segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Ivo Amaral, o homem, o político uma personalidade

Por Valdir Marino*

Ivo Tinô do Amaral nasceu em 13 de fevereiro de 1934 na Fazenda Salobro, hoje Povoado Imaculada do então distrito de Lajedo, por sua vez município de Lajedo, onde passou parte de sua infância, quando, aos 12 anos, no dia 8 de fevereiro de 1946, veio a Garanhuns como aluno interno do Colégio Diocesano, ficando até o ano de 1951 sob a orientação do Monsenhor Adelmar da Mota Valença.

Durante 5 anos, foi interno do antigo Gynnasio de Garanhuns (Colégio Diocesano). Ao sair do internato, continuou residindo em Garanhuns com seus pais que  deixaram a Fazenda Salobro e se mudaram em definitivo para a Suíça Pernambucana, residindo na Rua Sátiro Ivo, no bairro do Magano.

Suas irmãs passaram também a estudar em Garanhuns no Colégio Santa Sofia. Após algum tempo, os pais de Ivo Amaral compraram um casa na Rua Dr. José Mariano, 611, onde passaram a morar. Ismael Tinô e Silva, faleceu aos 48 anos de idade no ano de 1953. Nesta época, Ivo estava em  Recife onde foi cursar o terceiro (3º) ano Científico tendo concluído quando teve que voltar a Garanhuns, para cuidar de sua mãe e suas irmãs.

Dom João da Mata Amaral, seu tio por parte de mãe, arcebispo no Rio de Janeiro, conseguira para Ivo Amaral um emprego na Secretaria de Agricultura e Indústria e Comércio do governo do Estado de Pernambuco, em 1953. Iniciou a vida trabalhando para o Governo do Estado, quando em 1963, o senhor Amílcar da Mota Valença se  candidatou a Prefeito de Garanhuns, convidando Ivo Amaral para ingressar no seu partido PSD (Partido Social Democrático), e o grupo em que estava formando, sendo também um dos candidatos a vereador. Sendo Amílcar irmão de Monsenhor Adelmar da Mota Valença, considerado seu  protetor, Ivo não se negou e aceitou o convite.

Amílcar é eleito Prefeito, pela primeira vez numa votação grandiosa e considerada em nível de Brasil, uma  revolta da população elegendo um candidato popular contra todas as demais lideranças políticas em Garanhuns, no dia 18 de agosto de 1963.

Ivo Amaral e família

Ivo Amaral iniciava sua vida política aos 26 anos de idade se elegendo Vereador. O mandato de Ivo, curiosamente de quatro (04) anos, durou cinco (05) anos por conta de uma  prorrogação de todos os mandatos no Brasil, em 1964, quando o Presidente Castelo Branco prorrogou os mandatos dos prefeitos e vereadores por mais um ano.

No momento em que foi vereador, Ivo Amaral foi também o líder da bancada na Câmara de Vereadores com mais 9 companheiros do seu lado. Após deixar a Câmara, e ver seu amigo e ex-prefeito Amílcar voltar a sua vida particular, passados quatro (04) anos, Ivo volta ao cenário político para apoiar mais uma vez Amílcar Valença para prefeito, em um convite pessoal pela afinidade existente durante a primeira administração, onde obteve a confiança e foi convidado para ser candidato a vice-prefeito. Pela segunda vez saem vitoriosos e assumem a prefeitura de  Garanhuns, agora juntos no executivo, em 1973. Este governo se estendeu até 31 de janeiro de 1977, porém, em 1976, Amílcar já apresentava Ivo Amaral como o seu sucessor, disputando a eleição com mais cinco (05) candidatos. Agora, faziam parte da Arena contra o MDB na época quando ganharam facilmente as eleições. Ivo Amaral assumia o seu  primeiro mandato como prefeito de Garanhuns.

Em 31 de janeiro de 1977 Amaral passou a governar o  município. Eleito para quatro (04) anos, Ivo teve o mandato prorrogado a nível nacional por mais dois (02) anos para haver novamente coincidência, ficando assim no mandato até o dia  15 de maio de 1982, quando precisou renunciar o mandato para se candidatar-se a Deputado Estadual, deixando em seu  lugar o vereador e presidente da Câmara, José Ferreira Filho, conhecido como Zí Ferreira que governou o município de 15 de maio até 02 de janeiro do ano de 1983 passando o governo para o prefeito eleito na época, José Inácio Rodrigues.

Ivo Amaral se elege pela primeira vez deputado estadual em 1982, e posteriormente, é reeleito no ano de  1986. No ano de 1988, Ivo é novamente convocado pelo partido para disputar mais uma vez a prefeitura, sendo eleito pela segunda vez prefeito de Garanhuns, na eleição de novembro de 1988, tomando posse em janeiro de 1989, governando até 31 de dezembro de 1992.

