sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Umbuzeiro

Árvore Umbuzeiro | Foto: Anchieta Gueiros

Severino Roque

Umbuzeiro formoso e abandonado,

Umbuzeiro perdido no deserto

Onde ao vento da tarde reclinado

Eu fiquei pensativo, triste e incerto.


Em me lembro, eu me lembro, um certo dia,

Na floresta cansada, muito além,

Da juriti o canto aparecia

Trazendo-me saudades do meu bem.


E eu sozinho chorava na amargura

Do tempo que passou longe de tudo;

Minh'alma, qual sombria sepultura,

Meu triste coração mais triste e mudo.


Então, sentado ao tronco, na lembrança

Daquela que foi minha antigamente,

Eu chorei o meu tempo de criança,

Quando a amores vivia indiferente.


Porém, formoso amigo, em tua fronde,

A saudade não vem de alguma ingrata;

Na sombra dos teus ramos não se esconde

Um desejo qualquer de serenata.


És bem feliz, porque na tua vida

Não conheces mulher a ingratidão,

Tu tens para o Universo a fronte erguida

E a sombra que apraz ao coração.

Garanhuns, 13 de Agosto de 1977.

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