segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Um Desenhista


Marcílio Reinaux* 

Aqui e acolá, os adultos têm a mania de se referirem às crianças precoces, que nesta ou naquela atividade se  destacam das demais de sua idade e de seu tempo. Por  isso mesmo me tinham como um desenhista precoce, porque desenhava  e rabiscava tudo que me caísse nas mãos. Não fora sem  razão que minha madrinha Beatriz, quando já na adolescência, havia me dado de presente um rico e caro estojo de desenho, completo.

De fato eu gostava mesmo de desenhar, pintar, riscar, cortar e tudo que mais fosse possível realizar com as mãos, com atenções voltadas para as atividades artesanais, vinculadas às chamadas artes plásticas. estes meus pendores naturais, me levariam mais tarde já no recife, a ser destacado em pintura e desenho na Escola de Aplicação durante a realização do Curso de Admissão ao Ginásio, que nesse tempo se fazia em um ano. A minha professora desse tempo, chamada Dona Áurea, me acumulava de elogios, "tocando trombetas" sobre as minhas habilidades artísticas. Também com tanta motivação, quem não se dedicaria ao desenho e à pintura?

Na mesma linhagem, é que mais adiante eu me inclinaria para a Escola Técnica do Recife (hoje Federal de Pernambuco) e ali faria o Curso de Artes Decorativas, no Ciclo Industrial Básico, que  correspondia ao Curso Ginasial. Mas que isso. Era um curso que além de preparar hoje chamado de 1º grau, ainda oferecia a profissionalização o que de resto, foi muito bom em toda a minha vida. Na mesma sequência fiz o Curso Superior de Licenciatura em Desenho, tornando-me, pela Universidade Federal de Pernambuco, professor na área de desenho e de História das Artes.

Todas estas inclinações eclodiram logo cedo. Lembro-me de que sempre punham à minha disposição papel, lápis, crayon, giz, tintas e tudo mais próprio de atividades artísticas. Posso perfeitamente me recordar, que, eu já riscava coisas com algum nexo, segundo ainda hoje as minhas irmãs mais velhas me confirmam. Uma vez lembro-me, numa noite de frio, puseram-me sentado na mesa da cozinha de casa, com um papel pardo e um lápis. Comecei a riscar e desenhei (com a minha convicção), um "sopa" (ônibus que circulava na nossa rua). Fiquei furioso, quando a ignorância da empregada Tereza, não permitiu que ela descobrisse o que eu estava desenhando. Era uma "sopa". Tinha todos os detalhes, pneus, janelas, motorista e um bagageiro com muitas malas e cestas de feiras em cima. Nesse dia, desenhei também alguns "passageiros" dentro do veículo e pedi que alguém colocasse os nomes dos mesmos, de acordo com o que ia desenhando. Coloquei, todos os familiares na mesma "viagem" do veículo de Alfredo Leite que era o proprietário da empresa de ônibus. Este é fato dos mais  antigos da minha infância, porque também refere-se a quatro ou cinco anos de idade.

*Advogado, escritor, professor, pintor, jornalista e historiador.

Foto: Aspectos da Boa Vista, em Garanhuns, subindo por uma das ruas antigas, resquícios da memória do autor. Desenho de Marcílio Reinaux.

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