As administrações de Ivo Amaral foram consideradas inovadoras, prefeito modernizador com verdadeira revolução de obras em Garanhuns, preparando a cidade para receber os  turistas de Pernambuco, do Nordeste e do Brasil.

Saindo da prefeitura, Ivo Amaral assume a primeira rádio em Frequência Modulada de Garanhuns, a FM Sete Colinas, comprando as ações majoritárias do empresário José Luciano de Oliveira, o popular Luciano Zacarias. Ivo assumiu a direção da rádio até os dias de hoje.

Não disputando mais mandatos em novas eleições, Ivo ficou apoiando amigos, o que faz até os dias atuais e é constantemente visitado para orientações políticas. Recebe em sua residência todos os meses diversas autoridades politicas. É visitado por todas as categorias sociais, inclusive Governador de Estado.

Para Ivo Amaral, existe de sua parte um carinho eterno por Garanhuns, pela sua acolhida e a vida pública que aqui teve sendo majoritário em tudo que disputou. Ivo Amaral agradece a todo o povo da Cidade das Flores. Foram 40 anos recebendo votos e militando na vida pública deste município.

Ivo Amaral como deputado foi o grande colaborador para a  transferência da Universidade Federal Rural de Pernambuco, deslocando do  subúrbio de Dois Irmãos no Recife para o  município de Garanhuns.

FEITOS DE IVO AMARAL QUANDO PREFEITO

Bairro do Magano - Desapropriou casas abrindo ruas e  construindo galerias de águas pluviais. Colocou iluminação, construiu praças. As principais galerias foram as das Ruas Julião Cavalcanti, Darcy Madeiros, Dom Aquino Correia, Campos Sales. Construiu a Praça Santa Teresinha com o calçamento, galerias e iluminação.

Bairro São José - Deu continuidade a  construção da CEAGA (Central de Abastecimento de  Garanhuns) iniciada pelo seu  antecessor, concluiu a  construção do Galpão Varejista, construiu o prédio da administração e calçou as  ruas que dão acesso ao  mercado. Desapropriou uma  casa para abrir a rua São Domingos; construiu galerias de  águas pluviais da rua Monsenhor Callou, parte das Antônio Souto e Cícero Guerra e as pequenas ruas de ligação do bairro, ainda substituiu o sistema de iluminação pelo de lâmpadas a mercúrio.

Bairro da Boa Vista - Implantou o ensino de 1º grau na Escola João da Mata Amaral que logo passou a atender a mais de 1.000 alunos; melhorou o passeio e asfaltou as ruas São Miguel e José leitão, já  calçada a paralelepípedos. Calçou a paralelepípedos as ruas Ipiranga, Minervino Apolinário, Padre Dehon, Inácio Correia de Melo e a Vila Aldira; colocou escadarias rampas que dão acesso as ruas; construiu galerias nas ruas Esperança e Tomé Cavalcanti; remodelou e deu nova iluminação às praças Dom Pedro II e São Sebastião.

Bairro Heliópolis - Ligou a Cohab ao  bairro; pavimentou, drenou as águas pluviais e aumentou a iluminação em várias ruas do bairro; concluiu as ligações entre as avenidas Júlio Brasileiro, Ernesto  Dourado e Francisco Gueiros. "Construiu o Relógio de Flores".

Bairro Aloísio Pinto - Calçou ruas fez drenagens pluviais e intensificou a iluminação.

Resumo de Obras -  Construiu cerca de 90 Km de galerias para águas pluviais; pavimentação com paralelepípedos cerca de 50 ruas e becos; pavimentos com concreto asfáltico cerca de  80 logradouros; construiu 48 salas de aula, e ainda, cerda de 10 pontes e bueiros nas entradas do Município. Concedeu aumentos ao funcionalismo municipal e pagou em dia os seus  salários. Atendeu com médicos e dentistas os pobres. Transportou de ambulâncias para os hospitais do Recife muitos enfermos. Iniciou a construção do Mercado Modelo. Entendendo com facilidade com as autoridades estaduais e federais competentes, deixou Garanhuns como cidade de  Porte Médio Cura, com novo aeroporto, Matadouro (em construção), Plano Diretor de Turismo, Plano Diretor de Drenagem, Plano Diretor de Desenvolvimento  tudo pronto ou  em implantação. Ficou conhecido como um dos maiores prefeitos de Garanhuns.

*Valdir Marino é escritor, poeta, jornalista, radialista, cronista e músico.

