quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

O pássaro amarelo

Nelson Paes de Macedo*

Uma fatia de lua, iluminando o céu de nuvens cinza- azul, refletia nas águas do rio. Descobri que o Capibaribe não é apenas o "para-estrelas" do poema de Manuel Bandeira; ele é também o papa-lua.

No oitão do Grande Hotel estava pousando o  "PÁSSARO AMARELO" de  Waldimir Maia Leite. No mesmo local onde há 118 anos desembarcou o Imperador Dom Pedro II, no antigo Cais de Lingueta. Waldimir, olhos fitos no horizonte, decerto estava dizendo aquelas mesmas palavras de Dom Pedro: "O Recife é um céu aberto"!

O pássaro amarelo havia passado todo o dia tomando um forte banho de sol, lá para as bandas da cidade universitária, e, estava ali, recebendo os ventos refrescantes que vinham do mar, atravessando estranhas e misteriosos paralelos.

Abriu suas asas acolhedoras, asas metálicas, e me recebeu. Um "oi" tão conhecido dos garanhuenses, foi o cumprimento que iniciou o nosso diálogo. Waldimir  sabe de tudo que se passa em nossa terra, mas quer confirmação, quer novas notícias. A conversa passa para uma verdadeira salada - mista de coisas, fatos e  pessoas da terra que o viu nascer; e, pergunta: "Catedral de Santo Antônio; Ivo Amaral; administração  municipal - O Monitor - Rossini Moura - Mauro Lima - Humberto de Morais - José Francisco; Aguinaldo de Barros; Davi Lima; festas do natal; carnaval; Da Ivonita Guerra e a Semana Folclórica: Centenário de Garanhuns; o inverno; o frio; a safra; o comércio; os esportes; o congraçamento sócio - cívico - cultural que está sendo feito pelo 71º BI Mtz, através da  orientação do seu comandante, o Ten. Cel. Luiz Augusto da Silva Tavares, promovendo conferências, atividades esportivas, e tantos outros empreendimentos. 

O pássaro amarelo levanta um  "voo", desliza no asfalto das ruas recifenses, atravessa uma ponte, e, vai me deixar do outro lado, onde  o rio tão guloso, ainda estava papando a lua. O pássaro amarelo, talvez, gaivota, ainda com  os "pés" molhados pela salsugem de muitas marés e terras distantes, "voa" outra vez, levando aquele homem, que em Paris - Roma - Londres, está sempre lembrando de Garanhuns. Gaivota, ou talvez "Pavão Misterioso - que levantou voo na Grécia, levando a  filha de um Conde orgulhoso", foi assim que eu vi naquela noite recifense, o "Pássaro Amarelo", porém quem sabe... um ANUM da nossa terra.

*Escritor, poeta, jornalista e historiador | Recife |27 de Agosto de 1977.

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