirado poema em prosa, ORAÇÃO À BANDEIRA (Afonso Celso). Isto para nós, representava o ponto alto do engenho e arte da época. Daquele  momento,  começamos a tomar conhecimento da responsabilidade que teríamos de em tempo oportuno dizer das virtudes cívicas, algo da vida intelectual, dessas figuras humanas incomparáveis. Poeta inspirado e de fina sensibilidade mental. Colaborou em vários jornais da terra. O "Álbum de Garanhuns" publicou com merecido destaque algumas de suas produções poéticas. O soneto à memória de seu genitor, segundo o nosso entendimento, foi uma das melhores de sua lavra. Lia muito os escritores do seu tempo. Adorava os poetas, especialmente: Bilac, Raimundo Correia - o poeta da "Pombas" e do  "Mal Segredo". Antônio Tomás "Contraste", Alberto de Oliveira e muitos outros eram os seus  mestres espirituais. Religioso, católico praticante não se apartava de um rosário.

No sentido religioso como todo bom  intelectual  considerava "Santo Tomás de Aquino" o expoente máximo da Teologia Católica. As religiões, como a psicanálise reconhecem que a capacidade de amor  constitui a realização máxima, mas também a mais fácil, se excluímos do conceito de amor as modificações coerentes. Em nenhuma religião existe céu para os que odeiam. Pois não existe prova mais convincente de que o princípio: Ama teu próximo como a ti a mesmo. Traduz a norma fundamental da existência humana, de que a violação constitui a causa básica de infelicidades e de doenças mentais, do que  se  evidencia no curso das  análises. Os sintomas neuróticos derivam, em última instância, de uma capacidade de amar, entendendo-se por amor o conjunto de preocupações, e responsabilidades, respeito e compreensão, aliadas a um desejo sincero de cooperar para o desenvolvimento e para felicidade da pessoa amada (Fromm).

O poeta  Manoel Quintão - foi um intelectual de alta importância para nós.  Consciente de sua capacidade. Amigo da grandeza moral da terra que lhe serviu de berço. Faleceu já de idade avançada. Os seus dias aqui na terra foram relativamente bem vividos. Muito considerado criou grande círculo de amigos.

*Dr. José Francisco de Souza | Advogado, jornalista, cronista e historiador | Garanhuns, 27 de Agosto de 1977.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

História de Garanhuns

Turma de Concluintes do Curso de Contabilidade do Colégio Diocesano de Garanhuns de 1969. Foto -  1ª fila da direita para a esquerda:  João ...