quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Pau Pombo e as Vilas Regina e Maria em Garanhuns

Sítio Pau Pombo - Final do Século XIX
Pau Pombo na década de 1940

Antes das instalações de água  encanada para as residências de Garanhuns, introduzidas pela "Empresa de Melhoramentos", grande parte de suas famílias, costumavam usar os banheiros localizados no "Pau Pombo", "Vila Regina e "Vila Maria", chácaras que si situavam na periferia de nossa cidade.

O "Pau Pombo", ficava em sítio desmembrado da propriedade do  Sr. João Carneiro, que se iniciava em residência rústica ao lado direito da Matriz de Santo Antônio.

Adquirido pela "Companhia de Melhoramentos", o "Pau Pombo", recebeu inúmeros benefícios, inclusive com a construção de açude, sob a orientação de Ruber van der Linden. Era também um dos locais aprazíveis da cidade e nele se realizavam sempre os piqueniques. Naquele tempo, os homens, todos vestidos a caráter; em traje de passeio formal (paletó e gravata), as senhoras com suas roupas domingueiras e chapéus de abas largas, muito em voga na época. Não faltava orquestra, nem cantores, inclusive o boêmio Augusto Calheiros.

A "Vila Regina", tinha um esplêndido "banho de choque" e a chácara primava pelos seus jardins bem cuidados, com predominância de rosas e "bounguevillas". Pertencia à família Clemente.

A "Vila Maria", ficava na parte oeste da cidade, à caminho da Fazenda Serra Branca (manancial de água mineral, hoje já industrializada).

Vários caminhos nos conduziam à "Vila Maria", de propriedade do  Sr. Tomás da Silva Maia, abastado industrial e comerciante do município. Primeiro Prefeito Constitucional de Garanhuns, nas eleições que se realizaram após a Revolução de 1930. Foi candidato de conciliação, escolhido pelos "autênticos" de 1930 (designação aos revolucionários vitoriosos) e pelos "perrepistas", antigos remanescentes da chamada política-velha", sob a chefia de Souto Filho.

Para se chegar à "Vila Maria", poderíamos tomar o caminho da  Boa Vista.

Na Rua Jatobá, dominava o clã dos Medeiros. Comerciantes de estivas e armazém de recolher. De seus familiares destacavam-se Izaura Medeiros, professora de várias gerações e ainda, o advogado Osvaldo Medeiros, meu colega de Turma de 1939, da Faculdade de Direito do Recife, ex-aluno do Diocesano, ex-seminiarista e delegado-representante da O.A.B. - Secção de Pernambuco.

O "Porto da Folha", terminava com a mansão senhorial que o fazendeiro Antônio Alves Pedrosa, fez construir a ale residiu por muitos anos, início também de uma de suas fazendas de café.

Antes do término do "Porto da Folha" (jamais consegui saber o motivo da designação), ficavam os armazéns da família Mendes Gonçalves, também fortes comerciantes e compradores de café e cereais em nossa época. Os seus filhos Luís Mendes Gonçalves, Maria Nazaré e Heloisa eram figuras permanentes no nosso "society". Luís Mendes nosso contemporâneo no Diocesano, era um esportista de primeira linha. Integrava a equipe do Esporte Clube de Garanhuns nos tempos do amadorismo. Maria Nazaré, uma das mais lindas jovens do nosso tempo, foi por  mais de uma vez, eleita "Miss Garanhuns", quando estes concursos não constituíam promoção comercial.

Ao lembrar a paisagem bucólica destes sítios de Garanhuns, onde se procurava preservar o seu "verde", verificamos que o tempo mudara algumas de suas formas. Porém nem tudo se perdeu.

O "Pau Pombo", se transforma acertadamente, no "Parque Ruber van der Linden" e a "Vila Maria", segundo notícias do imortal Waldimir Maia Leite, neto do seu fundador Tomás, vai se constituir no "Museu de Garanhuns", aproveitando-se o velho solar, de arquitetura colonial do século passado, residência da família Maia.

Os outros caminhos para a "Vila Maria", eram pela rua da "cadeia Velha" e pela Avenida Rio Branco, logo após a Igreja Presbiteriana.

A "Vila Maria", antes da industrialização da "Fazenda Serra Branca" era um dos pontos principais de abastecimento de água potável. A  água da "Vila Maria", marcou época em nossa centenária cidade.

*Alfredo Vieira | Garanhuns do Meu Tempo | Ano 1981. 

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