Fonte: Coleção Personalidades de Garanhuns

Relógio de Flores na década de 1990

IVO AMARAL - CRIADOR DO RELÓGIO DE FLORES - O MAIOR CARTÃO POSTAL DE GARANHUNS

José Rodrigues da Silva*

Conta-nos a história que o então secretário de Turismo, Cultura e Esportes de Pernambuco, Francisco Bandeira de Melo, em viagem à Suíça, viu em uma cidade daquele país, parecida com a nossa, um Relógio de Flores. Fotografou-o e na volta apresentou ao Prefeito da época, Ivo Amaral, que tratou, imediatamente, de concretizar a ideia e fazer os procedimentos para a implantação do mencionado relógio em nossa cidade.

O Relógio de Flores, em moeda da época, custou CR$ 420.000,00 (quatrocentos e vinte mil cruzeiros). O seu equipamento é de fabricação nacional, da marca Dimer Tagus; na construção da obra tomou parte a equipe da Empetur, com a participação de técnicos da Prefeitura de Garanhuns, a saber: engenheiro João Inocêncio, arquiteto Marcílio Maia, e o secretário de Planejamento, professor Jaime Pinheiro.

Pronto e implantado o relógio, tomaram parte do evento de inauguração, no domingo 25 de janeiro de 1981, com a presença do secretário Francisco Bandeira de Melo e o presidente da Empetur, Ricardo Costa Pinto, todos os secretários municipais, grande parte da população da cidade e autoridades municipais, estaduais e federais que ali se encontravam para ver a beleza da obra.

O Relógio de Flores, obra construída por Ivo Tinô do Amaral, com 25  anos de existência, ainda hoje causa admiração à todos que o visitam. O Relógio de Flores, único no Norte/Nordeste, dá a impressão de que é uma estrela caída do céu em forma de brinco de ouro, colocada por Mão Divina em orelha de Virgem. Quem vier à Garanhuns e não visitar o mencionado medidor de horas e minutos não pode sair dizendo que visitou a nossa Suíça Pernambucana. Ivo Tinô do Amaral foi o prefeito que, até hoje, nenhum outro conseguiu superá-lo.

Em se tratando de cultura, foi o criador do Festival de Inverno, das grandes festas juninas. Construiu praças importantes e reformou outras tantas. Entre elas, destacamos a Praça Tavares Correia, pedestal do Relógio de Flores.

O tempo é implacável, o Sol é escaldante, a chuva é fria, mas nenhum destes fatores da natureza, até hoje, conseguiu apagar o esplendor das obras construídas por Ivo Tinô do Amaral, quando prefeito de Garanhuns.

O relógio do qual estamos falando nasceu no meio das rosas de uma cidade das flores, chamada Garanhuns, e está completando 25  anos de instalação.

*Jornalista, professor  e historiador / Garanhuns, janeiro de 2006.

EM 1991 IVO AMARAL CRIA O FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS


Ivo Amaral*

Em um certo dia da minha primeira administração (1977 a 1982) à frente do Governo Municipal de Garanhuns, em uma das constantes visitas que me fazia o jornalista Marcílio Reinaux, ele me disse: "Prefeito, Garanhuns precisa ter um Festival de Inverno". Marcílio acabara de participar do Festival Cultural de São Cristóvão, em Sergipe, como conferencista e Professor de História da Arte da Universidade Federal de Pernambuco. Antes disso, ele havia participado do Festival de Inverno de Campos de Jordão, em São Paulo. Marcílio dizia estar muito impressionado com o sucesso e a repercussão daqueles dois eventos, e por isso indagava: "porque não criar um Festival de Inverno para Garanhuns?"

Como Prefeito senti, de pronto, uma forte motivação de pensar seriamente no assunto e respondi: "Que ideia fantástica, vamos à ela". Corria o ano de 1981. Desde então, teve início, na minha gestão de prefeito, um longo caminho que seria percorrido, por mim, pelo próprio Marcílio e por uma meia dúzia de pessoas que convoquei dentre os meus principais auxiliares. O professor Jaime Pinheiro, por exemplo, que integrava a minha equipe na Prefeitura, ficou também entusiasmado com a ideia e começou a articular meios e a listar providências que pudessem viabilizar a implantação do Festival.

Com o passar do tempo, em meio a tanto trabalho, tantas preocupações e problemas próprios a uma administração municipal, o assunto, por vezes, ficou pendente no seu andamento. Mas a cada tomada de posição, com novas e alentadoras providências, vislumbrava-se, cada vez mais, a possibilidade de, a médio prazo, se implantar o Festival de Inverno de Garanhuns. Em fevereiro de 1991, na minha segunda administração à frente da Prefeitura, criei a Comissão Organizadora do Festival, com a finalidade de estudar o assunto e propor as medidas necessárias com vistas à sua viabilização. E, decidi, na época, que o próprio prefeito deveria ficar à frente de tudo. O Festival precisava sair do papel.

