quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

O descobridor de Garanhuns

Foto: Dr. Tavares Correia, esposa, Sra. Mercês e os filhos: Paulo Norberto, Maria Cristina (Deputada Federal Cristina Tavares), Maria Lúcia e Ridete

Alfredo Vieira*

Muito felizes as expressões de João Domingos da Fonseca, advogado e jornalista de formação garanhuense, no seu elogio fúnebre à memória de Tavares Correia, em sua coluna no "Diário de Pernambuco", quando, dirigindo-se ao saudoso amigo morto, disse que falecera o "Descobridor de Garanhuns", justificando plenamente os motivos de sua afirmação e dando enfoques inclusive de sua grande amizade àqueles da cidade e seus inúmeros amigos.

Incorporamo-nos em toda a plenitude à afirmação de João Domingos, quando dá a Tavares Correia esse título. Realmente, as cidades se descobrem sempre que fatos ocorram ou existam sem a necessária divulgação, capazes de modificar os seus costumes, tornando sua vida mais  amena e capaz de produzir frutos em benefício de suas comunidades. As cidades, como as criaturas, têm alma, vivem e sentem com os seus filhos as suas vitórias ou derrotas, não fazendo distinção da sua condição, se legítimos, ou não, adotados ou eleitos pelo coração.


Tavares Correia adotou Garanhuns como sua cidade natal, e deu-lhe o melhor de suas forças e inteligência, integrando-se de corpo e alma a sua comunidade.

Fui seu admirador, quando atendeu com amizade e carinho ao meu pai doente, de quem se tornou amigo incondicional até a sua morte em 1928, assistindo-o nos seus últimos momentos, com a mesma presteza e dedicação de sempre. Fui seu aluno, quando nos ensinava Física, no Colégio Diocesano, procurando amenizar a linguagem fria do físico Nobre, com aulas inteligentes e bem cuidadas, sempre alinhando os fatos à realidade do seu tempo.

Inteligente, teve a visão profética de que Garanhuns, necessitava crescer e ser conhecido, sobretudo pela amenidade do seu clima, capaz de curar em remédio, certas e determinadas enfermidades do seu conhecimento, dada a sua condição de clínico em dia com os progressos da medicina.

Político também, chegou a ocupar lugar destacado como Conselheiro Municipal, procurando defender no âmbito regional do município os  interesses de Garanhuns, alheio às competições partidárias. Vi com que  interesse resolveu os problemas dos marginais que ocupavam a antiga Rua da Maçaranduba, junto ao Parque Euclides Dourado, no nascente bairro de Heliópolis, sempre conhecido pelo nome de "Arraial", onde mais tarde José Maria Dourado, ou melhor Pipe Dourado, como carinhosamente lhe chamavam, transformou no bairro residencial por excelência, de nossa cidade.

Acompanhei de perto o seu trabalho para criar o "Instituo Médico Cirúrgico", juntamente com as figuras mais expressivas de nossa cidade, depois chamado de "Sanatório Tavares Correia" e finalmente, transformado pelo seu filho, o médico Paulo Tavares Correia, em "Hotel Tavares Correia", com "Centro de Convenções" e melhoramentos outros que  atraíram para Garanhuns, as correntes turísticas de que necessitava a cidade para gozo do seu clima e de suas amenidades, hoje conhecidos em todo o Brasil.

Tavares Correia, nascido em São Brás, lugarejo perto de Penedo, antes de doutorar-se em Medicina na Universidade do Rio de Janeiro, em 1923, formara-se em Farmácia na Universidade da Bahia, em dezembro de 1917. Antes de chegar a Garanhuns, passou tempo em Bom Conselho, e quando de lá saiu, viajando em "lombo de burro", para a nova residência, a sua ausência foi lamentada, inclusive no púlpito de sua igreja, em homilia do Padre Alfredo Pinto  Dâmaso, Vigário local, exaltando as suas qualidades de médico e pessoa humana.

Em nossa cidade, foi também desportista quando assumiu a Presidência do "Comércio Esporte Clube". Era uma permanente presença em todos os movimentos socioculturais de Garanhuns.

Tal era a integração de Tavares Correia, com os seus amigos desde os seus tempos iniciais, no Hotel Familiar, de Dona Raquel Ferreira, sua primeira residência, na cidade que o acolhia, até os dias do Instituto Médico Cirúrgico, que no seu noivado com a Srta. Maria das Mercês de Lima, filha do Cel. João Noberto de Lima, de importante e tradicional família das Alagoas, em jantar realizado em 06 de fevereiro de 1929, os convidados em sua maioria, tiveram lugares marcados com cartões, onde se encontravam versos amáveis aos seus titulares.

Tavares Correia, casou-se em 11 de setembro de 1909, no Rio de Janeiro, com a Srta. Maria das Mercês, de cujo consórcio nasceram seus filhos: Lúcia, professora universitária de língua espanhola, casada com o Dr. Lídio Xavier Jr, Paulo Tavares Correia, médico, diretor da empresa hoteleira (Garanhuns, Recife e Caruaru); Ridete, arquiteta; Cristina, jornalista, deputada federal, representante de Pernambuco na Câmara Federal.

O homem que "Descobriu Garanhuns" faleceu no Recife, em 24 de janeiro de 1953.

*Advogado, escritor, jornalista e historiador | Garanhuns do Meu Tempo | Alfredo Vieira | 1981.

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