terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

O FIG é também o antídoto contra a inércia de Garanhuns

Ivo Amaral criador do Festival de Inverno

Chegou o Festival de Inverno. Uma espécie de antídoto temporário contra a endêmica inércia de Garanhuns nos demais dias do ano referentes ao turismo de eventos com arte e cultura agregados. Pontualmente essa efervescência é vista em dias que antecedem o Natal e no período da festa cristã em si, para silenciar logo em seguida até o próximo FIG. Pelo vigésimo nono ano a cidade demonstra sua capacidade em comportar esse filão de economia que já é a quarta no ranque mundial em todas suas vertentes, e também pelo vigésimo nono ano, naturalmente não vamos passar desse momento.

Após o FIG entramos numa espécie de depressão pós-parto. Mas o Festival de Inverno  em si, é o que melhor temos na larga diversidade cultural e seu mecanismo de difusão, valorização, além de fomento ao turismo e a geração de trabalho e renda. Nessa circunstância, Garanhuns amolda-se a contento, emprestando um dos melhores ambientes do Brasil.

Somem-se a isso belezas naturais, clima bom, infraestrutura hoteleira e todo o aparato necessário para o funcionamento de uma festa gigante. A maior do Brasil no gênero. O antídoto contra a inércia funciona com eficiência e tudo o que se pense em frutos advindos do evento, são colhidos sazonalmente. Mas o efeito é curto. Essa reflexão não vale para tirar o brilho de nada, mas deve servir para imaginarmos o que fazer com isso o resto dos dias do ano.

Mas o fato é que, passados os último acordes sonoros dos shows da Praça Mestre Dominguinhos, desarmada a lona do circo, o fim da última cena no teatro, o silêncio que retorna ao Pau Pombo e o vazio no Largo do Colunata, voltaremos cada um de nós que faz essa bela cidade, apenas a dormir sonhando com tudo que o atrevimento de Ivo Amaral nos mostrou a 29 anos que é possível sim, Garanhuns ser mesmo uma cidade turística, e permanentemente. Mas enquanto isso que exista apenas o gozo, e a euforia de uma cidade estendida do dorso das serras e de braços abertos. Que eufóricos madrugada adentro e transcendendo em cores e danças e cânticos e sonhos, o povo se deslumbre, sabendo que  a arte exista porque a vida não basta. É FIG... então vale vivê-lo como num sonho palpável.

*Texto transcrito da Revista Cenarium VIP de julho de 2019.

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