A Comissão era constituída pelas seguintes pessoas; os secretários Jaime Pinheiro, Luiz Henrique e Fernando Campos; os empresários Paulo Tavares e Luciano Oliveira; os jornalistas Gildson Oliveira e Marcílio Luna; os vereadores Paulo Gomes, Silvino Duarte e Audálio Ramos, e o arquiteto Marcílio Reinaux Maia (sobrinho do outro Marcílio) e que integrava a minha equipe, ocupando a Diretoria de Cultura), que se tornou um grande entusiasta da ideia, tratando, ele mesmo, enquanto arquiteto, dos aspectos espaciais e de ocupação do que viria a  ser o festival. O outro Marcílio, o tio atuou como consultor da Comissão Organizadora. Não podemos esquecer a inestimável contribuição de várias outras pessoas aos trabalhos desenvolvidos pela Comissão, em especial a de minha esposa, Edjenalva, de Suzana, esposa de Paulo Tavares e de Juracy Calado e  Graciete Branco.


Com o projeto pronto, com as providências necessárias bem definida e com expectativa de aporte de apoios e, consequentemente, de meios e recursos para se fazer um evento daquele porte, fomos, em Comissão por mim chefiada, ao encontro do Governador de Pernambuco, Joaquim Francisco.

Na audiência, o Governador ouviu tudo, atentamente, examinou os documentos apresentados e, antes mesmo de fazer indagações e se aprofundar no assunto, disse alto e em bom som: "Prefeito Ivo Amaral, eu compro a ideia". Nas conversas e entendimentos que se seguiram, o Governador dizia que aquele não seria um projeto apenas de Garanhuns.

Seria um Projeto que, se viabilizado, traria grandes benefícios para a região do agreste e para todo Estado. Para o Governador Joaquim Francisco, um festival de Inverno em Pernambuco era uma iniciativa pioneira com grande repercussão em toda sociedade. Estava certíssimo o Governador e a história do Festival de Inverno de Garanhuns é uma prova disso.

O então Secretário Estadual de Educação, José Jorge Vasconcelos, foi acionado pelo Governador bem como o então Presidente da Fundarpe, Rubem Valença Filho, o "Rubinho", que ficou maravilhado com o convite a pôs as mãos e o coração na tarefa de viabilização do Festival: uma grande contribuição. Afinal, o Rubinho tem suas origens em uma das grandes respeitadas famílias de Garanhuns, a família dos Valença, do padre Adelmar e de Amílcar (que foi prefeito do Município).

O Festival foi viabilizado e a sua primeira edição se deu em julho de 1991. Empresários, intelectuais, políticos, associações de classe, clube de serviço, escolas, colégios e faculdades formaram um verdadeiro mutirão em apoio ao evento, cada qual oferecendo a sua contribuição no somatório dos esforços que deu lugar ao Festival de Inverno de Garanhuns.

A História do Festival,  que tem 29 anos, é cheia de lances heroicos. A cada ano, os desafios são maiores. Mas, é necessário que se ressalte que o nosso empenho e a disposição de dezena de companheiros, verdadeiros idealistas, fizeram com que a luta travada desde aquele dia da visita de Marcílio ao meu Gabinete, com a ideia que trazia nas mãos, não tenha sido uma luta inglória. O Festival se tornou uma realidade e veio para ficar.

Essa história de 29 anos também registra um momento triste. Após a realização do primeiro festival, um grupo de "aventureiros", cujos integrantes não eram residentes, nem tinham origens em Garanhuns, arvorou-se de "dono" do festival. E esse grupo entrou na justiça com uma Ação Popular reivindicando "direitos autorais" sobre algo que não haviam criado, que não haviam organizado e que, em verdade, não lhe pertencia. Os integrantes desse grupo apenas, em um momento, "trabalharam" naquele festival. Mas a Justiça foi exercitada. A luta desse grupo foi inglória.

Devemos  ter sempre em mente que o Festival de Inverno de Garanhuns não pertence aos seus idealizadores, não pertence à Prefeitura Municipal, ao Governo do Estado, nem as empresas ou qualquer instituição, de direito público ou privado. O Festival de Inverno de Garanhuns pertence ao povo. E para isso ele foi criado, por um punhado de idealistas e sonhadores, como uma forma de demonstração de seu grande amor por Garanhuns.

Clique nos links abaixo e saiba mais:

https://www.anchietagueiros.com.br/2022/01/ivo-amaral-assume-segundo-mandato-como.html

https://www.anchietagueiros.com.br/2022/01/ha-45-anos-ivo-amaral-era-empossado.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Em 1935 Lampião leva pânico aos moradores de Garanhuns

Noites de inquietação e pavor de 26 de maio  a 1º de junho, em Garanhuns, com as notícias de Lampião nas proximidades. De fato, no dia 29 de...